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Transporte de cargas industriais tem queda de 20% em Passos

27 de março de 2020

PASSOS — Em um território traumatizado com os efeitos da greve dos caminhoneiros de 2018, a ruptura da rotina causada pela pandemia do novo coronavírus tem levantado novos temores sobre um possível desabastecimento de produtos essenciais. Em entrevista à Folha, Marcelo Daher Grilo, o presidente da Cooperativa de Transportes Rodoviários de Passos, informou que, desta vez, não há qualquer previsão de interrupção total das atividades.
Conforme o representante, dentre os 300 caminhoneiros cooperados, apenas alguns deixaram de viajar. Além disso, nas fronteiras municipais, as barreiras sanitárias, das quais oferecem orientação sobre a covid-19, não impedem o tráfego nos municípios.
Apesar do pouco impacto no setor, algumas dificuldades tem sido apontadas pela cooperativa, como, por exemplo, a falta de borracharias e oficinas abertas. “A oferta de cargas diminuiu 20%, mas só do setor industrial. Alguns caminhoneiros têm perdido pontos de apoio, tal como oficinas, esses estabelecimentos são enquadrados como essenciais, por serem ‘acessórias’ ao transporte de cargas”.
Na cooperativa, a continuidade de trabalho é facultativa, porém, Grilo ressaltou a necessidade de trabalhar seguindo normas de precaução. “Somos a favor da quarentena, mas não podemos parar nossas atividades, caso isso ocorra, o problema se torna ainda maior, com falta de insumos aos hospitais ou no comércio, etc”.
Transportador de carga viva há 11 anos, o caminhoneiro Diego dos Reis Oliveira Silva, também disse que as dificuldades e tão, em grande parte, relacionadas à manutenção de veículos. “Mesmo com adversidades, não fui afetado financeiramente, pois estou trabalhando normalmente, talvez tenha impactado quem atua com transporte de fi mas, de empresas que pararam e, por consequência, acaba sem receber o frete. No momento, a dificuldade geral é o apoio mecânico, borracheiro e eletricista; porque o caminhão continua quebrando, mas não temos como recorrer a profissionais, uma vez que há inúmeros decretos nas cidades, que determinam o fechamento dos estabelecimentos”,  lembrou.
Do mesmo modo, foi confirmado que as barreiras intermunicipais não têm impedido a circulação. “O trânsito de caminhão está liberado, conseguimos passar. O que ocorre é que tem caminhoneiros, principalmente autônomos, que não conseguem carregar os caminhões devido ao fechamento de algumas empresas”, concluiu.