Valentina Herszage vive uma Hebe jovem

26 de dezembro de 2019

A atriz Valentina Herszage mal havia terminado as gravações da novela Pega pega, na Globo, quando foi chamada para fazer um teste para um papel sobre o qual ela não tinha informação alguma. “Isso foi em janeiro de 2018. A produtora me pediu apenas um vídeo em que eu cantasse. Mandei um em que eu cantava uma música da Marisa Monte”, conta.

Dois meses depois, ela foi avisada de que havia sido aprovada. “Foi uma grande surpresa não só eu ter passado, mas para qual trabalho fui selecionada – interpretar a Hebe Camargo (1929-2012).” Valentina recebeu a resposta positiva ao seu teste no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher e também o dia de nascimento da apresentadora. “Foi uma data mais do que simbólica”, afirma.

Valentina vive Hebe dos 14 aos 28 anos na minissérie sobre a vida da loura que acaba de chegar ao Globoplay. Andréa Beltrão assume a personagem dali em diante não só na série, mas também no longa-metragem, que estreou em setembro passado, com um recorte específico da carreira da estrela, os anos 1980.

Valentina se surpreendeu ao descobrir que a rainha da televisão brasileira era originalmente morena e parecida com ela. “Fiquei impressionada em ver como sou parecidíssima com a Hebe quando ela era mais jovem. Nunca imaginei que ela tivesse cabelos escuros. Na minha cabeça, ela sempre foi loira.”

Hoje com 21 anos, a atriz não chegou a assistir Hebe apresentando ao vivo e diz que não tem nenhuma lembrança específica dela. Mas fez questão de mergulhar no universo da comunicadora com uma pesquisa que incluiu muitos vídeos e livros. “Fui atrás de praticamente tudo o que havia sobre ela. Foi uma imersão. A Hebe está muito presente na memória dos brasileiros com essa coisa do selinho, do bordão ‘gracinha’. É uma figura marcante e importante da nossa TV, da nossa cultura. Eu me aproximei o máximo possível do universo dela”, diz.

A atriz passou por um processo intenso de preparação – vocal, corporal e de prosódia – que levou cinco meses. Chegou inclusive a construir a personagem ao lado de Andréa Beltrão, para que a Hebe da ficção não destoasse na passagem de tempo. “Os gestos, o jeito de falar, não só o sotaque (Valentina é carioca, e Hebe era de Taubaté, no interior paulista, e se esforçava para se comunicar como as pessoas da capital). Ela tinha uma musicalidade única para se expressar, era muito expansiva. Para fazer uma personagem que existiu e está no imaginário das pessoas, tem que estudar tudo milimetricamente. É muito detalhe para se chegar ao resultado que a gente quer”, afirma.

Canto

Um dos pontos altos da produção são as apresentações musicais de Hebe Camargo, que começou sua carreira como cantora. Valentina literalmente dá um show. Um dos momentos mais bonitos é sua interpretação de O que é que a baiana tem?, clássico de Dorival Caymmi imortalizado por Carmen Miranda. Soltar a voz não é uma novidade para a atriz, que, dos 5 aos 18 anos, fez curso de canto, dança, sapateado, teatro e circo.

“Essa base, essa formação me ajudaram demais em muita coisa. Depois acabei indo mais para o lado da interpretação e, atualmente, estou cursando a faculdade de artes cênicas. Mas cantar surgiu até antes. Canto tudo na minissérie, inclusive ao vivo em alguns momentos. Foi um dos grandes desafios, porque a maneira de cantar daquela época, anos 1940, 1950, era bem diferente”, comenta.
Alguns aspectos da trajetória de Hebe chamaram a atenção de sua intérprete, como a relação afetuosa com o pai, o maestro e violinista de cinema mudo Fêgo Camargo, vivido na produção pelo ator mineiro Ângelo Antônio. “Essa ligação é uma das coisas mais lindas da história dela. Naqueles anos, as mulheres tinham que casar cedo, tomar conta da casa, e esse pai, por ser artista também, estimulava-a a seguir seus sonhos e a ser livre. Hebe foi muito mais próxima dele do que da mãe”, diz.