Trailhawk evoca as tradições off-road da Jeep

6 de março de 2020

Desde seu lançamento nacional, no final de 2015, o Renegade – o primeiro Jeep “made in Brazil” – caiu no gosto do público brasileiro. O modelo produzido na cidade pernambucana de Goiana brigou pela liderança do segmento de utilitários esportivos até o final de 2018 quando, após receber um discreto facelift, conquistou o primeiro lugar no ranking de vendas de SUVs – e, desde então, mantém a posição. Em 2019, vendeu 68.737 unidades – média de 5.728 emplacamentos mensais –, que lhe renderam o posto de nono automóvel mais vendido do país. Este ano, houve uma retração geral nas vendas de automóveis no Brasil – o Renegade emplacou 4.325 unidades em janeiro (décimo primeiro lugar na lista dos mais vendidos), mas saltou para 5.354 em fevereiro (nona posição no ranking geral), o que garantiu a manutenção da liderança entre os SUVs em 2020. Na linha Renegade, a configuração “top” Trailhawk, com motor a diesel e tração 4×4, é a mais cara – custa a partir de R$ 145.990 – e não é a que mais vende. Todavia, cumpre a importante função de marketing de encarnar o “espírito Jeep” – e de atrair interessados para as versões mais baratas, essas responsáveis pelo bom volume de vendas.

Esteticamente, o Renegade pouco se diferencia do modelo apresentado em 2015. No final de 2018, recebeu ligeiros retoques no para-choque, na grade e nos faróis de neblina. Os faróis de leds substituíram os de xenônio nas versões Trailhawk e Limited e os de neblina também receberam leds. O porta-malas ganhou uma maçaneta externa, que torna a abertura mais fácil. Dentro, uma inovação relevante foi a substituição do pequeno multimídia anterior pelo sistema com tela de 8,4 polegadas Uconnect, que usa interfaces Android Auto e Apple CarPlay para acessar aplicativos de navegação, como Google Maps e Waze, e de música, como Spotify e Deezer. O multimídia ainda permite acessar as funções do ar-condicionado remotamente, por toques no monitor ou por comandos de voz. Nas configurações Trailhawk e na Limited, o Renegade tem sete airbags de série. Emblemas “Trail Rated 4×4”, próximos às colunas frontais, e “Trailhawk” e “4×4 diesel”, na tampa do porta-malas, se encarregam de explicitar que se trata da versão “top” do Renegade.

 

A configuração Trailhawk é a mais aproxima de tudo que se espera de um Jeep, É mais elevada que as outras versões e tem 21,2 centímetros em relação ao solo.

 

Na remodelação de 2018, a parte inferior do para-choque dianteiro foi redesenhada para ampliar o ângulo de entrada de 27 graus para 30 graus. O motor turbodiesel 2.0 trabalha acoplado a um moderno câmbio automático de 9 marchas e dispõe de um sistema de tração com opções 4×2, 4 x4, 4 x4 com reduzida e 4×4 com bloqueio do diferencial. O conjunto gera 170 cavalos a 3.750 rpm e o elevado torque de 35,7 kgfm está disponível já em 1.750 giros. O Jeep Active Control oferece configurações selecionáveis para neve, areia, lama e pedra, que adaptam a performance do motor e do câmbio, e um modo automático alternando a tração entre frontal e integral, de acordo com a demanda.

O simpático teto solar panorâmico é o único opcional da versão e aumenta expressivamente a interação com o ambiente de quem está a bordo – contudo, acrescenta R$ 8.200 aos R$ 145.990 iniciais do modelo. As cores sólidas agregam R$ 1.650 e as perolizadas somam R$ 2.300 à fatura. Ou seja, com teto solar panorâmico e em cor perolizada, o Jeep Renegade Trailhawk beira os R$ 156 mil – quase o dobro dos R$ 79.290 iniciais da versão STD 4×2 com motor flex. Uma matemática que ajuda a explicar por que a versão Trailhawk do Renegade não está entre as mais vistas pelas ruas brasileiras.

Das ruas para as trilhas

 

Desenvolvido originalmente na Europa para carros de passeio, o motor Multijet 2.0 turbodiesel de 170 cavalos tem força de sobra para mover os 1.674 quilos do menor modelo da Jeep. O robusto torque de 35,7 kgfm, disponível já em 1.750 rpm, viabiliza retomadas vigorosas, com destaque para a força em baixos e médios giros. Nas acelerações, o câmbio automático de 9 velocidades aproveita os bons recursos do motor – não há “buracos” e o nível de vibração é reduzido. Os “paddles shifts” no volante para troca manual de marchas permitem explorar mais a esportividade do modelo. O indefectível ronco dos motores a diesel é até discreto, mas se faz notar. No uso urbano e rodoviário, a percepção é que a carroceria rola pouco, apesar do 1,72 metro de altura do modelo. A direção com assistência elétrica é como todas devem ser: leve nas manobras e precisa conforme aumenta a velocidade. Mesmo em uma “tocada” mais veloz e em trechos sinuosos, o carro dá a sensação de estar sob controle. Por ter um curso mais longo, a suspensão também se tornou mais firme, para conter a inclinação da carroceria. Como “efeito colateral”, acaba transmitindo mais as irregularidades do piso do que as demais versões.

Nas trilhas, a tração com reduzida e diferentes modos oferecidos pelo Jeep Active Control permitem ao pequeno SUV transpor obstáculos com razoável desembaraço.

A suspensão independente nas quatro rodas tem curso amplo e absorve as irregularidades. Controle de estabilidade, de tração e de reboque e sistema anticapotamento ajudam a manter tudo sob controle. As rodas de 17 polegadas com pneus de uso misto, na medida 215/60, ajudam a encarar pisos esburacados.

 

Para agradar a quem curte o off-road, a versão Trailhawk não vem com o estepe “magrelo” de uso temporário e sim com o mesmo conjunto de rodas e pneus do carro.

 

Outra exclusividade dessa versão é a opção Rock (pedra) entre os modos de condução off-road, para encarar pisos pedregosos. Seja nas ruas ou nas trilhas, o Renegade Trailhawk é um modelo que dá para se levar a qualquer lugar, sem medo de desapontar. A versão “top” do menor dos Jeep equilibra uma boa capacidade off-road com uma dirigibilidade amistosa no uso cotidiano.