Série relembra o Clube da Esquina

Série documental sobre Milton Nascimento reúne Bituca e a ilustre presença dos amigos Lô Borges, Márcio Borges e Ronaldo Bastos em mais um capítulo dessa jornada

31 de janeiro de 2020

Milton e os amigos do Clube da Esquina: série revive a revolução mineira na música popular. FOTO: Canal Brasil/Divulgação

Milton e os amigos do Clube da Esquina: série revive a revolução mineira na música popular. FOTO: Canal Brasil/Divulgação

 

Qualquer reunião familiar, repleta de amigos e boa música se torna especial. Partindo desse princípio, surgiu a ideia de criar uma série documental tendo Milton Nascimento e o estúdio, em Minas Gerais, como base para relembrar os sucessos do Clube da Esquina. O projeto idealizado pelo diretor Vitor Mafra e pela produtora Gullane se chama Milton e o Clube da Esquina. A série, que será distribuída pelo Canal Brasil (na televisão a partir desta sexta, 31, e na plataforma de streaming), reúne Bituca (como Milton Nascimento é carinhosamente chamado pelos amigos) e a ilustre presença dos amigos Lô Borges, Márcio Borges e Ronaldo Bastos em mais um capítulo dessa jornada musical.

Reunidos novamente em 2020, como na década de 1960, período em que o Clube da Esquina começou a se desenvolver, o quarteto relembra, em cena, histórias e momentos da época, além de gravar e cantar composições que fazem sucesso até hoje. Consolidado nome na música brasileira e internacional, Milton Nascimento foi o precursor do movimento e o artista que mais obteve sucesso na carreira musical. Mesmo assim, não perde a simplicidade e mantém os ideais de um jovem que andava pelas ruas de Belo Horizonte.

O cantor esteve presente, ao lado de Lô Borges e Márcio Borges, no evento oficial de lançamento da série Milton e o Clube da Esquina, no Rio de Janeiro, e, sentado ao lado dos companheiros, ressaltou os ideais da carreira. “As coisas acontecem, pois a gente fez tudo baseado na verdade. Isso serve para a música e para os amigos. Nada mais do que isso. Se não fosse a verdade, eu jamais seria músico.”

O grupo de amigos, apesar de pouca idade, tinha muita disposição e talento. Nomes como Beto Guedes, Tavito e Wagner Tiso fizeram parte desse movimento antes de despontarem em outros projetos. Viviam de música e cinema, os programas favoritos da galera. E, mesmo muito jovens, engajaram-se nas lutas do movimento estudantil em um período ditatorial no Brasil. Tudo isso, em conjunto com o amor pela arte, era inspiração o suficiente para que Milton, Lô e Márcio desenvolvessem inúmeras composições, que viriam a se tornar sucessos e são exibidas no novo programa. Márcio Borges, o mais empolgado integrante durante o evento, acredita que nunca existirá um outro movimento que se equipare ao Clube da Esquina.

“Era uma conjunção de coisas que dificilmente vão se reproduzir de novo. Acho que ninguém mais vai fazer isso. Jamais vão conseguir reunir essa quantidade de talentos e pessoas bacanas em um só lugar, em uma esquina, e contar com um artista tão talentoso como Milton”, argumentou.

O compositor completou, ainda, fazendo uma crítica ao novo modelo de se fazer música, ressaltando que o estilo sertanejo vem tomando o espaço de outros músicos. “Isso não significa que o Brasil não esteja lotado de talentos. Apesar do mainstream e de a grande mídia rodar apenas um estilo de música, temos vários diamantes.”

Novos diamantes

Na gravação musical de Milton e o Clube da Esquina, alguns cantores foram convidados para participar e dividir o espaço com um dos integrantes do grupo. Seu Jorge, Samuel Rosa, Gal Costa e Ney Matogrosso interpretam canções emocionantes e de muita intensidade ao lado de Milton Nascimento, Lô Borges, Márcio Borges e Ronaldo Bastos. Seu Jorge definiu o momento como “uma graduação na carreira”. A nova geração musical, entretanto, não deixou nada a desejar em relação aos cantores que estão há mais tempo em carreira. Iza, Criolo e Maria Gadú também são convidados da série e cantam composições que surgiram quando ainda estavam no ventre materno.

Fabiano Gullane, um dos responsáveis pela produção da série, sente-se realizado com o novo produto. “É um tributo para esses artistas que colocaram a amizade e a música no mesmo patamar.

É uma obra que atravessa décadas. Tem 50 anos e continua atual, inspirando novas gerações.”

MILTON E O CLUBE DA ESQUINA. Novos episódios toda sexta-feira. Estreia nesta sexta-feira (31/1) no Canal Brasil, às 22h30. Classificação indicativa livre. Horários alternativos: Sábado, às 13h; Domingo, às 2h e às 9h; Segunda-feira, à 0h15