Redução de CO2 precisa superar 7%

Meio Ambiente

28 de novembro de 2019

Ritmo atual de ações dos países para conter emissões de gases de efeito estufa colocam o planeta no rumo de um aumento de temperatura de 3,2ºC em média até o final do século, aponta relatório da ONU. Ao mesmo tempo que as concentrações de gases de efeito estufa aumentam na atmosfera do planeta, os países ficam cada vez mais distantes de cumprirem a meta de conter o aquecimento do planeta a 1,5ºC até o final do século.
É o que mostra a nova edição do Emissions Gap Report, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que todos os anos faz a conta de quanto os países já estão fazendo para conter suas emissões de gases de efeito estufa e qual é a lacuna (o gap) para atender o necessário para cumprir o Acordo de Paris.

Tratado

O tratado, de 2015, estabeleceu um compromisso dos países para conterem o aumento da temperatura a bem abaixo de 2ºC, com esforços para que o aquecimento fique no máximo a 1,5ºC. De acordo com o cálculo da ONU, a não ser que as emissões globais de gases de efeito estufa diminuam 7,6% ao ano entre 2020 e 2030, o mundo perderá a oportunidade de conseguir isso.Para chegar a essa redução, o nível de ambição coletiva dos países precisaria aumentar em mais de cinco vezes em relação aos níveis atuais.

Cenário de aquecimento

O que existe hoje em termos de promessas por parte dos governos, porém, levam o planeta a um cenário de aquecimento de 3,2ºC.O relatório foi divulgado na manhã deste terça-feira, 26, em Genebra, a seis dias do início da Conferência do Clima (COP) que será realizada em Madri, quando as nações vão se reunir para ajustar os últimos ponteiros antes do início de 2020, quando começa a valer o Acordo de Paris.

Compromissos

Daqui um ano, na COP de Glasgow, no Reino Unido, os países deverão intensificar seus compromissos – ou seja, dizerem quanto mais eles se propõem a reduzir de suas emissões além do que foi apresentado junto ao Acordo de Paris. Com base no que dizem os gap reports da ONU e o que apontam as pesquisas científicas – de que um mundo 3ºC mais quente pode ser bastante perigoso –, espera-se que os países comecem a fechar a lacuna no ano que vem, mas o mais provável é que isso não ocorra.

Sinal

O principal sinal disso vem dos Estados Unidos, maiores emissores históricos de gases de efeito estufa, que saem do Acordo de Paris no ano que vem. Do Brasil tampouco há sinais de compromissos mais ousados. Pelo contrário, o País, que viu um aumento de 29,5% no desmatamento da Amazônia neste ano – justamente sua maior fonte de emissões de gases de efeito estufa – tem indicado que quer cobrar recursos dos países desenvolvidos por um suposto cumprimento de metas, o que é questionável.