Produtores de café usam tecnologia para exportar

3 de janeiro de 2020

Na onda da Agricultura 4.0 – crescimento das tecnologias nos processos de produção da chamada 4ª Revolução Industrial ou Indústria 4.0 -, uma experiência vivida por cafeicultores familiares de São Gonçalo de Sapucaí, no Sul de Minas, chama a atenção. Produtores de cafés especiais, Adenilson Noimar Borgei, Alessandro Alvez Hervaz e Augusto Ferreira Borges, e participantes da Associação de Produtores do Alto da Serra (Apas), alcançaram resultados excelentes na comercialização após contato com uma nova ferramenta, totalmente digital. 

Por meio de plataforma para venda online de café, apresentada pela startup suíça Algrano, os jovens atendidos pelo escritório local da Emater-MG viram as vendas dispararem no mercado internacional.
“A plataforma foi apresentada aos cafeicultores em 2014, em evento realizado em Varginha. Havia uma plateia de 60 pessoas, mas à medida que os apresentadores falavam, as pessoas iam saindo”, relembra o coordenador técnico estadual de Culturas da Emater-MG, Sérgio Brás Regina. Ao final da reunião, somente ele e os jovens da Apas estavam presentes. “Os olhos desses cafeicultores brilhavam com a ideia. No dia seguinte, os rapazes da Suíça estavam no escritório da Emater e topamos entrar na plataforma como piloto”, conta.

Desenvolvimento

Já naquele ano, o grupo postou “três ou quatro” lotes de café na plataforma, dando início a uma nova maneira de comercializar o produto fora do país, diretamente com os torrefadores. E o melhor, a saca superou três vezes o preço de mercado. “Normalmente, quem põe preço no café é o mercado, a Bolsa de Nova York. No caso da plataforma, não. O produtor estipula o preço que ele quer no seu café”, explica Sérgio.

Sérgio Brás acrescenta que o aplicativo abriga torrefadores de todo o porte e enfatiza a importância do contato direto entre produtor e torrefador. Para o coordenador, essa é uma iniciativa tipicamente 4.0. “A nova realidade prega atitudes como ser direto e evitar atravessadores. Com a iniciativa, os jovens produtores pularam três ou quatro atravessadores, ficando em contato direto com o torrefador”, argumenta.