Preço em recuperação

Alta nos preços ainda não remunera dignamente os cafeicultores

5 de dezembro de 2019

O mercado internacional de café continua firme e comprador. Os contratos de café na ICE Futures US, em Nova Iorque, tiveram mais uma semana de forte alta. Os contratos com vencimento em março próximo somaram 340 pontos de alta no período, equivalentes a 25 reais por saca. Desde 10 de outubro, quando esse movimento se iniciou com os contratos para março valendo US$ 0,9715 por libra peso, esses contratos, que fecharam hoje a US$ 1,1905 por libra peso, subiram 2,190 pontos, equivalentes a 136 reais por saca.

Desde o início desta recuperação, o mercado físico brasileiro mostrou-se sempre comprador e com muito apetite por todos os tipos de café. A procura maior foi sempre pelos arábicas de boa qualidade a finos, que subiram ao redor de 100 a 110 reais por saca ao longo destes 50 dias. Apesar de mais brandas, tivemos recuperação nas bases de preços de todos os padrões de café produzidos no Brasil.

Segundo o mais recente “Boletim Carvalhaes”, o excelente desempenho das exportações brasileiras em 2019, que deverão ultrapassar quarenta milhões de sacas de 60 kg no ano, um novo recorde histórico; a forte procura nos últimos dois meses por novas compras pelos importadores de café brasileiro; a certeza de que a atual safra brasileira 2019, de ciclo baixo, foi ainda menor e de pior qualidade do que o inicialmente estimado; as mudanças na economia brasileira com inflação baixa, juros baixos e boa oferta de crédito, que permitem aos produtores brasileiros venderem a produção com calma, aproveitando os bons momentos; os repetidos problemas climáticos que já comprometem o volume inicialmente estimado de nossa próxima safra 2020, de ciclo alto; a necessidade, crescente a cada ano, de cafés brasileiros para compor os “blends” nos países consumidores; o forte crescimento de consumo no continente asiático; tudo contribui para o reajuste atual.

Ainda segundo o Boletim, essa alta permite que os cafeicultores brasileiros “respirem”, mas ainda não remunera dignamente o imenso esforço, os riscos e os investimentos, a cada ano maiores, dos produtores de café no Brasil. Os cafeicultores ficam com uma fatia muito pequena da imensa riqueza gerada pelo café em todo o mundo