PF investiga fraude no Enem

10 de novembro de 2019

BRASÍLIA – A Polícia Federal deflagou, ontem, 9, a operação Thoth, para recolher provas de suspeita de fraude e atos irregulares durante a aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), realizada no último domingo, 3. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas residências de aplicadoras dos testes que são suspeitas de fraudar o primeiro dia de provas. Os celulares delas foram levados para perícias. Os mandados foram expedidos pela 12ª Vara Federal de Fortaleza. A PF atua em parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para apurar fraudes semelhantes na Bahia e no Rio de Janeiro. Os aplicadores de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não poderão mais entrar com celular nas salas onde são aplicados os exames. A medida foi tomada pelo Inep após a prova de redação ter sido fotografada e divulgada nas redes sociais no último domingo, 3. Até então, segundo o Inep, os aplicadores deviam guardar os celulares em envelopes porta-objetos, assim como os participantes do exame. Agora, no segundo dia de aplicação do Enem, que acontece hoje, os aparelhos não poderão ficar nas salas, nem mesmo dentro do envelope lacrado. A regra vale para os 147,6 mil fiscais de sala; 29,5 mil fiscais volantes; 147,6 mil chefes de sala, e os 5,5 mil aplicadores especializados, que são os intérpretes da Língua Brasileira de Sinais (Libras), ledores, transcritores, entre outros. Todos eles têm acesso à sala de prova. Poderão usar o celular no Enem os coordenadores estaduais, municipais, de aplicação e os 12 mil certificadores, que são servidores públicos federais e professores das redes públicas de ensino estaduais e municipais. Segundo o Inep, eles não têm acesso às salas. Os certificadores usam o celular para verificar os procedimentos de aplicação do Enem, como a chegada e a abertura dos malotes com provas e a distribuição do exame para os candidatos. Todo o trabalho é feito por meio de um aplicativo. Pela ferramenta, são enviados, por exemplo, relatórios e alertas. Os relatos são feitos aos coordenadores. Para os participantes do exame, os celulares e outros aparelhos eletrônicos são proibidos. Eles devem ser colocados dentro de envelope porta-objetos entregue antes do início do exame. Os aparelhos devem estar desligados e, se possível, deve-se remover a bateria, pois caso emitam algum som, mesmo dentro do envelope lacrado, levarão à eliminação do estudante. VazamentoO ministro da Educação, Abraham Weintraub, disse que as investigações, a cargo da Polícia Federal, indicam que a foto da prova de redação que circulou nas redes sociais foi tirada por um aplicador de prova. Durante a tarde de domingo, 3, o Inep confirmou que a imagem era real, mas disse que foi divulgada após a realização dos procedimentos de segurança, quando os estudantes já estavam todos nas salas de aplicação. Portanto, não haveria prejuízo aos participantes. “Todos os procedimentos de segurança já haviam sido realizados, a prova já havia sido distribuída para todo mundo e alguém tirou uma foto e colocou nas redes. Isso não compromete em nada, tudo segue normal”, disse Weintraub. No último domingo, 3,9 milhões de participantes fizeram as provas de Linguagens, Ciências Humanas e Redação. Hoje, os candidatos farão as provas de Matemática e Ciências da Natureza.