PC detalha investigações que levaram mandante de homicídios à prisão

19 de fevereiro de 2020

S. S. DO PARAÍSO – Em entrevista coletiva concedida na manhã de segunda-feira, 17, a Delegacia de Homicídios de São Sebastião do Paraíso revelou mais informações sobre o caso da mulher presa na última semana, acusada de ser a mandante de três assassinatos, inclusive do próprio pai. De acordo com o delegado responsável, a suspeita ainda planejava o sequestro da irmã.Depois de muitas investigações, os assassinatos de um idoso de 83 anos, em Jacuí, em 2019, e de Ronaldo Cardoso de Nascimento, 29, e Aruan Brochado da Silva, 27, em São Sebastião do Paraíso, no início deste ano, foram solucionados e apontaram para uma única mandante: S.A.M., 49, filha da primeira vítima.Segundo o delegado Vinícius Zamó, responsável pela Delegacia de Homicídios, a conclusão do caso foi complexa, pois os investigadores não faziam ideia de que poderia haver algum tipo de ligação entre os três crimes. “Ficamos surpresos com as ligações que havia entre os crimes, já que não é muito comum, em menos de sete meses, três mortes arquitetadas pela mesma pessoa por motivos de vingança. Na nossa região isso é muito estranho”, comentou.A Polícia Civil começou a ligar os primeiros pontos depois da morte de Ronaldo, que teve o corpo encontrado com sinais de violência e parcialmente carbonizado no dia 8 de janeiro, em uma estrada vicinal situada ao fundo do bairro Rosentina. Conforme explicou Zamó, durante as investigações desse fato, a polícia descobriu que a própria S.A.M. havia informado à família do homem onde estaria o corpo.Diante disso, a PC começou a apurar a possível ligação entre o assassinato do pai da mandante e de Ronaldo. Dias depois, Aruan foi encontrado morto em um cafezal próximo a uma estrada na região da comunidade rural da Faxina. O que chamou a atenção do delegado foi o modo com que as três mortes foram causadas: com golpes de faca e sinais de carbonização, exceto no caso do pai da acusada. “A vítima de Jacuí não teve o corpo carbonizado, mas chegaram a atear fogo na residência. Esse modo de matar semelhante nos levou a suspeitar que poderia ter uma relação. Foi o que conseguimos apurar". Imagens auxiliaram a traçar passos de suspeito S. S. DO PARAÍSO – O policial Roney Vilaça, que também participou das investigações, disse à imprensa que a PC conseguiu, com o auxílio de imagens de câmeras de vigilância, traçar os passos de Aruan até o dia de sua morte. “Uma vez identificado esses três autores, a investigação começou a apertar e os suspeitos revelaram o nome da mandante e que eram pagos para executar o crime”.O investigador também contou que Aruan e um comparsa receberam R$5 mil para executar o pai de S.A.M. e mais R$7 mil para matar Ronaldo, que cumpria pena em regime semiaberto pelo crime de estupro. “O dinheiro foi conseguido após a mandante conseguir ludibriar o marido, criando uma história de que precisava de dinheiro. A motivação do crime inicialmente teria sido um suposto furto que teria lhe causado um prejuízo de R$30 mil, mas esse crime nunca aconteceu”.Sobre os motivos que levaram a mulher a encomendar a morte de Ronaldo, Vilaça explicou: “Ela chegou a citar que Ronaldo deveria morrer por ter sido condenado por crime de estupro, fazendo uma conexão com o crime envolvendo seu pai, já que ela alega que foi abusada na infância. Durante as investigações, descobrimos que ela também estava tentando incriminar outra pessoa com quem ela tinha uma desavença antiga”, pontuou o investigador.Já sobre a morte de Aruan, a também investigadora Mayara Cruvinel relatou que a polícia tinha conhecimento de que ele tinha inimigos no mundo do crime, entretanto, as investigações de sua morte ainda não haviam sido apontadas para os próprios comparsas. De acordo com a policial, Aruan foi morto porque teria começado a chantagear os parceiros. “À medida que fomos investigando, chegamos à autoria do crime e de que os responsáveis seriam pessoas próximas a ele. A motivação, conforme apurado, é de que Aruan começou a pedir mais dinheiro após perceber que as investigações do homicídio de Ronaldo estavam chegando a ele, começou a pedir mais dinheiro e ameaçar de entregar todo mundo caso fosse preso. Desse modo, a mulher e os comparsas de Aruan planejaram a morte dele”.Mayara Cruvinel também informou que S.A.M. era cliente da mulher de Aruan em uma loja no centro de Paraíso. “Como Aruan já tinha envolvimento em outros crimes, ela usou disto para planejar esses homicídios”, completou a investigadora. A companheira da terceira vítima chegou a ser presa. “A investigação está em andamento, mas uma das mulheres, que seria parceira de um desses responsáveis pelas duas primeiras mortes, chegou a ser presa. Todas as provas e as investigações estão correndo conforme o planejado, uma apuração feita de forma brilhante pelos nossos investigadores, a fim de identificar todo o conjunto criminoso. Temos que ressaltar também a atuação da PM, que nos ajudou muito na obtenção de informações”, explicou o delegado. Sequestro Durante as investigações, a Polícia Civil apreendeu cerca de 40 cartas escritas por S.A.M., e, em uma delas, a acusada planejava o sequestro da própria irmã. Além disso, os investigadores da 4ª Delegacia Regional descobriram que a mulher arquitetava colocar uma bomba na casa dessa irmã, porque não havia sido convidada para uma festa de aniversário da sobrinha. As investigações apontaram ainda que a irmã da mandante dos crimes vinha sofrendo ameaças e chegou a ser abordada para entrar em um carro, mas recusou e conseguiu fugir.