Passos registra 3,4 mil casos suspeitos de dengue

18 de dezembro de 2019

PASSOS – O último boletim epidemiológico emitido pela Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais, SES-MG, na primeira semana de dezembro, mostra que a cidade de Passos está entre os 73 municípios de Minas Gerais com incidência muito alta de casos prováveis de dengue. O boletim informa, ainda, que no ano de 2018 Passos teve 220 casos prováveis de dengue, número que subiu para 3.443 casos, nesse ano, de janeiro até agora.

Ainda de acordo com a secretaria, foram confirmados, em 2019, no Estado, 168 óbitos por dengue, em 50 municípios de minas; sendo dois óbitos registrados em Passos.

Outro problema é o zika vírus, também transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. Neste ano, 732 casos foram registrados em Minas, sendo 169 em gestantes e quatro desses registros notificados aqui no município.

A equipe da Folha da Manhã falou com Thiago Agnelo Salum, diretor de saúde coletiva de Passos, para saber o porquê dos números de casos prováveis de dengue terem aumentado tanto na cidade. Segundo o diretor, o número insuficiente de agentes, no núcleo de zoonoses, trabalhando nas ruas e o clima chuvoso foram alguns dos fatores para o aumento de casos da doença. “No começo do ano de 2017, nossa equipe trabalhou com poucos agentes, tanto que, em 2017 e 2018 nem conseguimos bater a meta do Ministério da Saúde, que são o de pelo menos 80% de imóveis visitados”, disse Agnelo.

O diretor ainda falou que, nos anos onde a meta não era alcançada, faltavam em média 16 agentes para compor a equipe de visitas de porta a porta. “2019 é apenas resultado do caos dos anos anteriores. Os focos do mosquito já estavam instalados. O ovo do Aedes aegypti pode durar até 365 dias, ele fica ali esperando as chuvas para eclodir. Os mosquitos que vão nascer nessas chuvas de agora podem ser de um ano atrás”, contou o diretor.

Salum explicou também que já foram contratados mais agentes para compor o núcleo de zoonoses. “Agora temos 80 agentes de combate a endemias e, hoje, começamos a fazer visitas em locais que antes não conseguíamos por falta de pessoal”, disse o diretor.

O grupo de agentes visita cerca de 300 casas por dia. Porém Thiago Agnelo ressalta que é preciso que a população tenha consciência e tome conta dos próprios quintais. “O poder público vem fazendo o trabalho, visitando os terrenos e as casas, inclusive casas fechadas e que estão para alugar. Contudo, pedimos a população que nos ajude olhando o quintal. Do dia que os mosquitos colocam os ovos na água até os mosquitos nascerem, leva-se sete dias. É muito rápido, então é preciso que os moradores sejam os próprios fiscais”, enfatizou Salum.

 

Notificações

Agnelo explicou que proprietários de terrenos e lotes vagos têm sido notificados pelo município. “O núcleo de controle de zoonoses pega o endereço, vai até o dono do local e notifica o responsável, por escrito. É dado o prazo de uma semana para que o proprietário limpe o local. Caso isso não aconteça, o endereço é encaminhado para o Departamento de Limpeza Urbana e uma multa é aplicada”, alertou o diretor. O valor da multa é de R$ 1,50 por metro quadrado.

 

Estado

De acordo com a SES-MG Minas Gerais vivenciou quatro grandes epidemias em 2010, 2013, 2016 e 2019. Este ano, o maior número de casos foi registrado nas semanas 17 a 19 (final de abril e início de março), período no qual, em anos anteriores os casos estavam reduzindo.