Passenses pagam R$50 mi em tributos

31 de dezembro de 2019

PASSOS – O brasileiro pagou quase R$2,5 trilhões em impostos em 2019. Com esse dinheiro, você poderia receber 10 salários-mínimos por mês durante 22 milhões de anos ou comprar 5 trilhões de cestas básicas. Para se ter ideia, essa verba renderia R$335 mil por minuto se aplicado na poupança. Neste ano, o brasileiro trabalhou mais de 5 meses apenas para pagar os tributos. Os dados são do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), obtidos por meio do Impostômetro.  Em Minas Gerais foram pagos R$191 bilhões em impostos em 2019. No Estado, o volume representa 7,05% do total arrecadado no Brasil. Com impostos municipais, Passos arrecadou R$50 milhões. Em Piumhi, a arrecadação chegou a R$16 milhões e, em São Sebastião do Paraíso, o volume foi de R$49 milhões em tributos.  O porteiro Saulo Souza ficou surpreso ao saber que o brasileiro trabalha quase metade do ano apenas para pagar taxas. “É um absurdo a população pagar tanto imposto assim e não ter retorno em saúde, educação e segurança, e os políticos são os culpados disso”. Saulo brinca que a única forma de mudar esta situação seria “se a gente fizesse uma revolução”.  Diferente daqueles que acreditam que só uma revolução solucionaria o problema, a dona de casa Nilza Lemos considera que a população deve cobrar dos políticos e ter mais consciência na hora do voto. “Com certeza o dinheiro que gastamos com impostos este ano não voltou para nós. A gente vê as ruas cheias de buracos, as escolas e postos de saúde funcionando mal no Brasil inteiro. Eu acho que a gente deveria escolher bem em quem votar e cobrar dos eleitos depois”, considera.  A economista Ludmila Duarte explica que o valor das arrecadações federais é um número alto e que o retorno e as melhorias no país devem ser refletidas pela população. “A questão fica mais complicada ainda quando mudamos de um Estado para outro e, até mesmo, de uma cidade para outra. Minas Gerais é um dos Estados mais caros em relação à tributação e o que temos visto o menor retorno”, afirma.  Sobre a estabilidade da economia no Brasil, Ludmila afirma que vivemos numa incerteza de uma economia estável. “O país enfrenta não só uma crise financeira, mas também política, os planos de mudanças da carga tributária são tentativas de tentar melhorar e podermos ver o retorno de nosso dinheiro. Porém é cedo pra julgar qualquer tentativa do governo – seja em nível federal ou estadual”. Segundo ela, a melhor solução para vermos retorno é a boa administração dos nossos representantes políticos. Como funcionam Sobre a carga tributária do Brasil, a economista afirma que ela é bastante extensa e complexa e que são divididas, de acordo com a Receita Federal, em categorias, subcategorias, itens e subitens. “De maneira geral, os tributos são arrecadados para a União, Estados e municípios, onde os dois últimos podem variar de acordo com a lei de cada Estado e município”, explica. Os impostos não atuam somente sobre produtos, mas também sobre bens, serviços, patrimônio, transações financeiras e no lucro do produtor. “Os bens de consumo, desde os considerados básicos, como alimentação, até os supérfluos como marcas específicas de celulares, fazem com que o indivíduo sinta mais o peso do imposto no dia a dia”, disse. De acordo com Ludmila, os principais e mais conhecidos tributos federais são: Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Impostos sobre Operações Financeiras (IOF), Imposto de Renda (IR), Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE ). Os estaduais são o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e, no município, o Imposto sobre Propriedade Territorial Urbana (IPTU) e o Imposto Sobre Serviços (ISS).