Opinião: Uma senhora mestra

7 de março de 2020

Há vocações para todas as atividades humanas. Cada um de nós carrega predisposições para exercer um tipo de atividade que nos enaltece, que nos impõe menores sacrifícios ou ainda, que nos alegra em exercê-la apesar dos sacrifícios.

É comum ouvir dizer que determinada pessoa é vocacionada para o sacerdócio, outra para a medicina. Muitos são vocacionados para a vida conjugal, outros para o celibato. Não existem limites para as vocações humanas.

Nossa cidade tem pessoas prodigiosas. Nossa cidade tem mulheres maravilhosas. Passos é rica em talentos femininos. É difícil destacar alguma, mas é importante, no meio de tantas, citar uma delas neste dia que se comemora mundialmente o “Dia da Mulher”.

Hoje o destaque é para uma mestra. Mestra esposa, mestra mãe, mestra educadora, mestra empreendedora. Mestra em trabalhar, mestra em conduzir, mestra em caminhar junto.

Novinha, novinha ainda começou a trabalhar. Era 1966. Não parou mais! Casou-se. Continuou trabalhando! Constituiu família. Continuou trabalhando!

Pode-se dizer que trabalho também é a sua vocação. Também. Sua vocação maior é educar. Sua vocação é ensinar. A mais nobre das vocações.

A mulher que amamenta tira a vida de si e passa para o bebê. A mulher que ensina tira de si os conhecimentos adquiridos em longas jornadas durante uma vida toda e passa-os para outrem. Tudo isso é muito sublime. Ela sempre fez isso. Deu de si para o próximo. Tirou de si e ofereceu aos outros. Missão mais nobre não existe. Alguém disse: “Fica um pouco de perfume nas mãos de quem oferece rosas.” Ela é assim. Tem as mãos perfumadas porque sempre ofereceu perfumes.

Nossa mestra cresceu. Adotou o magistério. Foi adotada pelo magistério! Ensinou a língua pátria. Se envolveu com a língua pátria.

Foi além! Dirigiu o Colégio Tiradentes. Dirigiu a Secretaria de Educação Municipal. Orientou colegas.
Mais ainda… idealizou e realizou. Criou uma grande escola na nossa cidade. Foi pioneira ao implantar uma escola moderna. Criou uma escola moderna para um mundo moderno. Sua escola fala duas línguas. Sua escola insere nossa juventude nas necessidades atuais.

Essa mulher é mestra na nobre tarefa de ensinar e mestra na arte de realizar. Visionária que é, gerou empregos, muitos empregos.

Plantou em Passos o magnífico Colégio Del Rey. Enxergou na Praça Matriz dois casarões próprios para funcionar uma escola. Adaptou-os e venceu. Viu que poderia melhorar foi para o Centro dos Trabalhadores. Venceu reações e lá está o Bilingue Colégio Del Rey, pioneiro e exemplar.

Essa mulher passense é forte, determinada, afável.

É ela a Dona Orlanda. É ela a Professora Orlanda. É ela a Mãe Orlanda. É ela a Amiga Orlanda, que ao lado do meu amigo Antônio Hermeto legam para nossa cidade um patrimônio cultural de valor imensurável.

Passos tem disso. Mulheres bonitas e valorosas. Orlanda é isso tudo: bonita, inteligente, valorosa e empreendedora.

Nossa cidade tira o chapéu para ela e a reverencia como mulher exemplo.

Ela é digna, corajosa, sublime, sensata. Ela é mestra na arte de educar. Mestra na arte de empreender. Mestra na arte de ser amiga, mãe e esposa. Mestra na arte de ser passense.

Professora Orlanda Antônia do Nascimento Andrade, nosso respeito a admiração não somente neste domingo em que se comemora o “Dia Internacional da Mulher,” mas em todos os dias do ano.

MARCIO NOGUEIRA é Sociólogo.