Opinião: Quem adorou o ano que passou, ufa?

3 de janeiro de 2020

Entra ano e sai ano e o povo brasileiro continua sonhando com tempos melhores! Estou certo ou errado? Os dois, porque tem sempre uma parte da população, bem restrita por sinal, privilegiada, que nem precisar mais sonhar, mas nem por causa disso deixa de ter queixas, mas também nem por isso fica desesperada, até porque têm tantas formas de superação tais como psicanálise e terapias exóticas, viagens para o exterior a hora que bem quiser para aliviar o estresse e então ir para Paris, NY, Dubai, morar em Orlando/EUA, essas coisas tão corriqueiras do universo tão restrito, mas imenso de regalias dos ricos brasileiros. Não é inveja não, é pura constatação! Mas, não é desta gente do Olimpo brasileiro que desejo falar até porque eu vivo anos luz de distancia dela separado por cifras astronômicas em reais, bitcoins, euros e dólares. Eu quero mesmo é referir isto sim, ao povo, ah o povo brasileiro. Afinal, como definir ou enquadrar o que seja o povo brasileiro. O povo brasileiro pode ser mensurado, ou seja, representa 95% de uma população de 215 milhões de pessoas. Todo este contingente populacional se divide em várias classes ou camadas sociais, a saber, as classes média/alta, média/média e média/baixa que no mercado ou nas estatísticas viram três letrinhas para designar as faixas de consumidores, b,c,d. Daí para baixo tem a classe que fica na linha da pobreza, o chamado povão, algo em torno de 160 milhões de pessoas, mais embaixo tem um contingente da população de aproximadamente 5 milhões de pessoas que fica na extrema pobreza. A situação está tão crítica que os índices estatísticos vão mudando, porque antes havia somente “abaixo da linha da pobreza” agora temos a “linha da extrema pobreza” e se assim continuar, logo vamos ter abaixo da linha da extrema pobreza! Conclusão obvia, trata-se de um típico povo de “Terceiro Mundo”, apesar da economia do Brasil estar entre as sete ou oito maiores do mundo.

Neste caldeirão humano composto por um povo tão multifacetado em etnias e regionalismos num complexo cultural impar no mundo. Brasil de todas as religiões e todas as ideologias políticas, de adoradores de futebol de tantas agremiações, o contingente religioso de neo evangelhos crescendo a olhos vistos, tanto que eles têm até bancada no Congresso Nacional e então por tudo isto e muito mais…é que vamos tentar decifrar quem adorou e porque adorou o ano de 2019 que passou, felizmenteeee!

Em primeiro lugar está o presidente Bolsonaro, quando não contrariado, basta olhar para a cara do homem desde a vitória eleitoral. É pura expressão de regozijo com aquela aura de felicidade expressa para dizer ao mundo, “tá vendo aonde cheguei”, agora vou fazer tudo que tenho direito para mim e para os meus filhos. Depois vem o restante da família, os parentes e os amigos mais chegados do presidente, afinal cento e tantas boquinhas de empregos já foram ajeitadas. No rol dos felizes estão também os militares de alta patente, até porque não foram afetados pela reforma da Previdência, também todos os membros do Poder Judiciário, que tiveram um aumento substancial no salário em média de 7 a 10 mil reais a mais. Ah, também o Congresso Nacional renovado em 87% no senado e 52% Câmara com todos os seus 594 parlamentares felizes da vida, porque além do alto salário de 33 mil reais mais as ajudas ou auxílios que somados ultrapassam a cifra dos cem mil reais/mês. Será que esqueci alguém que tem mil razões para nunca esquecer a felicidade em 2019? Têm os banqueiros com seus estratosféricos lucros, os rentistas e investidores da bolsa e das Letras do Tesouro Nacional, que esteja em crise ou não o país, eles sempre ganham altíssimos juros e dividendos, como ganham!

Mas e o povão mesmo, o que sobrou para lembrar-se das alegrias em 2019? Esperança! Sim, é o que sempre sobra para o povo, esperar pelas reformas e depois esperar que as reformas implantadas dêem resultados. Enquanto isto não acontece, sonha ou fantasia de que a situação está melhorando, por que as redes televisivas agora estão dizendo que a economia está reagindo, o PIB aumentou qualquer coisa em torno de 0,3%, a inflação não sobe e o alto custo de vida você evita não consumindo. E aí o Bolsonaro e o Moro avisaram que o ano que passou não teve corrupção, enfim, sem COAF fica difícil de saber se teve ou não! E a Lava Jato continua muito ocupada só com os que já foram condenados.

Agora diga pelo menos alguma coisa que trouxe alegria para o povo em 2019! Ah, tem só a torcida do Flamengo com mais ou menos 40 milhões de torcedores felizes. Esperaram dez anos sem títulos importantes e o time faturou três em 2019, estadual, brasileirão, Libertadores e ainda jogou de igual para igual com o campeão do Mundo, o Liverpool. Fora isto é esperar pelo carnaval em 2020. E aproveito o ensejo para desejar a todos os leitores e leitoras, jornalistas e administradores da Folha da Manhã, dentro do possível, um próspero 2020!

ESDRAS AZARIAS DE CAMPOS é Professor de História.

 

O QUE SOBROU PARA LEMBRAR-SE DAS ALEGRIAS EM 2019?