Opinião: Medo, estranho amigo

10 de fevereiro de 2020

O que será de mais terrível em nossas mentes, que age como um feroz predador, e aos poucos, sem que nos apercebamos, vai se alimentando de nossas entranhas, fraquezas e nos angustiam de maneira perturbadora?Com certeza estamos falando do medo.

Ah, o medo!

Se um pouco é compreensível e salutar, no excesso é altamente pernicioso, capaz até mesmo de nos levar à loucura de atos, que podem até propiciar a morte.

 

Medo. Esse inimigo da alma. Dos instantes bons, estranhos e mágicos de nossas vidas. E que muito incomoda e atrapalha.

Precisamos, isto sim, e de imediato, nos livrarmos dos erros e arrependimentos do passado. Afinal, o medo a eles estão atrelados einterligados. A resposta pode estar no interior de cada um dos passantes e pensantes mortais.

O melhor a fazer é dar um salto de qualidade na transcendência do presente e irmos em busca de nossa verdade no futuro. A verdade que santamente nos libertará.

Com efeito, não há quem não passe pelo distúrbio do medo, considerando a pluralidade dos sentimentos que vai de um simples receio, ou temor, às várias manifestações de síndromes de ansiedade, cujo mal se desenvolve no dia a dia de nossas vidas e pode nos abater como seabate um pobre animal inofensivo.

Por incrível que pareça, para vencer o medo, esse terrível mal de savanas mentais, uma dica simples: promover a paz da amizade com ele.

Rir-se com ele e dele. Isso mesmo. Fazer troça de sua presença. Instigá-lo. Encher-lhe o saco até mais não poder. Por aí. Ou mais.

Então se verá que o medo não é tão mal assim. Isto é, desde que não se transforme em algo patológico, doentio, catastrófico.

A técnica, no que há de mais ou menos prático e funcional é bem conhecida. Se a gente não puder com o inimigo, o melhor a fazer é aliar-se a ele. Tese paleolítica, antiga pra dedéu.

Aliar-se no sentido de conhecer-lhe sua fragilidade, até mesmo seus encantos. Encantos, sim. Quem disse que um pouco de medo não faz bem? Óbvio que faz.

Se você tem medo de águas turbulentas, bravias, ou nem tanto, significa que o medo toma posto de receio, cautela, cuidado – o que não deixa de ser uma virtude do bem e para o bem. Não se vai morrer afogado. 

Mesmo porque a água teme os medrosos, os que dela têm pavor. Quem não tem já lhe pertence por ato do enfrentamento natural. Ou não é assim?

Para encerrar essa premissa, pensemos no seguinte: não fujamos do medo. Juntemo-nos a ele. Façamos-lhe parceria, até mesmo relativa amizade, mas de forma tal que, ao dormirmos fiquemos com um olho aberto e o outro fechado.

Em boas condições de cautela, é confiar, desconfiando, mesmo porque, ainda que tenha morrido, o seguro morreu de velho.

 

E tenhamos boa sorte, na conformidade proporcional entre o receio e o medo, com respaldo e poder de arrimo ao primeiro.

A dor, sensação incapacitante que pode assaltar do humildeao mais respeitado membro da “high society” da comunidade humana, incluindo a suprema corte do Reino Unido. E quando assola,não desaparece num passe de mágica.

Outras técnicas, como a cognitivo-comportamental, são eficazes para aprender a ajustar as emoções de forma adaptativa.

Nesse caso, o ideal não é embasar-se num texto avulso de quem está mais para o medo de errar do que brincar de especialista em psicologia e psiquiatria. Longe disso. Morre-se de medo!

E para evitar o medo, e o que dele possa decorrer, o importante é encontrar uma solução imediata, a fim de que o quadro clínico não piore. O medo pode se transformar em fobia, estágio que fatalmente pode interferir nas relações sociais de quem padece desse mal.

Nesses casos, o melhor a fazer é buscar especialistas da área, psicólogos e psiquiatras. Mas deixemos claro: o medo desaparece. É fato. Mas volta. É um estado natural dos seres humanos. Parte de um perigo real ou imaginário.

Ante inevitáveis embaraços no setor da compreensão humana, a sensação do calor do medo é tão comum quanto ocalorzinho do amor que se sente diante de um ser na condição da paixão iminente. Amor, calor, receio, medo, possibilidade de frustração…

Pensando bem, o melhor de tudo é controlar as emoções de modo a não prejudicar nossas vidas e relacionamentos. E principalmente a de nossos semelhantes.

Em sendo assim, boa sorte, sem medo!

LUIZ GONZAGA FENELON NEGRINHO, advogado trabalhista e previdenciário, com escritório em Formiga, escreve aos domingos nesta coluna.