Opinião: Indústria e sociedade

7 de fevereiro de 2020

Faz parte do DNA da sociedade mineira, da qual a indústria é parte integrante, o inarredável compromisso com a solidariedade, sempre que ela se faz necessária para unir Minas Gerais e os mineiros. É exatamente isso o que vemos ocorrer neste momento em que chuvas recordes deixam um dramático rastro de destruição, com inundações, desabrigados aos milhares e, lamentavelmente, muitas mortes. Mais uma vez, organizações mineiras – púbicas, privadas e da sociedade civil – se unem para abraçar e ajudar as vítimas, em um movimento que une a Fiemg, a Cruz Vermelha e o Governo do Estado.

Neste primeiro momento, em conjunto com o Servas, o foco é identificar as necessidades prioritárias das famílias atingidas e que precisam, principalmente, de utensílios destruídos pelas águas. Em uma ação coordenada com a indústria, a Fiemg garantiu, até agora, 145 mil litros de água potável, mais de 10 mil cestas básicas, oito mil colchões e milhares de itens como lonas, coletes, roupas de cama, alimentos diversos, medicamentos e produtos de higiene. Com base neste levantamento, a Federação trabalha para recolher doações com o apoio de seu Conselho Estratégico, integrado pelas maiores empresas do estado, e de milhares de indústrias localizadas em todas as regiões de Minas Gerais.

Cumprida esta etapa fundamental, partimos, agora, para a estruturação de ações que mitiguem os impactos das águas nos municípios mais impactados. Atendidas as demandas emergenciais e urgentes, cruciais para garantir a subsistência e sobrevivência das famílias atingidas pela tragédia, a indústria, capitaneada pela Fiemg, está mobilizando forças e recursos para apoiar a reconstrução dessas cidades. Reerguê-las significa garantir dignidade à sociedade mineira, o que é condição primeira para que possamos ter uma economia forte e cidadã.

Para isso, o trabalho será realizado em conjunto com a Defesa Civil de Minas Gerais, com a participação decisiva do Sindicato da Indústria da Construção Pesada de Minas Gerais (Sicepot). O Sicepot vai disponibilizar mais de 100 equipamentos de grande porte e mão de obra, além de 20 caminhões de pedra e brita para a cidade de Belo Horizonte e municípios do interior.

Nesta etapa, contamos, igualmente, com a parceria do Governo do Estado e com as forças políticas de Minas Gerais, que também atuam para garantir recursos para a reconstrução das áreas atingidas. Será igualmente fundamental a participação dos nossos deputados estaduais, da bancada mineira de deputados federais na Câmara dos Deputados, em Brasília, dos nossos senadores. Também é fundamental a efetiva participação dos prefeitos e vereadores dos municípios atingidos.

Complementando todas essas ações, o Senai-MG criou uma força-tarefa de 40 pessoas para ajudar os industriais que tiveram suas fábricas prejudicadas pelas chuvas.

Ao assim agir, neste conjunto de ações solidárias, a indústria assume o seu compromisso como ente integrante da sociedade mineira. Pessoalmente, reafirmo a disposição de manter como bandeira prioritária de nossa gestão a busca incessante do diálogo, do entendimento e da aproximação entre o empresário e a sociedade. Com grande orgulho, nossa convicção é a de que somos parte da sociedade na qual estamos inseridos.

De fato, na vida real, sociedade, empresas, trabalhadores e empresários são sócios na construção de uma vida melhor para todos. Compartilhamos os mesmos objetivos e as mesmas dificuldades – e, por isso mesmo, devemos trabalhar juntos e unidos na defesa dos nossos interesses, que, com certeza, são os mesmos.

Entre as vítimas das chuvas, também estão micro e pequenos empresários – no comércio, no setor de serviços e também na indústria – que tiveram prejuízos com as enchentes. Natural, portanto, que trabalhemos todos juntos na busca de soluções.

Este, felizmente, é um sentimento que começa a florescer e a dar resultados em nosso país. Exemplos emblemáticos foram as recentes mobilizações em torno de temas nacionais, como o resgate do equilíbrio das finanças públicas e o estímulo à retomada do crescimento da economia brasileira, tão combalida por crises em sequência, que duraram quase uma década.

Neste momento, é preciso manter e ampliar esse espírito de mutirão que une todos os segmentos da sociedade na defesa de um país capaz de gerar oportunidades e oferecer melhores condições de negócios e de vida para todos.

Participar é preciso, sempre.