Opinião: História de Caboclo

3 de fevereiro de 2020

O homem é o que almeja ser ao longo de toda a sua jornada.
Nasci imbuído desse ensinamento, cresci com ele, e, penso, vou morrer com ele.
 
O homem é o produto do seu querer, do seu trabalho. Também das suas tristezas, sofrimentos e angústias.
 
Muitas vezes sem conseguir muitos dos seus intentos na vida. Nem sempre longa e boa vida, nem sempre boa de ser vivida, mas tudo faz parte de um roteiro que a cada um é dado seguir.
Na constância de perseguidos objetivos, pode ter-se com a velha porteira no abrir e fechar, com choro de tempo vencido. Assim como o berrante, no tocar a olhos de bons tons e de ouvidos nem sempre afinados.
 
Sons de cortar a alma de valente sertanejo, desses que se dizem e na certa são bravos e invencíveis.
 
E não poucos os sonhos em caminhos e descaminhos palmilhados. Como mudar o curso da história. De cada história?
 
No meu caso, sonhei muito. Apanhei muito. Sofri muito. Amei muito.Percorri vales, florestas, cumes e montanhas. E numa penada, conheci planaltos e planícies.
 
Arrostei fúrias e tempestades de enormes proporções. No certame, apostei, empatei, perdi. Sem ressentimentos, como aprendi! Mais com o sofrimento e a dor, menos com o tão buscado amor. Tão sonhado amor!
 
Desejei mais ainda. Em muitas situações fui atendido. Noutras, com o perdão da palavra, nem a mínima deram, tampouco  ligaram.
 
Fizeram pouco do meu pouco. De trouxa a tudo me tacharam. E muito logrado fui. No grosso do dizer, muito me tapearam.
 
Dormi no sereno de madrugadas frias, nem pedaço de couro havia para cobrir arrepios da sorte por desalmada friagem.
 
Fritei toucinho de barriga para o feijão, com o qual comi canjiquinha de arroz com boca de vontade.
Peguei no couro de amaldiçoados. Noite adentro, fui levando, sempre adiante. Em trotes, a demonstrar aparência com coração de quem sofre e ama a tempo de igual. E aguentando. Com fúria de ardor de aguerrido tropeiro.
 
Amansei tropas de valentes, provei do capim gordura, sem ao menos ter gostado.
 
Amei demais. Ao depois, vi-me trocado por peão de tropa, em dimensão, assim dizem: apetrechado.
Pensei até matar. Logo me desacorçoaram. Na cadeia da vida, matar dá morte pior. No organismo da matéria, por angústia de torvelinhos, células se revoltam em difusão de fúria.
 
Foi assim. Lá pras bandas da Ventania, num monte de renome, chamado Betel, quando nos morros luzes se acendiam noite adentro, quando por Deus fui tangido e abençoado. Pelo que, por todo o sempre, sou imensamente grato.
 
Encontrei Jesus no alto. Veio assim: lírico, bonito, altaneiro e suave. Um tanto assim e muito mais. No efeito de bem catalisador e glorificado.
 
No particular, não surtei. Nada fiz. Também não exigi. Veio, surgiu e fez-se a obra. E que obra.
Petrifiquei-me em êxtase. Isto, sim! Caí-me de joelhos, sensibilizado. Vi e senti beleza que as pessoas duvidam.
 
Um humano agora, no bastião recuperado!
 
Quanto mais dele ouvia, ficava ainda mais empolgado. Diferente de tudo que sabia. Encontro rico, festivo, sem precedentes. Inexplicável!
  Fiquei com aspecto de renovo, sem trincas, rachaduras, criatura nova e boa. Diferente de tudo que tinha e era.
Falaram então: é daí pra mais. Para melhor. Em vertentes fases, sempre para ganho maior e superior.
E a paz da luz em mim se fez. Aquietou-me. 
Agora sou de assegurar: um homem renovado! 
Mas, por certo, muita luta ainda por travar e vencer!
No aproveito de palmas tantas, santas e benditas palmas, posso afiançar, com orgulho de prazer: “Muito obrigado, Senhor!”
E pela salvação do sempre, por dádivas em profusão, na organização mundial cristã, por glória estendida, mais um seguidor do bem na praça.
De um filho amado e amparado deste  extraordinário universo, no excelso grato e de todo reconhecido.
E, agora, em transformação radical na Árvore da Vida, por certo, no mais protegido ainda, por se tratar de água da fonte viva, sede do sobrenatural, em busca da verdade eterna, por que não prometido.
Essa a história de um caboclo, nascido e brotado nas bandas de um lugarejo chamado cidade, com muito amor e carinho, com o perdão das pobres rimas!