Opinião: Em prol da leitura sempre

19 de dezembro de 2019

Da infinidade de temas a nos envolver, o aumento do acesso aos livros e, em consequência, de nossa capacidade de leitura deveriam ser sempre algumas de nossas metas prioritárias.

Pois de modo a tentar popularizar e expandir cada vez mais o espaço da leitura, da literatura e dos inúmeros autores (as) que nos legam suas obras, procuraremos fazer programas mensais em 2020 com foco nesses temas, todos na TV Passos, um canal online, sob a apresentação do jornalista Otávio Kallas, um de seus proprietários.

Já o fizemos nas recentes edições da Flipassos, com os escritores Marco Túlio Costa, Alexandre Bandão, o jornalista editor desta Folha, Carlos Alonso Parreira, e o professor e colaborador desta página, Esdras Azarias de Campos.

Voltamos, agora, em novembro, com outro integrante desta coluna, que aqui, neste espaço, comparece às quartas, de quinze em quinze dias, o amigo Washington Tomé de Sousa. Outros convidados virão para compor o programa. Outros poderão voltar.

Preservar o espaço da leitura e dos livros em geral, em meio a um fervilhante mundo interconectado e repleto de problemas, se transforma em uma medida até de justiça para com a expansão do conhecimento, das visões de mundo e para qualificar melhor os intensos debates a que estamos todos submetidos.

Um universo de leitores sempre crescente se torna, pois, algo de valor inestimável para qualquer nação que almeje atingir níveis de desenvolvimento duradouro.

Por amor ao tema e em nome dos futuros programas, além da esperança de que não somente se reconheça a importância de ler, mas que se atue efetivamente em prol disso, republico, nos parágrafos abaixo, o texto “O clube do livro”, um dos textos que compõem meu livro de resenhas literárias.

Num desses momentos em que adentro uma livraria, ora em busca de um livro específico, ora em busca do que aquele local possa propiciar aos que dependem de ler, eis que, na segunda hipótese, deparo com uma obra chamada “O clube do livro – ser leitor – que diferença faz?”

Curioso pelo título, começo a folheá-lo e a me entregar a alguns de seus capítulos. Daí à admiração, foi um passo, o que me faz adquiri-lo, sem dúvidas, logo em seguida.

Pode tal obra ser pedagógica, didática ou mesmo um ensaio. No seu índice já se percebe que contém relatos fundamentados na importância de se formar um universo cada vez maior de leitores.

A autora é Luzia de Maria, doutora em letras pela USP, professora da Universidade Federal Fluminense e autora de quinze livros de gêneros diferentes. Experiente professora de longa carreira, o título “O clube do livro” remonta a uma ideia sua em 1982, quando trabalhava na escola pública Nilo Peçanha, em Niterói (RJ).

Foi uma iniciativa extracurricular, em que ela reunia os alunos que se inscreviam para os estimular a ler e comentar o que liam, durante encontros semanais de quatro horas. Como a biblioteca da Nilo Peçanha não dispunha de muitas obras, ela mesma chegava para os encontros com pilhas de livros de seu acervo particular e os distribuía a critério dos próprios alunos.

“As leituras eram absolutamente livres: um professor apaixonado por livros chegava com bolsas carregadas de romances, contos, crônicas, poesias, ensaios… Apresentava cada um, os alunos escolhiam o que ler, e os dias seguintes eram recheados com comentários, perguntas, instigações, curiosidades, descobertas, deslumbramentos…”

Todos os subsídios relativos à literatura também eram usados nessas atividades, como resenhas jornalísticas sobre livros, entrevistas e artigos de autores publicados nos cadernos culturais dos grandes jornais brasileiros.

No decorrer dos capítulos de “O clube do livro”, há um item especial, em que alunos daquela época, hoje, profissionais bem-sucedidos, transmitem suas experiências marcantes de entrega à leitura. Todos reconhecem a importância do trabalho de Luzia Maria, todos continuam leitores. Nada mais gratificante para a autora.

Além das declarações de ex-alunos, a autora nos expõe a amplo rol de argumentos a fim de tornar clara sua disposição de nos transmitir a paixão que nutre pelos livros.

Alia a tudo exemplos de sua trajetória, com textos realmente empolgantes, convincentes, e sugere livros, menciona autores, estabelece relações entre leitura e saúde cerebral, entre leitura e libertação do pensamento, fuga da indigência intelectual e acesso ao mundo das palavras escritas. Brinda-nos, ao final, com a análise do percurso de Machado de Assis em cinco itens diferentes, de modo a revelar o panorama circunstancial de sua brilhante carreira literária.

Reitere-se que estatísticas recentes mantêm os brasileiros em patamares bastante insuficientes no que se tange a índices de leitura e escrita, o que torna louváveis os esforços dessa professora, ao nos proporcionar uma obra tão específica quanto à importância de ler e, em decorrência, podermos atingir melhor desempenho ao escrever.

“O clube do livro – ser leitor – que diferença faz?” é ótimo guia para professores e para os pais que compreendem a importância das ideias tão bem expressas pela professora Luzia de Maria.

ALBERTO CALIXTO MATTAR FILHO escreve quinzenalmente, às quintas, nesta coluna. 

COM A LEITURA PODERMOS ATINGIR MELHOR DESEMPENHO AO ESCREVER