Opinião: Em busca da riqueza inominável

Essa alienação tão viva em nossos dias gera somente exploração

28 de janeiro de 2020

Não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho (Mahatma Gandhi).

Parece que as terras de Minas Gerais estavam precisando de muita água, para molhar as plantações das mais variadas culturas que em nosso Estado são tradicionalmente muito bem cuidadas.
 

Porém, a grande capital do Estado, a metrópole Belo Horizonte, se transformou – assim como a grande maioria de nossas grandes cidades – em uma selva de pedra.
Para piorar a situação, o crescimento desordenado dos municípios e a latente falta de políticas públicas para as pessoas conquistarem um lar decente fazem os menos favorecidos vítimas dos mais variáveis flagelos que atingem, principalmente, a periferia.

É realmente um grande crime doloso a total inércia do poder público frente às tragédias anunciadas. A grande região de Belo Horizonte concentra milhares de famílias que sobrevivem, há tempos, em áreas condenadas pelos órgãos responsáveis, contudo, a turma fica inerte e as pessoas continuam vivendo em áreas críticas até que um dia a casa cai… pobre Brasil. Coitado dos mineiros. A culpa é de quem?

O descaso, o crime premeditado, escancarado, veio à tona um ano depois da tragédia. O inquérito que apura os motivos do rompimento da barragem de rejeitos em Brumadinho aponta claramente que a Vale sabia que a estrutura da barragem estava condenada. Sabe o que é mais grave? Daqui a alguns anos, esse processo chega ao Supremo Tribunal Federal (STF). Lá, a impunidade dorme em berço esplêndido.

As pessoas – com o ritmo frenético dos dias de hoje – padecem de um grande mal que, em linhas gerais, podemos chamar de consumismo. Conceitos são transformados. A ordem regente na sociedade contemporânea é “tenho, logo existo”.

Esse modelo só faz crescer e estimula a desigualdade tão presente em nosso cotidiano. Essa alienação tão viva em nossos dias gera somente exploração e, claro, uma terrível violência. Para variar, quem mais sofre são os “descamisados”.
Mais do que nunca, devemos “nadar contra a corrente”. Essa Folha nos dá, novamente, um exemplo de força, foco e determinação. O anúncio de que a empresa jornalística lançará um novo projeto gráfico, além de turbinar suas plataformas digitais, nos surpreende e nos enche de orgulho de sermos passenses. Uma imprensa livre e imparcial é fundamental para a sonhada real democracia. À vitória, sempre. Deus continue enchendo de graças a região do sudoeste mineiro.
Salve, Maria.

PS – Esperamos que o grandioso espetáculo teatral “Maria Peregrina” continue em cartaz por mais alguns dias, no teatro Rotary. Maravilhoso é saber que a trupe Ventania sempre priorizou o povo. Levar cultura a todos – esse é o principal lema do grupo. Deus abençoe demais nossos artistas. Riqueza inominável – como bem falou o articulista Alberto Mattar – é mergulhar nos clássicos da literatura portuguesa e brasileira. Essa é minha principal meta em 2020. Estamos juntos.