Opinião: Contabilidade do universo

17 de fevereiro de 2020

Então pensam que sou de contabilizar perdas, fracassos, prejuízos? Absolutamente, não.

Literalmente, seria perda de tempo. Com direito a blague universal para poucos ou muitos risos. Talvez nenhum. Na lembrança de Charles Chaplin (Luzes da Ribalta): "por que chorar o que passou?". E em legalizada e permitida gorjeta: "lamentar perdidas ilusões".

Em perspectivas tais, acabam somatizando combalidos pulmões, deixando-os entregues à própria sorte. Porque na dança da ciranda, a coisa vai da cabeça aos pés.

Também não sou de entregar os pontos, jogar a toalha. Fatores desagregadores do gênero e que tais. Pra quê?

Quem me dera fosse e pudesse. Seria mais um infeliz no mercado da supremacia de angustiantes e invisíveis seres. Há muitos por aí que padecem do mal.

Sou dos que lutam para frente, sempre adiante. Sem o temor de caras feias. Até mesmo de fantasmas, casas mal-assombradas, lobisomens, mulas-sem-cabeça, sacis-pererês.

Ora, ora. Faço pouco dessas crendices populares, folclore de potiguares cascudos.

Dos que assombram acordados, os conhecidos bichos de dois pés, desses temo, sim.

Sou de mundo arriscado. Sem pavor de velas, tampouco de valas de metros poucos. De sete tomo a sorte.

Arregaço manga de camisa, boto peito à frente, com projetos e metas por cumprir.

Desdenho as angústias na espreita de novos caminhos. Venço-as de pronto, sem dor e nem quimeras vãs.

E sou lá de me prostrar no primeiro embate? Que nada!  Avançar sempre!

Com desassombro, sou homem de agarrar feras pelos chifres e as boto ao chão, sem botar língua pra fora!

Enganam-se os que pensam que sou fraco, limitado, pernas bambas, um frouxo.

Que nada! Puro engano. Sou dos que se embrenham na ala da coragem e encaram a vida sem tremer nas bases.

Estrupícios correm longe. Ao largo. Também deles faço pouco. No empenho, de minha parte, por atitudes férreas e ombros largos, aplicáveis o dó e a comiseração.

Atitudes positivas me sobem às têmporas e tomam conta do meu universo.

E assim me julgam: ganho sempre, ganho todas! De jeito algum. Ganho, não!

Sou lutador de mim mesmo, não mais que isso. Dos que lutam pela sorte. Até pela morte! Dela não sou de correr léguas. Preciso for, faço mote. Zoeira de descompromissados entes de botecos.

Talvez guerreiro a compor nobre luz, poesia em tempo real. Sempre digo, e não há como não ser: dia ganho, outro perco; ora empato. Sempre assim. Jogos da vida na própria vida.

Muita desilusão no caminho. Isto sim. E vou seguindo. Desanimar, nunca!

Importante, num sempre consequente espetáculo, entre luzes e trevas, é buscar a constância no compêndio de perspectivas de algo que me apeteça. Mesmo que não venha a acontecer. As tentativas valem tanto!

Lembrar o cidadão que ficou pensando em fazer. Pensou e pensou. Pensou tanto que adormeceu. Dia seguinte acordou com o barulho do seu tão sonhado projeto executado por terceiros.

Assim, o que faço na realidade é lutar sempre. No que couber e puder.

Força, coragem e bons propósitos. Trinômio a me acompanhar faz décadas, sem atropelos. Desde os tempos da primeira comunhão.

E assim, espero, com denodo, audácia e belas paisagens à vista. E por mérito próprio de luta e glória, quem sabe um dia repousar-me, senão em mausoléu de herói do universo, pelo menos em local da grandeza de um soldado desconhecido. Tendo por aqui passado, bravamente lutou em prol de um ideal sempre almejado e não se deu por vencido.
 

LUIZ GONZAGA FENELON NEGRINHO,  advogado trabalhista e previdenciário, com escritório em Formiga, escreve aos domingos nesta coluna.