Opinião: Brasilidade: o que é isso?

QUE TAL APRENDERMOS COM AS NOSSAS IMPERFEIÇÕES E RENOVAR NOSSA SOCIEDADE?

1 de fevereiro de 2020

O brasileiro em geral não é muito dado a conhecer a si mesmo. Isto é, buscar a sua identidade nacional sua marca como povo, como cidadão do Brasil e do mundo. Também tal tema ou problema tem sido negligenciado até mesmo nas universidades, por sociólogos, psicólogos e autores de outras áreas de estudos do comportamento humano. Eu diria que desde as celebres obras “Raízes do Brasil” de Sérgio Buarque de Holanda e “Casa Grande e Senzala” de Gilberto Freire, considerados clássicos dos estudos sobre brasilidade, isto é, a busca de uma identidade do povo brasileiro, muito pouco se fez neste sentido, uma lacuna lamentável. Agrega-se a tudo isto um povo que dá pouca importância a sua história e o resultado é sermos o povo que somos. Mas, afinal de contas como definir coletivamente um perfil para o povo brasileiro? É mais que necessário tematizar e polemizar acerca de representações da identidade do brasileiro. De modo a contribuir para o tema é importante até mesmo a visão de fora, ou seja, de estrangeiros sobre a nossa identidade nacional. Com isso, pretendemos registrar e problematizar algumas questões recorrentes na discussão sobre o que seria brasilidade e entender um pouco mais, tanto os traços negativos, quanto os positivos atribuídos por informantes estrangeiros ao perfil do brasileiro. Os dados abaixo foram retirados de vários fóruns internacionais sobre o tema e até mesmo de informações de estrangeiros em visita ou que moraram no Brasil por algum tempo, então vamos ouvir os gringos:

1. Os brasileiros são super sociais e raramente passam algum tempo sozinhos, especialmente nas refeições e fins de semana. Isso não é necessariamente uma má qualidade, mas, pessoalmente, eu odeio isso porque eu gosto do meu espaço e privacidade.

2. Brasileiros ficam muito perto, emocionalmente e geograficamente, de suas famílias de origem durante toda a vida. Isso não é necessariamente uma má qualidade, mas pessoalmente eu odeio. Adultos brasileiros nunca “cortam o cordão” emocional e sua família de origem (especialmente as mães) continuam se envolvendo em suas vidas diariamente, nos problemas, decisões, atividades, etc. Como você pode imaginar, este é um item difícil para o cônjuge de outra cultura onde geralmente vivemos em famílias nucleares e temos uma dinâmica diferente com as nossas famílias de origem.

3. Eletricidade e serviços de internet são absurdamente caros e ruins. A qualidade da água é questionável. Os brasileiros bebem, mas não morrem, com certeza, mas com base na total falta de aplicação de leis e a abundância de corrupção, eu não confio no governo que diz que é totalmente seguro e não vai te fazer mal em longo prazo.

4. A maioria dos motoristas de ônibus dirige como se eles estivessem tentando quebrar o ônibus e todos dentro dele.

5. Os brasileiros só têm um tipo de cerveja (aguada) e realmente é uma porcaria, e claro, cervejas importadas são extremamente caras.

6. Calçadas no meu bairro são cobertos com urina e cocô de cães que latem dia e noite.

7. Engarrafamentos de três horas e meia toda vez que chove.

8. Raramente as coisas são feitas corretamente da primeira vez. Você tem que voltar para o banco, consulado, escritório, mandar e-mail ou telefonar várias vezes para solução de problemas simples.

9. Os brasileiros amam estar bem no seu caminho. Eles não dão espaço para você passar. 

10. A melhor maneira de inspirar ódio no Brasil? Educadamente recusar-se a comer alimentos oferecidos a você. Não importa o quão válida é a sua razão, este é considerado um pecado imperdoável aos olhos dos brasileiros e eles vão continuar agressivamente incomodando você para comê- -lo.

11. As pessoas vão apertar e empurrar você sem pedir desculpas. No transporte público você vai tão apertado que você é incapaz de mover qualquer coisa, além da sua cabeça.

12. O Brasil é um país de 3° mundo com preços ridiculamente inflacionados para itens de qualidade. Para se ter uma idéia, São Paulo é classificada como a 10ª cidade mais cara do mundo. Somos assim, mas temos as nossas idiossincrasias, mas elas não se apresentam da forma que muitos as querem enxergar, fixas, monolíticas. Elas estão aí, presentes nas casas, nas ruas, nas relações sociais, nas tensões do dia-a- -dia, nas diferenças religiosas e políticas, nas manifestações populares, na alma de cada um de nós, em cada canto singular deste país continental. Elas apresentam e representam a brasilidade possível e está o tempo todo se desfazendo e se refazendo, contestando todas as certezas e incertezas. Enfim, uma coisa certa é que existem muitos brasis dentro de um país, infinitas identidades brasileiras com múltiplas e sempre imprevisíveis peculiaridades. Portanto, dessa mistura chamada Brasil, dessa herança de tantas culturas misturadas e carregadas de imperfeições, dessa história repleta de controvérsia, injustiça, tensão, exploração, espoliação e superação. Tudo muito parecido com tantas outras realidades pelo mundo afora com trajetórias semelhantes. Apenas, para concluir, que tal aprendermos com as nossas imperfeições e buscar renovar nossa sociedade com os valores de mais tolerância, solidariedade e equidade