Opinião: Ano novo, vida nova

15 de janeiro de 2020

 Na divertida comédia ‘O feitiço do tempo’, Bill Murray, que vive o papel de Phil Connors, arrogante meteorologista enviado a uma pequena cidade do interior dos Estados Unidos para cobrir o ‘festival da marmota’, evento que comemora a abertura da primavera naquela localidade, se vê preso em uma espécie de túnel do tempo, onde o mesmo dia se repete, com os mesmos personagens e acontecimentos, de forma contínua e entediante e, por fim, angustiante, por não vislumbrar uma saída para aquela situação. Lá está ele, fazendo, por obrigação e com desprezo, a cobertura de um evento prosaico, em um lugarejo insignificante, o que ele considera indigno da sua posição profissional e intelectual. Dorme, acorda… e é o mesmo dia novamente, com as mesmas repetições do dia anterior, das quais não consegue sair.

 

 Nessa ‘armadilha do tempo’, ao ser confrontado pelas mesmas situações e de obter os mesmos resultados, reiteradamente, o protagonista do filme tem a oportunidade de se descobrir e de iniciar uma nova e feliz fase em sua vida. Após vários dias vividos igualmente, começa a perceber aquilo que o repórter investigativo Charles Duhigg, do New York Times, nos diz em seu livro ‘O poder do hábito’, onde ele trata, de forma científica, como se criam os hábitos e como podemos reformá-los ou alterá-los. E, assim, reformar ou alterar o curso de nossas vidas ou das nossas circunstâncias. Em linguagem corrente, seria o “para um comportamento ou atitude igual, um resultado igual”, ou “se você faz sempre o mesmo, não espere um resultado diferente”. Porém, Duhigg expõe em sua obra, de forma científica, como funciona todo esse mecanismo, em todos os seus detalhes, e como podemos usá-los em nosso favor.

 

 Somos todos seres de hábitos, necessários, pois nos dão ‘chão para caminhar’, mas que também podem nos infelicitar quando passamos a viver somente no ‘piloto automático’, sem nos darmos conta de que estamos sendo dirigidos por comportamentos que nos conduzem, rotineiramente, ao mesmo lugar, ao mesmo resultado, trazendo, quase sempre, insatisfação e infelicidade.

 

 No filme ‘O feitiço do tempo’, o repórter só se livra da angústia da repetição das mesmas coisas em sua vida quando passa a tomar atitudes proativas, diferentes das que vinha tomando diante das mesmas pessoas e situações, alterando, então, positivamente, a sua realidade e a do seu entorno. Passa, assim, a ter futuro. Sai da armadilha. Descobre um novo mundo e uma nova forma de viver e conviver.

 

 Aos amigos leitores, tendo oportunidade, assistam o filme, leiam o livro, são excelentes. Independentemente de assistir ou de ler, considerem o ano que ora se inicia como oportunidade de mudança de atitude, de construção de um presente e de um futuro melhores, para você, para os seus próximos, para o mundo. A vida agradece!