Opinião: Alerta chinês

O avanço do novo coronavírus e o seu potencial letal evidenciam a necessidade de uma nova postura das autoridades e escancara uma realidade com a qual a população mundial precisará se acostumar

30 de janeiro de 2020

O surto de coronavírus na China está fazendo com que as autoridades de todo o mundo se mobilizem para enfrentar um dilema. Sabem que precisam ser rápidas para prevenir uma pandemia, mas sem provocar um pânico desnecessário. Nesses momentos, sempre voltam à lembrança a terrível Gripe Espanhola de 1918, que infectou um terço do planeta e matou cerca de 50 milhões de pessoas. Gripes suínas e aviárias, por exemplo, continuam preocupantes, mas nem de longe apresentam impacto tão devastador. No caso do coronavírus ainda há pouca informação à mão. O surto na cidade de Wuhan começou em dezembro. Em um mês já são mais de 4.500 infectados em quase 20 países e ao menos cem mortos, a grande maioria na China.

Por enquanto, acredita-se que a incubação dure de 2 a 10 dias e que cada doente possa infectar até três ou mais pessoas. Essa imprecisão atrapalha a adoção de medidas imediatas e a prevenção. A síndrome respiratória aguda grave (Sars), que assustou o mundo em 2002 e 2003, teve mais de 8.000 casos confirmados e matou 774. Foi bem menos do que estimavam as projeções da época. Também não é demais lembrar que o vírus influenza –o da gripe– ainda mata 600 mil pessoas por ano no planeta. No Brasil já há alguns casos suspeitos de coronavírus.

Oavanço do novo coronavírus e o seu potencial letal evidenciam a necessidade de uma nova postura das autoridades da área de saúde e escancara uma realidade com a qual a população mundial precisará se acostumar. A humanidade, infelizmente, terá de aprender cada vez mais a conviver com emergências do gênero. Pela parte do poder público, o episódio reforça a importância de redobrar a prevenção para limitar a disseminação de agentes patológicos até então desconhecidos que podem causar grandes epidemias. O fato de a ameaça já ter feito vítimas fatais na China por complicações respiratórias devem conceber e implementar com urgência planos de contingência que contemplem aspectos como bom filtro para detectar suspeitas em viajantes que chegam com sintomas compatíveis, esclarecimentos à população em geral e a preparação de centros de isolamento e tratamento para uma resposta imediata.