Novo clássico de guerra, o filme ‘1917’ estreia no Cine Roxy

5 de março de 2020

Deem tudo para este filme! Buscando encontrar o máximo de imersão com os recursos tecnológicos que o cinema pode proporcionar nos dias de hoje, em “1917”, o diretor Sam Mendes (“007 – Operação Skyfall”) faz uma homenagem ao seu avô (que esteve na Primeira Guerra e lhe contava histórias da época) e presenteia o público com uma experiência arrebatadora, elevando a brutal grandiloquência dos filmes de guerra a um novo patamar. O Cine Roxy exibe o filme, que ganhou o título de Melhor Fotografia no Oscar deste ano, às 21h, legendado.

Importante salientar que Mendes é inovador, mas não inventa a roda. O cinema de guerra já vem experimentando esse caráter imersivo há tempos. Para ficar em produções mais recentes, Steven Spielberg é muito lembrado por seu “O Resgate do Soldado Ryan” (1998), que traz uma sequência inicial (da invasão à Normandia) de tirar o fôlego. O mesmo Spielberg também produziu para HBO minisséries como “Band of Brothers” (2001) e “The Pacific” (2010), que buscavam trazer o máximo de realismo para as telas. Destaque para essa última, que em diversas sequências nos faz vivenciar o drama dos soldados com ainda mais intensidade. “1917” é um legítimo herdeiro disso tudo, tentando dar um passo a mais dentro do gênero.

Ao contrário de seu caráter épico, a trama do longa é bem simples. Situada na Primeira Guerra Mundial, ela traz Schofield (George MacKay, de Capitão Fantástico) e Blake (Dean-Charles Chapman, de Game of Thrones), dois jovens soldados britânicos que são encarregados da seguinte missão: entregar uma carta que impedirá a morte de 1.600 outros combatentes de suas forças. Resumindo: o objetivo da trama é nos levar do ponto A ao ponto B.

O que aparentemente pode esvaziar a grandeza do filme, de forma alguma o diminui. Isso por que a sacada está na jornada de seus protagonistas. Para chegar ao destino, somos arrastados junto com eles a experimentar todo o horror da guerra num nível nunca visto anteriormente.

Para provocar o máximo de imersão, a experiência nos leva em “tempo real” num plano-sequência impressionante (claro, com truques de câmera que disfarçam os cortes) que só para ao término do longa.

Para acentuar ainda mais o impacto das cenas, Mendes, sem nenhum pudor, abusa da linguagem dos videogames. Algo que, se refletirmos, não é nada absurdo, visto que assistimos cada vez mais a fusão dessas duas mídias e o nível de envolvimento crescente que a indústria dos games tem alcançado. (2D Leg)

 

1917 (1917). Inglaterra, 2019. Gênero: Filme de época, Drama, Guerra. Direção: Sam Mendes. Elenco: Benedict Cumberbatch, Colin Firth, George Mackay, Dean-Charles Chapman, Mark Strong. Cine Roxy, em Passos, 21h00 (2D Leg) 

 

Pipoca & Balar Pipper exibe suspense de Hitchcock

 

Mesmo com Psicose, Janela Indiscreta, Um Corpo que Cai, Intriga Internacional, e muitas outras obras-primas, Festim Diabólico é também um dos melhores suspenses de todos os tempos. Assistir o filme pela primeira vez é enfrentar uma tensão crescente que poucos diretores já conseguiram passar para as telas. Nada de fantasmas ou aparições, Festim Diabólico trata do real, apresentando os maiores defeitos e qualidades das emoções humanas, funcionando tanto como um simples entretenimento quanto um estudo aprofundado de personagens. O Pipoca e Bala Pipper exibe a produção nessa terça-feira, 10, às 20h no anfiteatro da Casa da Cultura.

Gravado totalmente em estúdio, este é talvez o filme mais experimental do diretor e, portanto, o mais ousado. É seu primeiro filme colorido, mas não é experimental por causa disso: ele foi filmado em apenas 10 tomadas de oito minutos cada uma. Oito minutos de filme, para a época, era o máximo que um rolo de filme podia suportar. Mas boa parte dos cortes presentes entre essas tomadas são imperceptíveis (o que torna a técnica do filme ainda mais genial): Hitchcock utilizou truques de edição para tentar disfarçar o máximo possível a passagem entre os poucos rolos de filme utilizados. Por exemplo, aproximando o foco de um local escuro para, no próximo rolo, filmar em zoom out a partir daquele local. Pronto! Temos um corte que poucos notariam.

Para os atores o uso de tal técnica também foi complicado. Se hoje em dia o cinema é marcado por tomadas rápidas, que permitem ao diretor refilmá-las sem muita perda de tempo caso ocorra algum problema, imagine o trabalho de filmar uma cena de oito minutos. O estilo teatral do filme, portanto, é bem evidente: tudo bem coreografado, através da repetição, até que a cena saísse perfeita (e sendo Hitchcock um diretor altamente perfeccionista, a dificuldade e pressão para cima dos atores foi ainda maior). Para se ter uma ideia, durante as filmagens, apenas um segmento por dia era finalizado. E demonstrando seu perfeccionismo, o diretor chegou a refilmar cinco ou seis segmentos por causa que ele não estava completamente contente com a cor da luz do sol nessas tomadas. Obviamente, genialidade requer trabalho extra e muita paciência.

 

FESTIM DIABÓLICO (Robe). EUA, 1948. Gênero: Suspense, Drama. Diretor: Alfred Hitchcock. Elenco: James Stewart, John Dall, Farley Granger. Cine Clube Pipoca & Bala Pipper, anfiteatro da Casa da Cultura, terça-feira, 20h00.