Meu doce vício

POR LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO

8 de fevereiro de 2021

Aos treze ou quatorze anos de idade, eu tinha um vício que foi se ampliando com o tempo. Adquirir vícios é fácil, livrar-se deles que é complicado. Mas, há vícios que classificamos como um “doce vício”. No meu caso, era o vício de ler jornal. Mas, não fiquei restrito apenas ao jornal. Eu lia revistas, folhetos, tabloides e livros. Minha mãe assinou vários anos uma revista chamada “Seleções”.

Eu também a comprei por muitos anos. Eu era vidrado na “X-9”, uma revista policial. Havia a “Ellery Queen”, também uma revista de mistérios e policial. Lia “Cinelândia, Revista do Rádio, Cruzeiro e Manchete”. O dinheiro era curto, mas, as revistas não custavam tão caro. Eu fazia umas economias e sempre dava para comprar uma ou outra. Houve uma época em que saí de minha terra natal por conta de trabalho. Morando sozinho durante alguns anos, acabei me afastando do vício. Mas, logo mudei de vida, voltei a ele e continuo “viciado”.

Hoje, “a grande imprensa” ainda tem muita publicação boa, cultural, artística, informativa. Em termos de política, peca muito ainda e não tem sido nada honesta. Então, é não ler sobre política! Mas, os jornais regionais, muitos deles têm sido mais honestos e mantido também colunas interessantes e boas publicações. Até pouco tempo atrás, quando ainda havia aulas presenciais, muitas escolas e professoras pediam jornais e revistas para aproveitarem nas aulas de língua portuguesa e outras mais.

O Brasil, segundo pesquisas estatísticas de poucos anos atrás, possuía cerca de setenta por cento de analfabetos funcionais, sem contar os realmente analfabetos. Ser analfabeto funcional significa saber ler mais ou menos ou até relativamente bem, mas, com uma sofrível capacidade de entender o que se lê e nem mesmo saber “ler” nas entrelinhas, que é entender a mensagem não explícita na frase.

Os jornais sensacionalistas tiram proveito disso ao colocarem manchetes incompletas ou com dúbia interpretação. Aí, uma pessoa para em frente a uma banca de jornal, lê uma manchete no jornal que está exposto ao público para atrair compradores, compra o jornal e quando lê percebe que foi “enganado”. Quando não compra, sai contando o que viu e a notícia se espalha entre seus “convidados” totalmente distorcida. Revistas também agem assim!

Poderíamos chamar a isso de “golpe publicitário?” Estou me referindo à imprensa sensacionalista, aquela que adora criar notícias de origem duvidosa, nunca afirmando categoricamente o que escrevem, mas, deixando no ar uma dúvida como se fosse verdade. Como dizem que papel aceita tudo, tais noticiaristas se esmeram na arte de escrever o errado como se fosse o certo. Julgam-se extremamente espertos e alguns até se consideram intelectuais.

Desconhecem a frase atribuída ao filósofo Sócrates: “Só sei que nada sei.” Há controvérsias se seria dele mesmo ou não! Mas, a tradição assim o diz. Baseados nesta frase aí, temos de nos sentir motivados para ler e aprender cada vez mais, pois, quanto mais soubermos e quanto mais experiência de vida tivermos, entenderemos que ainda não sabemos nada diante da imensidão do universo e da sabedoria de nosso Deus.

Isso para quem Nele acredita, é claro! A leitura é um caminho que deveria ser sem volta e imprescindível para o desenvolvimento pessoal. Há editores de diversas publicações: livros, revistas e jornais que abrangem de tudo e também de assuntos específicos de um determinado ramo de atividade. Hoje, também se lê na internet e há de tudo ali. É preciso selecionar o que é sério e o que queremos ou necessitamos ler.

Nas escolas, naquelas que praticam o bom ensino, a leitura faz parte do currículo escolar. Bons professores indicam boas leituras para seus alunos e até exigem que apresentem o resultado daquilo que leram. Que narrem o que entenderam. Fazer redações também é um caminho seguro para o desenvolvimento da linguagem escrita e que ajudará na oral também. Infelizmente, algumas teorias pedagógicas, criadas, pensadas, por “especialistas pedagogos” que nunca pisaram uma sala de aula, têm prejudicado muito o ensino, por conta daqueles que embarcam em suas teorias. Não significa que tudo que pregam seja ruim, mas, uma boa parte é inaproveitável.

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO, professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG, ex-professor do ensino comercial com reg. no MEC, formado no Curso Normal Superior pela Unipac.