Leitor: Apoio à dona Cida

29 de novembro de 2019

“O que me preocupa não é o barulho dos maus, mas o silêncio dos bons” (atribuída a Martin Luther King).

Jesus, pobre, negro e da periferia de Nazaré. Marielle Franco, mulher pobre, negra e da periferia da Maré. A profecia histórica daquele judeu marginal, sua opção e luta pelos excluídos e marginais, provocou, sacudiu e ameaçou a religião e o Império. A profecia histórica desta vereadora, LGBT, feminista, sua opção e luta pelo povo preto e da favela, provocou, sacudiu e ameaçou os esquemas dos senhores da morte e donos do poder.

A Cruz não matou Jesus. Os tiros não mataram Marielle. Os discípulos e discípulas de Jesus, em sua maioria gente pouco importante, numa sociedade desigual, desautorizaram o Estado imperial e as classes dirigentes para darem testemunho: Ele está vivo; hoje, nós confessamos: Marielle vive!!!
Em tempos de amnésia coletiva, precisamos (re)afirmar o potencial subversivo da memória popular. Por isso, da importância de uma das nossas praças carregarem o nome de Marielle Franco. Assim, gritaremos – cada vez mais alto – uma voz que foi injustamente calada.

Mais que prestar uma simples homenagem, queremos assumir – de forma comprometida e consequente – as causas de sua vida e de sua morte. Também assim, engrossaremos o coro dos que não se cansam de perguntar, num país tomado por milícias, fundamentalistas e neofacistas: quem mandou matar Marielle?

Nós, das CEBs – Comunidades Eclesiais de Base do setor pastoral de Passos, manifestamos nossa solidariedade e apoio à D. Cida, mulher negra, trabalhadora, que nunca nos faltou na luta por Justiça, direitos e Vida para todos e todas. Jesus, Marielle, nós vivemos e resistimos. Estes “coronéis” da fé e da política, que covardemente se escondem nas redes sociais, posando de intelectuais de botequim, não vão nos impedir: avançaremos, rumo ao Dia do Povo; já que nosso sonho permanece e nossa Utopia e Esperança são urgentes.

CEBs – Comunidades Eclesiais de Base do setor pastoral de Passos – Passos/MG

Indignação geral

Certamente, o ministro da Economia, Paulo Guedes, não foi nada feliz ao citar o AI-5 durante sua entrevista, mas o que me surpreendeu foram a reação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e a de Rodrigo Maia, presidente da Câmara, que no mesmo dia vieram a público expor sua indignação. Eu as consideraria corretas, se ambos tivessem tido a coragem de indignar-se da mesma maneira contra o que o ex-presidiário-mor de Curitiba falou em seu discurso inaugural assim que saiu da cadeia, incitando os petistas/esquerdistas a partirem para a baderna, com quebradeira e confronto – a propósito, se fôssemos um país onde a lei é igual para todos, neste mesmo dia Lula deveria ter voltado para o presídio.

Luiz Roberto Savoldelli – São Bernardo do Campo/SP