História, falésias e mar azul

3 de março de 2020

A história da chegada dos portugueses ao Brasil sempre exerceu certo fascínio sobre mim, não pela narrativa do descobrimento, mas pela vontade de entender o que foi esse encontro de povos tão diferentes como o europeu e os indígenas do século 15. Além disso, não posso negar uma admiração pelo esforço de cruzar o Atlântico em um barco só com a força dos ventos, sem GPS. Foi nesse espírito que me aventurei pelo sul da Bahia, munido de bicicleta, equipamentos de camping e muita disposição.

Embora meu roteiro tenha sido aventureiro, a região permite que você faça o trajeto como lhe for mais confortável, seja de pacote ou carro alugado, parando em várias cidades do caminho ou desfrutando só da praia favorita. Apesar da popularidade da região, especialmente de Porto Seguro, ainda dá para vivenciar experiências mais autênticas.

Construções centenárias estão em todo o trajeto, uma vez que foi ali que Pedro Álvares Cabral primeiro aportou na Terra Brasilis. Também há aldeias indígenas e comunidades ribeirinhas, além de parques nacionais com belos exemplares da Mata Atlântica. E as manchas de óleo que surgiram no ano passado já se foram. Ainda bem.

 

Desde os anos 1990, Porto Seguro se tornou destino favorito de formatura entre jovens.

 

do ensino médio, especialmente em julho e outubro. Contudo, não é apenas de festas e da famosa Passarela do Álcool (oficialmente chamada de Passarela do Descobrimento) que vive a cidade baiana.

Um dos destaques é o centro histórico, localizado no alto de um aclive, com casinhas coloridas que datam do início da colonização. No local há um marco do descobrimento, feito em pedra talhada, que veio de Portugal no início do século 16. Entre as igrejas, chama atenção a de Nossa Senhora da Pena, de 1551, que abriga imagens religiosas dos séculos 16 e 17. Bem ao lado fica o farol, de onde é possível ter uma bela vista do mar, rememorando os perigos das navegações em tempos passados. A poucas quadras encontra-se a Igreja de São Benedito, de arquitetura mais simples, que serviu de local para a primeira escola jesuíta do Brasil.

 

Restaurantes

 

Já as ruas do centro novo de Porto Seguro, na parte sul da cidade, abrigam as mais diversas opções de restaurantes, especialmente na Avenida Portugal, ou no ponto conhecido como O Beco. Um jantar de comida italiana pode ser encontrado na Casa da Esquina, onde o talharim ao funghi com medalhão sai por R$ 62. Já o Adega Restô serve comida brasileira de qualidade, como o carré de porco (R$ 54) ou o badejo com manjericão (R$ 59).

Se quiser saborear um típico acarajé de rua, com massa aerada batida à mão, busque a barraca da Nilza. Ela costuma ficar na esquina da Rua Itagibá com a Avenida Getúlio Vargas, normalmente no fim da tarde.

Após um dia de passeio, escolha uma mesa em frente ao Rio Buranhém, onde ficam aportados os barqueiros. O pôr do sol reflete belos tons de laranja sobre suas águas que balançam com mansidão. Ali, o restaurante Gallo oferece cerveja gelada e pratos como moqueca de camarão, por R$ 130, e guaiamum (caranguejo) cozido, a R$ 14.

Os amantes da natureza não podem deixar de visitar o Parque Nacional do Pau Brasil, a cerca de 40 km da cidade pela Rodovia BA-367 – o parque também é acessível a partir de Arraial D’Ajuda. Na reserva, a Mata Atlântica nativa está preservada em uma diversidade que se compara a poucos lugares do País. Com uma área de quase 20 mil hectares, o parque só pode ser visitado a pé ou de bicicleta. Possui dois caminhos principais: um leva à Cachoeira da Jacuba; e o outro, as diversas trilhas.

Além de espécies raras de plantas, como bromélias gigantes e o famoso pau-brasil, eventualmente é possível avistar antas, preguiças e tamanduás. O parque está em processo de implementação de uma administração privada e passará a cobrar entrada.