Greve dos professores atinge 69% das escolas

10 de março de 2020

PASSOS – De acordo com o SindUTE, até o dia 4 de março, 69% das escolas da rede estadual em Minas Gerais estavam em greve. O sindicato contesta informação da Secretaria de Estado da Educação de que mais de 90% das escolas estão funcionando normalmente.De acordo com a diretora do SindUTE, Maria Antonia Mourão, no dia 5 de março em Belo Horizonte houve a Assembleia Estadual dos trabalhadores em educação na qual foi votada a continuidade da greve por tempo indeterminado. “Na mesma data, na parte da manhã, cerca de 2 mil educadores permaneceram em vigília na Cidade Administrativa, aguardando o término da reunião entre representantes do governo e o sindicato”, afirmou Maria Antonia.A princípio, ainda conforme explicou a sindicalista, o governo havia chamado a reunião para dia 20 de fevereiro, porém, ele mesmo adiou para o dia 5, demonstrando claro descaso para com a urgência de resolver a greve nas escolas de Minas Gerais.“A postura do governo de não levar uma única proposta para uma reunião convocada por ele evidência seu descaso para com a Educação Pública estadual e desprezo para com seus trabalhadores.A falta de diálogo do governo e tratamento ofensivo às representantes do SindUTE na mesa de negociação só contribuíram para a indignação da categoria, que decidiu por continuidade da greve”, acrescentou Maria Antonia.Dentre as cobranças feitas pelo SindUTE ao governo estadual estão: a quitação do 13º salário de 2019, inclusive já descontado como consta no Informativo para Imposto de Renda; o trabalhador não recebeu mas sofreu o desconto. Desconsiderando que a Educação tem verba própria, o governo disse que o pagamento será em 31 de março, porém mais uma vez vinculando a medida à venda do nióbio.Também nesse mês de março, conforme a sindicalista, a Educação continua relegada a terceiro plano, continuando com pagamento escalonado, quando só um setor da categoria receberá vencimento em parcela única.“E mais uma vez o SindUTE cobrou do governo o aumento das nomeações do edital vigente de 2017, mas o secretariado informou que as novas 1 mil vagas fazem parte das 5 mil conquistadas pelo sindicato no ano passado. A Direção Estadual também reivindicou a suspensão do memorando dirigido às SREs que solicita cronograma de reposição parcial dos dias de paralisação; destacando que fere o direito de greve e não dialoga com o movimento, ainda em curso. Em resposta a Secretaria afirmou que o documento não deve resultar em medida coerciva aos grevistas”, contou.O governo Zema também não apresentou, conforme garantiu Maria Antonia, nenhum planejamento para o pagamento do Piso Salarial Nacional, um dos motivos para a deflagração da greve por tempo indeterminado, que é direito garantido por lei aos trabalhadores em Educação.“O SindUTE não abrirá mão dos direitos legais da categoria e reforçou ao governo que a greve tem crescido em MG. Esses são dados sem maquiagem, levados no dia a dia pelas Regionais à Direção Estadual do sindicato”, garantiu a passense. Greve A greve está crescente em clara resposta da categoria ao descompromisso, falta de diálogo, sucateamento da educação pública e ingerência do governador. A total responsabilidade dessa greve da educação e até de outras categorias é do governador, que criou grave impasse ao propor reajuste apenas para uma delas ignorando o princípio da isonomia e, particularmente, no caso da educação, o governo Zema não consegue fechar a conta de onde foi parar os 25% de nossa verba própria.Para Maria Antonia, o SindiUTE não trabalha nem informa dados inverídicos. “No dia 4, cada região informou no Conselho Geral o número de escolas de cada município e o índice de adesão. Nessa data a greve atingia 69% das escolas estaduais. Já no dia 6, várias outras escolas de regiões diferentes, anunciaram adesão em face do desrespeito e ofensas do governo Zema a toda a categoria da Educação”, finalizou a diretora.