Fortaleza entra no ramo de pequenas frutas

31 de dezembro de 2019

FORTALEZA DE MINAS – Exóticas e nutritivas as pequenas frutas de clima temperado têm ocupado um espaço cada vez maior na mesa dos brasileiros. Com clima e logística de comercialização favorável, diversos municípios do Sul de Minas têm potencial para o cultivo de espécies como amora-preta, framboesa, morango, mirtilo e fisális, uvas, dentre outras. Conforme o administrador e responsável pelas vendas Alexandre Camargo, seu pai Antonio Camargo é o idealizador e precursor da plantação de uvas, além de ser o proprietário da Fazenda Vitória, em Fortaleza de Minas, que apostou no cultivo de dois tipos destas frutas, a uva e o morango. Ele é de uma família da região de Indaiatuba/SP onde produzem uvas há mais de 40 anos para produção de vinhos e escolheu Fortaleza de Minas para ampliação dos negócios. “Produzimos uvas há 10 anos aqui em Fortaleza de Minas e morango já há 13 anos, e o vinho há 1 ano. 80% da produção é destinada para o mercado in natura com distribuição para a rede Verdemar em Belo Horizonte, a rede ABC para todas as 42 lojas, Zebu Carnes, no Triângulo Mineiro e rede Oba em Campinas e na cidade de São Paulo, que corresponde a 38 lojas. Os outros 20% são deixados para o vinho”, explicou Camargo. Com relação ao morango, o produtor conta que eles são cultivados em estufa climatizada. “Plantávamos de maneira convencional, mas há três anos migramos para este novo processo para ter morango o ano todo e tem sido sucesso. Não precisamos usar agrotóxico, o que confere ao morango melhor qualidade, melhor sabor e maior durabilidade”, disse. As uvas estão plantadas em 7 hectares, correspondendo a 70 mil pés em produção e morango são 10 mil pés em estufas. “Das frutas silvestres, as berries, o crescimento é muito em nossa área. Este crescente é a qualidade da fruta, uma vez a região tem excelente clima, solo e rico em água”, afirmou. Da produção de uvas, Camargo explica que são produzidos os vinhos seco, suave e licoroso e também o espumante demi seco, sendo todos originais da uva de Fortaleza de Minas. Tanto para a produção do vinho, quanto para as safras de morango e uva, a fazenda gera 20 empregos diretos. “O morango no inverno tem um pico de produção maior podendo gerar mais vagas. E, para o mês de abril de 2020 devemos inaugurar a adega para receber turistas e clientes para degustação de vinhos e das frutas. Temos apoio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) que nos ajuda com mudas e ampliação dos viveiros. Ganhamos o prêmio de melhor uva do Estado de Minas Gerais, levando para o Brasil a excelente qualidade de produtos de Fortaleza de Minas”, garantiu Camargo acrescentando que estas delícias podem ser apreciadas neste final de semana na Mostra Ipê no Mercadão Municipal de Passos. Quando comparada a outras frutas a produção ainda é pequena. Trabalhos conduzidos pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e Emater têm incentivado o cultivo dessas frutas por meio de orientações sobre tratos culturais e cuidados pós colheita. A cultura é uma boa opção de renda para pequenos produtores, por meio de práticas agroecológicas e orgânicas. Conhecidas como berries, estas frutas destacam-se no mercado pelas propriedades nutracêuticas e também por serem consideradas antioxidantes. “A divulgação dos benefícios do consumo das pequenas frutas para a saúde fazem aumentar a procura por parte do público”, afirma o pesquisador da Epamig, Emerson Gonçalves. A produção abastece os mercados consumidores de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro com frutas in natura, congeladas e para a produção de geleias e doces. O manejo das plantas não é muito complexo. “A amora-preta é bem rústica e quase não apresenta problemas fitossanitários. Já a framboesa e o morango são culturas que requerem mais atenção”, avalia Emerson Gonçalves. Outro ponto a ser observado é a exigência hídrica das plantas, que são muito sensíveis à falta de água, mas não se adaptam bem em solos encharcados. Por serem bastante frágeis, estas frutas requerem cuidados especiais na pós-colheita e no armazenamento.