Falta de chuva afeta produção nas lavouras de milho na região

Por Nathália Araújo / Redação

22 de junho de 2020

Foto: Divulgação

PASSOS – A colheita do milho, que marca o período de entressafra, já começou em muitas lavouras da região e os valores pagos pelo produto seguem em alta. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a cotação da saca de 60 quilos do grão seco inicia a semana em R$47,15, visto que pode sofrer variações diárias de 0,04% e de 6,06% ao mês. As boas avaliações podem ser justificadas pela alta do dólar, que reflete no custo dos insumos que auxiliam o processo de fertilização do solo.

Embora seja uma época de valorização do milho, as condições climáticas não têm favorecido as lavouras do sudoeste mineiro, já que o volume de chuvas diminuiu significativamente desde o mês de março, o que ocasionou na diminuição da produção. Considerando o aumento nos investimentos do setor e a chegada do inverno, que costuma apresentar geadas na região, o índice de rendimentos se torna inesperado pelos produtores.

O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Passos (Sinrural), Elder Maia dos Reis, diz que contava com preços melhores e que a pandemia causada pelo novo coronavírus pode ter influenciado nas cotações.

A alta é notada, mas o custo segue quase estabilizado em relação ao mesmo período do ano passado. Esperamos e acreditamos na tendência de valores ainda melhores. Há algum tempo, os preços estavam ruins e os produtores até levavam prejuízo, portanto a expectativa é que o produto atenda as necessidades dos agricultores, já que estes sofreram muito com desvalorizações”, explicou.

Roberto Silveira Coelho, produtor rural, revela que a colheita será mediana e que aguarda boas negociações.

Comercializamos tudo no mercado interno, mas os investimentos aumentaram expressivamente. As principais variantes são as taxas de câmbio que estão muito altas e isso pode favorecer as exportações mas, aqui na região, ainda não vendemos milho no mercado futuro. Nas lavouras, não é possível parar, então estamos trabalhando para obter bons resultados”, destacou o empresário.

O produtor José Horácio de Freitas afirma que a falta de chuva afetou a produtividade e o que valor dos insumos subiu.

As aplicações cresceram cerca de 15% e o ponto alto da nossa colheita é em julho, mas já é possível perceber que este não será um ano de abundância de milho, já que parou de chover antes da época esperada e as medidas de isolamento social seguraram o fluxo de vendas. Quando a colheita deste cereal acabar, esperamos que a soja dê bons rendimentos”, avaliou.

Para o agricultor Gilson Aparecido a diminuição da chuva afetou a lavoura. Ele disse acreditar que os ganhos não serão altos o suficiente para cobrir as despesas de cultivo.

Nossa região foi castigada pela falta de chuva e a produção caiu, então é possível que muitos produtores não recebam a inversão total dos valores que foram investidos. Aqui no sudoeste, temos um mercado interno forte, mas novos contratos de exportação já são realizados e esperamos que aumentem ainda mais”, mencionou o fazendeiro.

Além de ser um momento para realizar as colheitas e movimentar o mercado agrícola, o período conhecido por “safrinha” também funciona para fixar o nitrogênio no solo e prepará-lo para as próximas plantações, que costumam ser de soja ou feijão. Trata-se de uma época em que a terra fica descoberta e vulnerável ao clima e, o cultivo do local auxilia para manter as características do
ecossistema.