Estoque de oxigênio

Meio Ambiente

12 de dezembro de 2019

Em sua primeira participação pública na Conferência do Clima da ONU (COP-25), em Madri, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, defendeu que é preciso encontrar “os pontos de convergência para avançar nessa agenda”, referindo-se ao desenvolvimento sustentável da Amazônia. Ele participou na manhã de segunda-feira, 9, de um evento promovido pela sociedade civil, com a presença de empresários e parlamentares, entre eles o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O encontro começou com atraso, e Salles deixou o local após ter ouvido duas pessoas.

Espaço brasileiro

O evento – convocado pelo Instituto Clima e Sociedade e pelo Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, que organizaram o único espaço brasileiro nesta COP – tinha como objetivo promover um diálogo sobre ambição climática. Salles e Alcolumbre estavam previstos para falar no final, após cinco outras pessoas. Mas, por causa do atrasado, a ordem foi modificada.

Prioridade

O ministro ouviu a jovem Karina Penna, do Engajamundo, estudante de Biologia no Maranhão, lembrar "todos os que estão sendo mortos por defender o que deveria ser prioridade, o que mantém a vida”, em referência aos três indígenas assassinados no Maranhão em pouco mais de um mês. Na sequência, falou Caetano Scannavino, coordenador do Projeto Saúde e Alegria, uma das ONGs que foi alvo de apreensão por parte da Polícia Militar do Pará na operação que prendeu quatro brigadistas em Alter do Chão. Os quatro foram soltos dias depois.

Amazônia

Scannavino pediu um minuto de silêncio para que todos dessem as mãos e pudessem refletir sobre o que chamou de "derramamento de sangue na Amazônia”. Contou que viveu “momentos de pesadelo” ao ser acusado de “uma coisa esdrúxula” e afirmou: “Não botamos fogo na floresta". Ele lembrou que esta COP deveria ter ocorrido no Brasil, mas foi cancelada pelo governo Bolsonaro. "Se estamos aqui para falar de ambição, queria lembrar que era para a COP ser no Brasil. Temos uma responsabilidade grande como brasileiros. O país com a maior biodiversidade do mundo só tem esse espaço aqui. Que fique uma lição para que na próxima COP, o Brasil se representar com o tamanho do país com a maior biodiversidade do planeta que nós somos.” Salles acenou com a cabeça.

Debate

O ambientalista disse que, na sua visão, existe um debate errado, de desenvolvimento versus ambiente, de ONGs versus progresso. "O que temos de discutir não é desenvolvimento, mas o modelo de desenvolvimento. Se é para frente ou para trás; se poucos ou para muitos.” Ele lembrou que, nas últimas décadas, a Amazônia perdeu o equivalente a duas Alemanhas e que, na maioria dos casos, foi para transformar em pastagens de baixa produtividade. “Estamos desmatando para ficar mais pobres”, disse.