Escolas de Passos orientam alunos sobre ‘desafio da rasteira’

15 de fevereiro de 2020

PASSOS – De tempos em tempos, os adolescentes arrumam um tipo de brincadeira de mau-gosto, um tipo de bullying para ‘pregar peça’ em algum colega, principalmente em início de ano letivo. A pegadinha da vez que vem ganhando adeptos e causando traumas, e até morte, é a chamada ‘quebra-crânios’ ou ‘desafio da rasteira’, preocupando pais e educadores. Os vídeos que viralizaram na internet nos últimos dias mostram jovens sendo derrubados durante a perigosa moda, que pode causar danos como traumatismo craniano, paralisia e até levar à morte, como aconteceu com uma jovem no Rio Grande do Norte.Preocupada, a secretária municipal de Educação de Passos, Zineti Guimarães Rattis, afirmou que todas as diretoras foram orientadas a abordarem o assunto em suas escolas alertando os alunos sobre os perigos e as consequências da brincadeira.“Estamos trabalhando para que nenhum caso aconteça nas nossas escolas, já passei na quarta-feira, 12, assim que ficamos sabendo que estava acontecendo em alguns lugares do país, para que todas as diretoras alertem e orientem tanto os professores quanto os alunos”, disse Zineti.A direção do Colégio Del Rey informou que iniciou uma série de atividades com alunos e professores na prevenção de todo tipo violência ou que possa ferir física, emocional, psicológica e espiritualmente os alunos, professores e colaboradores.“O autor de nosso material didático, Leo Fraiman, ressalta que brincadeira é aquilo que é bom para mim e bom para o outro e ressaltamos nosso compromisso com a segurança e o bem-estar em nosso ambiente escolar, enviando uma mensagem de nossos alunos da terceira série do ensino médio a toda a nossa comunidade escolar. Nós, do Colégio Del Rey, não compactuamos com essa brincadeira!”, afirmou a direção, em nota enviada à Folha.O professor do Colégio Objetivo Sérgio Marques explicou que todos os coordenadores e professores estão conscientizando os alunos durante as aulas e a próxima vai intensificar com apresentação de vídeos que estão sendo produzidos pela rede Objetivo. “Estamos enviando o vídeo para os grupos de Whatsapp de pais e alunos”, afirmou.A diretora do Colégio São Francisco (COC), Creide Ponsançini confirmou que os professores conversaram com todos os alunos a respeito do problema. “Podemos dizer que praticamente todos os estudantes já estavam sabendo da brincadeira por conta das redes sociais. Tudo que cai na rede corre muito rápido. Muitos contaram que já tinham visto vídeos, então, nós começamos a parte de explicação do perigo e da necessidade da conscientização para não praticar esse tipo de jogo. Falamos do risco, inclusive de morte. A escola fez vários vídeos com os alunos usando o mote de que ‘amigo que é amigo não propõe nem faz esse tipo de brincadeira’; ‘amigo que é amigo não pratica isso com o próximo’. Na função de professora, orientei também e, como diretora, propus aos alunos que se algum colega sugerir esse tipo de brincadeira, para me avisar para que a escola tome providências. Por mais que orientemos, tem alguns que acham que podem fazer algum tipo de desafio. Fizemos reunião também com os pais, pois os filhos podem fazer isso em praças e ruas”, disse Creide. Neurocirurgião explica os malefícios da ‘brincadeira’ PASSOS – A Sociedade Brasileira de Neurocirurgia emitiu um comunicado de utilidade pública em que alerta sobre as consequências do “desafio quebra-crânio” ou “desafio da rasteira”. O neurocirurgião cooperado da Unimed Sudoeste de Minas Marcos Antônio de Oliveira explicou os riscos.“Esse desafio pode causar traumatismo crânioencefálico, que pode provocar hematomas e contusões intracranianas e também uma lesão chamada lesão axial difusa, que pode variar de leve a severa. Às vezes, essa lesão pode ser imperceptível em exames, mas causa déficit cognitivo, desde perda de memória e dificuldade de raciocínio até o coma. Esse desafio faz com que a pessoa perca a capacidade de defesa e a cabeça atinge o solo em uma velocidade muito alta”, detalhou.Outro tipo de trauma que pode acontecer, segundo informou o médico, é o traumatismo raquimedular, causando fratura ou chicoteamento da medula, ocasionando lesões graves que vão desde paralisia das pernas e da parte inferior do tronco (paralisia) ou perda parcial das funções motoras dos membros superiores ou inferiores (paraparesia) e até mesmo a tetraplegia, que é quando tanto os membros superiores quanto inferiores ficam paralisados.“É importante frisar que essas lesões são muito severas. Exatamente por isso, a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia emitiu nota, no intuito de informar os pais e responsáveis sobre o perigo do desafio e a necessidade de orientação aos filhos”, concluiu. O jogo O jogo acontece em trios e a pessoa que está no meio é derrubada após pular, caindo de costas para o chão e batendo o corpo no solo, recebendo grande impacto na cabeça e coluna. A maioria dos jovens não sabe que será derrubada, e os colegas que causam a queda fazem com a intenção de rir do tombo.Também vem circulando outra brincadeira perigosa como essa, que consiste em alçar um moleton no entorno dos pés do colega, este estando de costas, puxar, e a pessoa cair de cara no chão.