Entrevista de Domingo: Marilda Petrus Melles

29 de fevereiro de 2020

Discreta, sincera, forte. Estas são qualidades que dá para perceber assim que batemos os olhos em Marilda Petrus Melles, a primeira entrevistada de uma série que a Folha da Manhã traz no mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher – 8 de março. Marilda nasceu em São Sebastião do Paraíso e tem hoje orgulho de chegar aos 66 anos, completos em fevereiro, e ter construído uma linda família e poder ter contribuído com o desenvolvimento da cidade. É mãe de Cristiano, Maria Pia e Caio Márcio e avó de Francisco, 11 e Joaquim, 9 (filhos de Cristiano); Antônio, 8 e Maria Tereza, 4 (filhos de Maria Pia); José, 3 e Maria Eduarda, 2 (filhos de Caio). Esta mulher representou a Paraíso em concursos de miss e foi eleita a primeira Miss Lions Club do mundo, em 1970, na época tinha apenas 15 anos. Também representou a beleza da mulher paraisense no Programa Cidade Contra Cidade, do apresentador Silvio Santos, na extinta TV Tupi, vencendo a disputa. Foi a primeira e única prefeita eleita de Paraíso. Embora tenha sido esposa de um homem público que foi Ministro, Secretário de Estado, deputado por 6 mandatos, Marilda jamais alterou sua rotina e seu jeito de ser, mantendo residência em Paraíso e convivendo na sua terra natal. Para as mulheres, Marilda diz ser fundamental que saibam se valorizar. “Nós estamos nesse mundo, eu acho que uma deve dar as mãos para as outras e ninguém é melhor que ninguém, e lutar por aquilo que ela quer. A Coco Chanel disse certa vez o maior ato de coragem é você pensar a sua própria ideia, e falar em voz alta, então você vai lutar pelo seu sonho”.

 

FM – E quando surgiu a ideia de ser prefeita?

 

Marilda – A prefeitura também foi um grande desafio e não era um projeto de vida. Eu nem estava no Brasil na época, tinha que buscar filho porque os meninos todos passaram um ano fora, com seus dezesseis anos em intercâmbio. Eu fui buscá-lo e de repente recebi uma ligação do Carlos Melles dizendo que o candidato tinha desistido e uns cinco partidos coligados haviam me escolhido por ser mulher e por eu não ter rejeição. E foi aí que aconteceu. Ele me ligou, e eu disse que não. Falei: eu sou muito tímida. Se me der um microfone, vai me dar um branco. Eu não vou saber nem meu nome. Ele me disse: olha, daqui cinco horas eu te ligo. Estas cinco horas passaram e ele não me ligou. Então, eu liguei para ele. Disse: escuta você não me ligou. Ele falou: a convenção é depois de amanhã, eles resolveram te esperar. Você chega ao Brasil depois de amanhã, dá tempo. Cheguei e tinha um filho em São Paulo, que foi comigo até Brasília. Meu filho foi falando para mim: mãe, nós não estamos mais em casa. Você está sozinha, meu pai é ministro, você vai poder ajudar as pessoas. Você vai poder construir casas para as pessoas e tudo. Eu disse: não filho, tem outras pessoas que podem fazer isso. Para a mamãe não dá. E chegando a Brasília, eu falei a mesma coisa ao Carlos e viemos. Eu vim pra Paraíso, já morava aqui. Ele desceu para o escritório, para a convenção e me pediu para ir. Eu disse que não iria. Depois eu pensei bem e decidi ir agradecer a indicação porque eles foram tão bons. Poxa vida, foram cinco partidos. Afinal, foi um voto de confiança muito grande que eles deram, claro, muita gente achava que eu era aquela florzinha de estufa. Chegando lá, quietinha, tirei do bolso uma medalha de Nossa Senhora das Graças. Eu tive a oportunidade de ir várias vezes na igreja dela lá em Paris e aí me veio num segundo, na minha cabeça, assim “Marilda, você veio de uma família humilde. Você conseguiu estudar, conhecer parte do mundo, seus filhos estão todos estudando fora. Você está sozinha, ainda é nova, você pode ajudar as pessoas. Eu aceitei ser mãe de Cristo e você vai falar não por comodismo?”. Eu falei sim, depois eu chorei quando cheguei em casa. Então, comecei e me dediquei mesmo, sempre com muita ajuda, porque não tinha nada estruturado. Eram 50 candidatos a vereadores. Eu precisava corresponder a essa confiança, ganhando ou não. O ex-prefeito era o candidato a reeleição e lá fui eu, de bairro em bairro. E eu ouvia comentários que eu passava álcool na mão, que eu cumprimentava as pessoas de luvas e eles falavam tanta coisa. Eu sou uma pessoa muito simples até hoje, quando eu via alguma pessoa nova, dizendo: “Dona Marilda. Eu não sabia que você lavava louça, cozinhava… mas sou muito simples e tive uma trajetória muito desafiadora.

 

FM – Como prefeita, acredita que tenha deixado um legado?

 

Marilda – Muitas pessoas dizem que sim, que deixei um legado formidável e consideram minha administração uma das mais transformadoras que o município já teve. Fiz sim o meu máximo e posso apontar as principais conquistas como a implantação de 27 empresas com geração de 2700 empregos, o que duplicou a arrecadação de ICMS em Paraíso durante a gestão; a capacitação de 2490 pessoas para o mercado de trabalho; a parceria política da administração para a implantação de grandes obras estruturadoras como a rodovia para Jacuí, o novo Aeroporto Regional, o Centro de Educação Profissionalizante (Ceduc), o Hospital Regional do Coração da Santa Casa; a pavimentação gratuita em 11 bairros; a construção e reforma de mais de 500 casas; a elevação do IDH-M de Paraíso, na época ficando em 1º lugar na região e 22º em Minas. Ainda podemos citar que Paraíso conseguiu ficar em 3º lugar em Minas em investimentos na área social; a Valorização do setor com doação da sede própria para Casa da Cultura, em um prédio centenário; a Elevação de 3 para 11 Postos de Saúde da Família; a Renovação completa da frota municipal, com destinação novos veículos e máquinas, a Parceria viabilizou pesado investimento em armamento, viatura e pessoal para as forças de segurança. Paraíso conquistou na época o selo “Dengue Zero” e conquistamos o prêmio Abrinq Prefeita Amiga da Criança. Não podemos nos esquecer de que a administração também realizou a criação de 10 Associações de Pequenos Produtos Rurais e a destinação de mais de 100 tratores e equipamentos e, ainda, a criação do Plano de Cargos e Carreira do Servidor e realização de 2 concursos públicos municipais.

 

FM – Pensou alguma vez em desistir?

Marilda – Várias vezes, mas quietinha, não podia falar pra ninguém. Só eu e a minha Nossa Senhora. No primeiro dia eu disse: vamos limpar a cidade. Um prédio público ser sujo e de carpete não tem condição. As praças estavam todas sujas, varriam só o centro da cidade, como se a cidade fosse só o centro e por aí nós começamos. Eu sei que não foi fácil, porque a primeira mulher, então, as pessoas não confiavam. Nos dias que eu estava saindo, os funcionários públicos fizeram uma festa para mim. Foi muito gratificante este carinho.

FM – E seu secretariado como foi definido?

 

Marilda – Eu perguntei para o Carlos: você fez algum acordo político com esses cinco partidos? Ele falou que não. Então eu tive a liberdade de escolher com quem ia trabalhar. Eu tinha amizade e sabia da seriedade de alguns diretores da cooperativa. Eu então convidei e já foi falado que seria um sacrifício eles deixarem fazenda e etc. Com dois anos ele sairiam e eu queria que vissem dentro de cada setor um funcionário público, concursado, que pudesse substituir pra dar continuidade, as coisas ficam um jogo de empurra. A prefeitura ficou entregue nos últimos dois anos pra eles só com os secretários que foram de casa. Então eu acho que isso foi muito positivo.

FM – Aceitaria o desafio de ser prefeita de novo?

 

Marilda – Não penso em ser prefeita de Paraíso novamente, mas acho que se fosse para enfrentar esse desafio novamente, seria uns 70% mais fácil. Mas, esse capítulo eu já encerrei. Hoje olhando para trás, sei que fui corajosa. Eu olhava na bíblia que dizia que Deus capacita os escolhidos.

FM – Embora seja outro tipo de atuação, a senhora conviveu com o Melles político durante uma vida. Isso a ajudou?

 

Marilda – Conviver com o Carlos Melles foi muito enriquecedor. Primeiro não por ser meu marido, mas ele é uma pessoa muito ética, humano. Você tem que ver ele com os netos, ele brinca, ele ri, é o jeito dele. Uma coisa que o Carlos me falou. Eu não esqueço: a maior esperteza do ser humano é ser honesto, não se esqueça disso. Você coloca a cabeça no travesseiro e dorme em paz. Ninguém vai ter coragem de te propor nada ilícito se você sempre chamar o procurador do município para ficar junto com você. Por isso eu nunca recebi ninguém sozinha.

FM – Funcionou?

 

Marilda – Mesmo assim já fizeram tanta coisa. Falsificaram minha letra. Até hoje tem um processo muito grande, sobre transporte coletivo aqui na cidade. Mas eles não se atentaram que a minha rubrica é MP, e eles colocaram MM, mas isto já está sendo resolvido. Eu saí com mais de vinte processos, mas foram feitas todas as oitivas. É muito humilhante e eu sou absolvida em todos os casos, mas, olha, judiaram de mim.

 

FM – E a senhora foi prefeita, e Carlos Melles nunca?

 

Marilda – Nunca foi prefeito. Ele foi direto candidato a deputado federal por causa da cafeicultura.

FM – A que atribui o bom desempenho da senhora na prefeitura?

Marilda – Eu adoro ler e pesquisar. Ia a praticamente todos os Ministério, lendo para saber sobre todos os projetos que tinha. E, elaborava direitinho os projetos. A grande falha dos prefeitos é não levar os projetos prontos. Faltam documentos e com isso, não fluem. Eu sempre conseguia agendar com celeridade, mas daí pra frente dependia da adequação do projeto ao ministério. Nós conseguimos muita coisa.

 

FM – Qual o maior desafio na prefeitura?

Marilda – Eu comecei em 2001. A lei de responsabilidade fiscal começou a vigorar comigo. Aí foi aquele susto. Você queria fazer coisas demais e eu queria mostrar serviço. Eu já queria entrar asfaltando, fazendo as coisas. De repente aquela dívida monstruosa. Imagino o caos que eu encontrei. Eu perguntei para o Carlos se havia feito algum acordo político com os cinco partidos. Ele falou que não. Então eu tive a liberdade de escolher com quem ia trabalhar. Eu tinha amizade e sabia da seriedade de alguns diretores da cooperativa. Eu então convidei e já foi falado que seria um sacrifício eles deixarem fazenda e etc. Com dois anos eles sairiam e eu queria que eles descobrissem dentro de cada setor um funcionário público, concursado, que pudesse substituí-los, para dar continuidade, as coisas ficam um jogo de empurra. A prefeitura ficou entregue nos últimos dois anos pra eles só com os secretários que foram de casa. Então eu acho que isso foi muito positivo.

 

FM – E a mãe Marilda?

 

Marilda – Eu fui mãe muito cedo. Com 21 anos. Eu queria esperar quatro anos. O primeiro filho é o Cristiano que hoje está com 43 anos. Ele está em São Paulo e tem uma rede de restaurantes chamada Pobre Juan. Todos eles trabalhavam no mercado financeiro. Eram oito rapazes e resolveram. Abriram o restaurante e deu certo, estão com 14 restaurantes pelo Brasil. A segunda é Maria Pia, a única que mora em Paraíso. E depois o Caio Márcio, que mora em São Paulo e também trabalha com restaurantes. Cada um deles tem dois filhos. O Cristiano acho que vai tombar para o lado da politica e vai dar continuidade ao trabalho do pai dele, ele gosta muito dessa área.

 

FM – Como conheceu Carlos Melles aqui?

 

Marilda – Éramos vizinhos, as casas eram próximas. Foi o primeiro amor. Foi o meu primeiro namorado de verdade.

 

FM – Se fizermos uma retrospectiva pela sua história vivida até aqui, se considera uma mulher forte?

 

Marilda – Numa retrospectiva, sim. Realmente vi que adquiri uma força, acho que até sobrenatural, porque eu enfrentei muitas dificuldades e diversos obstáculos. Mas, os bônus foram muito maiores que os ônus.

 

FM – Quem é exemplo de mulher para a senhora?

 

Marilda – Minha mãe é um exemplo de força, mulher forte. Ela foi cabeleireira por 35 anos, faleceu há dois anos. A história de vida dela foi muito interessante. A mulher não podia estudar, depois da independência que foi permitido para mulher estudar, assim mesmo era só primário e olhe lá. Então, ela estudou até o primeiro normal (primeiro ano do Ensino Médio), noiva. Aí as freiras não deixaram ela estudar. Foi para São Paulo sozinha. Fez curso de cabeleireira. Naquela época teve muita dificuldade, nunca tinha viajado. Ficou lá na casa de um parente. Depois do curso, ela voltou, abriu um salão e trabalhou. Sempre me ajudou em casa e me deu tudo. E era companheira do meu pai, eu estudei em escola particular, fui fazer cursinho em Ribeirão Preto. Fazer faculdade em São Paulo e ela sempre trabalhando, batalhando; uma mulher guerreira. Foi a grande força que eu tive. A minha vó, apesar de ser do lar (não desempenhou trabalhos fora de casa), era uma pessoa diferenciada, porque era a “Tia Fia” da família, uma espécie de orientadora e confidente. Minha família do lado dela, a família de Giacchero, uma família muito grande e do outro lado é pequenininha, minha mãe é filha única e ela só teve eu e meu irmão. Mas minha avó teve oito irmãos. Não existiam lojas que vendiam roupa íntima. Minha avó fazia sutiã e calcinha. Fui criada com ela, que virava os besouros para não morrerem e eu viro até hoje. Imagine eu enfrentar o que enfrentei com uma criação assim. Ela pegava a calda do pudim de leite, colocava em um pires na mureta um pouco da calda para as formigas. Imagina, eu fui criada nesse lugar e ser atirada no mundo político. Muitos pensavam que eu era uma marionete, eles achavam que o Carlos Melles é quem estava sendo prefeito. Ele tinha dois ministérios, viajando por esse Brasil inteiro. Nós fizemos um plano de governo de vinte anos, então eu tinha acesso a todos os projetos dos ministérios.

 

FM – E um exemplo de mulher na humanidade?

 

Marilda – São muitas, mas Margaret Thatcher, a rainha da Inglaterra Elizabeth Alexandra Mary Windsor; na área social eu tive a oportunidade de conhecer a Zilda Arns, também Bertha Lutz, a mulherada que batalhou para conseguir o direito de voto e os demais direitos das mulheres. Também admiro a Princesa Isabel, eu gosto dela pelas evoluções que trouxe para a mulher, como lei do ventre livre. Da abolição da escravatura também, está certo que tinham outros interesses, que eles estavam com medo de perder o império, mas era ela quem assinava.

 

FM – Você se considera uma mãe que trilhou os filhos nos caminhos que eles gostariam?

Marilda – Meus meninos nenhum deles partiu para droga para bebida, eu sempre fui muito presente e sou até hoje. Eu tenho sorte, inclusive minhas noras me chamam para ficar com as crianças deles, então, eu sou muito mãezona. Inclusive estou morando em Paraíso por isso, porque a Maria Pia está divorciada há quatro anos e eu a ajudo na educação das crianças. Sempre tentei estimular muito leitura e fui muito presente na vida dos meninos. O Cristiano é um que herdou isso. Ele gosta demais e ler.

FM – Que tipo de livro que você gosta?

Marilda – Eu leio de tudo, se deixar até bula de remédio. Meu primeiro livro foi Alice, no País das Maravilhas. Eu tinha 7 anos, porque naquela época você era alfabetizado com sete anos. Eu me encantei por Alice no País das Maravilhas, sou muito curiosa. Eu gosto muito de história, mas o meu conhecimento é superficial, não sou culta. Eu sou bem informada, mas eu não sou culta. Estou terminando um livro, muito grosso de um historiador inglês Niall Ferguson. Ele fala sobre civilização, e é muito interessante. Fala sobre as grandes mudanças que aconteceram dos séculos passados até hoje. Onde Europa passou de um estado de barbárie para um local desenvolvido e as regiões naquela época desenvolvidas ficaram degradadas, como a região do Império Turco Otomano, os Incas, Maias… Ele diz que tudo mudou por conta do consumo, competição, a ciência, direito à propriedade, a ética no trabalho e a medicina… Mas agora estou mais lendo livros infantis, estou vivendo no mundo da Peppa e tal, por conta dos netos, voltei para a Alice no País das Maravilhas.

 

FM – Qual figura conhecida que a encontrou que mais a emocionou até hoje?

 

Marilda – Certamente o encontro com o Papa João Paulo II. Tocou muito forte. Por três vezes nós queríamos ver o Papa e por duas vezes fomos a Roma e não deu certo de estar perto dele. Nós fomos convidados para recebê-lo em uma base aérea do Rio de Janeiro. Quando o Papa foi passando, o Presidente Fernando Henrique mostrou o Carlos pra ele. Ele abençoou o Carlos e foi muito tocante. Em outra oportunidade estávamos em Florença, fomos a Florença ver o papa. Então o Presidente Fernando Henrique ligou para o Carlos o convidando a ser Ministro. Claro que o presidente do partido já tinha comunicado que ele receberia esse convite. Mas, como resposta Carlos falou: olha eu fico muito gratificado, mas estou tentando ver o papa faz tempo e amanhã é o grande dia. Aí o Presidente falou: você vai ver o papa e depois você vem assumir o cargo. Nós fomos apresentados ao papa pelo nosso grande amigo, o cardeal brasileiro Dom Serafim, portanto o papa abençoou Carlos e me abençoou também. Foi muito emocionante.

 

FM – Na qualidade de esposa de ministro viajou muito?

Marilda – Nós fomos muito para fora do Brasil, por conta do trabalho de Carlos Melles. Uma vez eu me hospedei na embaixada em Londres e fiquei no quarto em que a Princesa Diana já havia ficava. Nessa ocasião, o motorista da embaixada disse que a princesa era uma pessoa muito triste, porque dizia que foi usada. O príncipe só casou com ela para ela ter filhos; olha aí o papel da mulher, vista e feita como reprodutora. Porque ele tinha aquela amante que está com ele até hoje.

 

FM – Por trás de um grande homem tem sempre uma grande mulher. Essa fala vale para o seu caso?

Marilda – Eu acho que sim, porque a mulher é muito importante, o papel dela é fundamental. Pensa bem, você estar ao lado de uma pessoa que está sempre te puxando para trás que não te valoriza, isto é ruim. Se a mulher não estiver junto e não somar, tira a força do homem. Em diversas situações o meu papel foi e é importante. No primeiro, Carlos estava em Londres, ligou para mim e pediu para eu filiá-lo num partido. Ele não era nem filiado, isso lá em 1992. Quando houve o convite para ser ministro, teve uma fofoca para tentar impedir, aí eu falei pra ele: você vai deixar um grão de areia te roubar uma montanha? Todos imaginavam que o Carlos iria entrar na pasta da Agricultura, mas de repente, entregam pra ele dois ministérios que ele não tinha conhecimento, o do Turismo e do Esporte. Mas, para ele nada é impossível. Para isso, chamou quem entendia de esporte e turismo e montou conselhos. A pessoa tem que ser humilde, saber ouvir e ser prudente.

FM – Como é ser esposa de um homem com o poder político de Melles?

 

Marilda – É muito fácil. Eu vejo ele como o Carlinho do Tonico do Carmo que eu namorei, noivei e me casei, então é natural e muito tranquilo. Eu sou uma pessoa tão chata para ele, que eu só fico dando palpites.

FM – E ele acata?

Marilda – Sim, ele acata, fica quietinho, ele ouve. Aí eu acho que ele nem prestou atenção, mas quando eu vejo ele acata sim.

 

FM – E miss?

Marilda – Eu tinha quinze anos. Aí me levaram para desfilar em Caxambu, em Formiga. Então foi assim representando o Lions, foi muito interessante. Foi bom pra minha timidez. E eu descobri um lado muito bonito que é esse lado de solidariedade, de ajudar as pessoas. Eu fiquei encantada. Foi muito importante pra formação do meu caráter. Eu novinha, adolescente, isso me fez ter um olhar de solidariedade com o outro e isso me ajudou na Prefeitura. Com relação ao Miss Paraíso, eu já estava estudando fora e eu fui convidada para representar a cidade de Paraíso e foi um orgulho muito grande. Depois me convidaram para participar do Miss Minas Gerais na época em que comecei a namorar o Carlos e não aceitei o convite na época. Com 14 para 15 anos, a gente debutava. Eu era doida para ir em baile, mas não podia, a gente tinha que debutar primeiro. A festa era como se fosse uma formatura de graduação. O Sílvio Santos fez um concurso cidade contra cidade e pediu a debutante mais bonita da cidade e aí me convidaram. E era ao vivo eu fui no início da TV no Brasil, era a TV Tupi. Começou 8 da noite acabou 2h da manhã, recebi cartas do Brasil inteiro, da rapaziada. Foi tão bonito. Foi uma coisa tocante, marcante.

FM – Você se considera uma mãe que trilhou os filhos nos caminhos que eles gostariam?

 

Marilda – Meus meninos nenhum deles partiu para droga, para bebida, eu sempre fui muito presente e sou até hoje. Eu tenho sorte, inclusive minhas noras me chamam pra ficar com as crianças deles, então eu sou muito mãezona. Inclusive estou morando em Paraíso por isso, porque a Maria Pia está divorciada há quatro anos e eu ajudo ela educar as crianças. Sempre tentei estimular muito leitura e fui muito presente na vida dos meninos. O Cristiano é um que herdou isso. Ele gosta demais e ler.

 

FM – Nos conte um pouquinho da sua fase como miss.

Marilda – Eu tinha quinze anos. Aí me levaram para desfilar em Caxambu, em Formiga. Então foi assim representando o Lions, algo muito interessante. Foi bom pra minha timidez. E eu descobri um lado muito bonito que é o da solidariedade, de ajudar as pessoas. Eu fiquei encantada. Foi muito importante para formação do meu caráter. Eu novinha, adolescente, isso me fez ter um olhar de solidariedade com o outro e isso me ajudou na Prefeitura. Já com relação ao miss Paraíso, eu já estava estudando fora e eu fui convidada para representar a cidade de Paraíso e foi um orgulho muito grande. Depois me convidaram para participar do Miss Minas Gerais na época em que comecei a namorar o Carlos e não aceitei o convite. Também representei Paraíso no programa do Sílvio Santos, o concurso Cidade Contra Cidade, era ao vivo eu fui no início da TV no Brasil, era a TV Tupi. Recebi cartas do Brasil inteiro, da rapaziada. Foi tão bonito. Foi uma coisa tocante, marcante.

 

FM – Como se tornou a primeira miss Lions no mundo?

 

Marilda – Começa assim essa história toda de eu ter representado o Lions, de eu ter representado Paraíso. Isso tudo não foi um desejo meu. Eu tava realizando um sonho da minha mãe. Eu queria tanto agradar que fui e enfrentei toda minha timidez e foi muito bom quando vi que consegui.

 

FM – E o concurso miss São Sebastião do Paraíso?

Marilda – Miss Paraíso foi atípico, porque eu estava fazendo faculdade em São Paulo, Comunicações e na época da ditadura. Naquela época em que você recebia os três diplomas juntos: publicitária, jornalista e relações públicas. Mas, no último ano eu deixei o curso para me casar. Eu já estava noiva, e vim para uma cidade pequena. Sabia que jamais seria jornalista. Mas, minha filha seguiu. Depois eu fiz outros cursos.