Entre Prosas: Alex Capella, jornalista e consultor em comunicação

'Mudança é um marco na região e atende aos leitores'

27 de janeiro de 2020

"As pessoas seguem precisando que os jornalistas ofereçam informações precisas, com credibilidade, e que prestem serviços relevantes. E a Folha da Manhã não tem outro propósito que não seja a credibilidade. Esse é o seu valor"

 

A Folha da Manhã apresentará, em breve, ao público seu novo projeto gráfico do jornal e de todas as plataformas digitais. A mudança na identidade visual aproveita a comemoração de 37 anos do único jornal diário da região para sincronizar tecnologia e modelo de produção e oferecer ao leitor e aos anunciantes novas possibilidades para seu conteúdo. Elaborada ao longo dos últimos meses, a mudança tornará a leitura do jornal e das plataformas digitais mais agradáveis, privilegiando a análise qualificada. Muito além das alterações no formato, os investimentos representam o fortalecimento de toda a mídia regional, beneficiando o mercado publicitário, anunciantes e, principalmente, os leitores.

Esse leitor que surge a partir do crescimento das redes sociais leva a uma necessidade de investimento constante na produção jornalística. Porém, diante da instabilidade econômica, o mercado publicitário nem sempre consegue acompanhar a velocidade das transformações. E a nova reorganização do projeto gráfico da Folha da Manhã acompanha essa evolução, trazendo ainda mais informação exclusiva e dinamismo. Por mais que haja um claro movimento de mudança de hábito das pessoas de se informarem pelos meios digitais, a Folha da Manhã segue apostando no impresso como um formato muito importante para os leitores e anunciantes da região, mas ampliará os investimentos nas novas plataformas.

Na nova fase, haverá um esforço ainda maior na hierarquização das informações, de forma a dar organização à leitura do conteúdo, indo fundo em apuração e análise dos temas da região, imprescindíveis diante das atuais exigências dos leitores. Segundo o jornalista e consultor em Comunicação, Alex Capella, que esteve à frente do planejamento dos novos projetos gráficos da Folha da Manhã e do portal Clic Folha, nos últimos anos, os avanços em tecnologia e mídias sociais transformaram a maneira como o leitor busca informações e acompanhar essas mudanças é fundamental. “O que deve ser inegociável é o jornalismo de qualidade, aquele que oferece ao leitor informação capaz de ajudá-lo a formar a sua opinião”, destaca.

O consultor lembra que o novo projeto também foi pensando para atender o mercado publicitário. No impresso, os anúncios estarão em maior harmonia com as reportagens e colunas. E as plataformas digitais criarão novas possibilidades para os anunciantes, com a utilização de vídeos e ‘motions graphics’. “O novo projeto traz essa orientação comercial, pois melhorando a visualização dos anúncios, valoriza-se também o conteúdo de marca, criando oportunidades, abrindo-se mais para as plataformas móveis”, afirma Alex Capella, lembrando que, segundo os últimos dados do Instituto Verificador de Comunicação (IVC), a Folha da Manhã está entre os ‘quality papers’ (veículo de conteúdo jornalístico que comercializa seus exemplares em bancas e vende assinaturas) com maior crescimento digital em Minas, uma grande vantagem para os anunciantes.

Folha – Há uma crise de credibilidade dos veículos de notícias? Como ela se manifesta e como explicá-la?

Alex – Existe uma crise de credibilidade afetando o jornalismo. As pesquisas mostram um problema de descrença nas notícias, quando o ambiente digital começou a dominar. Existe um sentimento de incerteza sobre confiar ou não no noticiário, em parte, porque tudo parece a mesma coisa na internet. As pessoas também perderam parte da confiança nos jornais porque ficaram perdidas com a mistura entre notícia e opinião. E outro elemento importante foram os ataques ao jornalismo feitos por quem não gosta do que está sendo noticiado. Afinal, pessoas bem informadas são um risco para determinados setores que passaram a classificar tudo que não gostam como “fake news”. Daí a importância do investimento no bom jornalismo e da parceria fundamental com os leitores e anunciantes. Esse é o pilar da democratização da informação.

Folha – O que muda exatamente na Folha da Manhã nesta fase de transformação?

Alex – A Folha da Manhã começou a trabalhar e pensar como poderia fazer uma mudança que é imprescindível para todos os meios de comunicação. Depois de meses de pesquisa, chegou-se a um formato que vai aprimorar a relação com o mercado anunciante e no tratamento aos assinantes. E essas mudanças chegam mais fortes à redação, na maneira de preparar e entregar seus conteúdos, com foco em adequá-los aos novos canais informativos e à jornada do leitor: a informação tem de ir para as redes sociais, para o computador, para celulares e podcasts. Os hábitos de consumo de informação mudaram. A transformação digital pretende atender esses novos leitores, sem descuidar da credibilidade e da excelência jornalística da Folha da Manhã.

Folha – Como será essa interatividade entre conteúdo impresso e as plataformas digitais como o portal e celulares?

Alex – O portal Clic Folha terá ainda mais a característica de ser o veículo da cobertura instantânea, mais aprofundada, das matérias do jornal, mais organizado e dinâmico. Não será somente a edição on-line, irá mais fundo na informação. Teremos uma cobertura mais próxima do leitor, privilegiando os fatos de cada município. Os leitores de cada município terão conteúdo próprio e diferenciado.
Folha – A Folha da Manhã muda de patamar no mercado leitor de Minas?

Alex – Certamente que sim. Afinal, é o maior investimento em tecnologia de um veículo diário da região e um dos maiores de Minas. Muda também porque tem de levar muito mais em conta as diferenças no consumo das pessoas. Já sabemos que os leitores da Folha da Manhã passaram a consumir mais informação de outras plataformas. Isso implica mudanças na maneira de produzir conteúdo e levá-lo ao leitor, além da relação com os anunciantes.

Folha – Como o sr. vê o leitor da região em relação ao de outras regiões?

Alex – Na verdade destacaria pontos que têm em comum, mais do que as diferenças. Os leitores do Sul e Sudoeste de Minas passaram a ter um consumo muito grande de redes sociais. Há alguns anos, era diferente. O uso do celular, por exemplo, como fonte de informação é muito importante. Vamos lembrar que entre 60% e 70% das pessoas usam o telefone como seu principal meio de informação. Isso é muito alto. Daí o desafio de aprimoramos esse conteúdo de qualidade em todas as plataformas, incluindo o impresso.

Folha – A presença desse novo leitor leva à necessidade de alteração na produção jornalística?

Alex – Com certeza. Tem de fazer uma mudança muito importante. Não é mais somente preparar a informação para publicar no dia seguinte, mas a todo momento e da forma que o leitor julgar a mais adequada. Isso, claro, leva a mudanças também no modo de fazer, na forma de trabalhar.

Folha – O que muda, objetivamente?

Alex – A base do jornalismo não muda. Informar da melhor forma possível, mais verdadeira, com credibilidade. O que muda bastante é que não é mais um monólogo. Agora, com as redes sociais, a audiência quer dialogar. Antes, o jornalista achava que o leitor queria escutar, mas nesses anos aprendemos que o que as pessoas querem é falar, participar. Isso nos obriga a aprender a trabalhar com esse diálogo. O propósito não muda. As pessoas seguem precisando que os jornalistas ofereçam informações precisas, com credibilidade, e que prestem serviços relevantes. E a Folha da Manhã não têm outro propósito que não seja a credibilidade. Esse é o seu valor. Temos de fazer bom jornalismo, defendê-lo e ser transparentes.

Folha – As novas modalidades de jornalismo podem ajudar a produzir reportagens de mais impacto?

Alex – Alguns grupos estão envolvidos em uma campanha contra o jornalismo, especialmente quando o jornalismo atua para fiscalizar quem está lidando com o dinheiro público, quem ocupa algum cargo público. Esta não é a primeira vez em que o jornalismo é atacado. Mas a informação é um caminho sem volta. As pessoas estão cada vez mais bem informadas. Há, sim, ruído e mais conteúdo raso sendo gerado do que jornalismo com qualidade e profundidade. Mas com as novas plataformas também temos a oportunidade de contar histórias que estão escondidas e descobrir novas narrativas que possam envolver todos nos assuntos de que elas estão tratando.

Folha – Como o mercado publicitário está reagindo a essas transformações?

Alex – Nos últimos anos, os jornais têm se empenhado em apresentar soluções para a publicidade no impresso e no digital. E os jornais regionais foram os mais afetados pelas mudanças envolvendo essa fase de transição. Mas justamente por isso é que os jornais regionais buscaram investir para se adequar a essa nova realidade. E a Folha da Manhã sai na frente na região ao investir em novas tecnologias, em novos formatos e oferecer ao mercado publicitário alternativas para o fortalecimento das marcas dos anunciantes. E o mercado publicitário está ansioso para ver as mudanças.