Do Leitor: Casamento e o queijo

7 de março de 2020

Dias desses enquanto me deliciava com algumas fatias de queijo, me coloquei, intuitivamente, a pensar nas fases por que passa esse produto, que é uma marca registrada dos brasileiros, sobretudo de nós mineiros.

Não sou especialista do produto no que se refere a sua fabricação, sendo que as fases a que vou me referir se tratam apenas de convenção popular, ou seja, aquilo que ouvimos desde a nossa infância e que a meu ver pode haver semelhança com as fases do casamento.

A primeira delas é quando o queijo acaba de sair da produção e recebe de batismo o nome de queijo " fresco " . Nela, você o consome puro, com goiabada, no lanche, ou seja, poucas restrições, é a fase de ouro dele.

Fazendo uma analogia com o casamento percebemos que essa sagrada relação também passa por essa fase, leve, macio, sem tantas restrições, e por isso passamos por ela sem depender de tantos esforços. Conhecida como, Romeu e Julieta ou goiabada com queijo.

A segunda, o queijo vai naturalmente perdendo aquela maciez e uma textura um pouco mais sólida assume o produto, que passa para uma fase conhecida como, " meia cura ". Nesse momento aparecem as primeiras restrições. Um esforço maior dos dentes já se faz necessário para uma mastigação a fim de vencer essas que são as primeiras resistências que o produto oferece. Seu consumo nessa fase sofre algumas limitações, Romeu e Julieta, nem sempre se torna possível.

No casamento existe também essa experiência que traz consigo as primeiras restrições. Algumas coisas que antes eram factíveis, já não são mais. É um momento de perseverança do casal para o enfrentamento das primeiras resistências que a relação apresenta.

A terceira e última, é quando ele já não oferece a menor condição de ser mastigado, e é conhecido como queijo " curado ". Nessa fase ele ainda oferece muita utilidade, no entanto, só é digerido ralando o produto para que possa ser coadjuvante de outros belos pratos.

No casamento também podemos passar por essa fase. É um momento em que se prevalece muito o que foi construído nas duas primeiras fases, se bem vividas, sobra pouco queijo duro para ser ralado e compartilhado. Se não foram tão bem construídas assim, infelizmente, mas só ralando muito pra inventar argumentos e tocar a vida, no entanto, é perfeitamente possível, afinal, a limonada é doce e é feita do limão.

Carlos Valente – Passos/MG