Do Leitor: Avenida da Moda, que moda?

4 de fevereiro de 2020

Há cerca de dois anos fui convidada para ir para Divinópolis trabalhar em uma fábrica de jeans, deixei família e amigos para recomeçar minha vida e administrar uma fábrica de confecções, hoje já somos centenas de passenses que moram e vivem da Moda em Divinópolis.
Quando venho a Passos, como neste mês de janeiro, pois já estou voltando para meu serviço, me deparo com um outdoor convidando para Pró Moda.

Conhecedora que sou de moda, pois a minha vida toda trabalhei como costureira, já passei por Shelter Jeans, Kollok, um pequeno tempo na Glemon, pude viver a força da confecção de Passos, com marcas que se tornaram famosas como Monshine, Malabaris, Terra Mistica, Nova D, Talento (que chegou a anunciar até na Playboy), entre outras tantas marcas famosas que nossa Passos teve, isto mesmo, teve.

Com o tempo passei de costureira para outros cargos maiores e hoje administro uma grande fábrica de roupas em Divinópolis, e penso o quanto Passos ficou para trás na confecção, pois, moda nunca tivemos.

Me lembro bem quando a Teka foi embora de Passos o Dr. Hernani da Silveira, chamou os donos das grandes confecções de Passos e ofereceu os Barracões da Teka, onde hoje funciona a distribuidora de Bebidas da Brahma, os caras, na maiorias agiotas, que usavam as confecções para munir uma rede de transação de descontos de cheques, nada ilegal, pois não estavam roubando e sim ajudando aqueles que precisavam, disseram não, “nós temos o maior shopping a céu aberto do País”.

Temos mesmo, agora de bons restaurantes, de um clube maravilhoso como é o nosso CPN, de bons hotéis, do Parque de Exposições, até de Clínica Médica, mas de Moda, nada.
Que fábrica neste País consegue pagar um aluguel até R$5 mil por mês, dependendo do local para colocar sua loja? O que estes empresários fizeram ao longo dos anos de cursos de atendentes para quem fosse comprar no seu estabelecimento comercial seja bem atendido?

Que inovação tivemos nestes quase 15 anos na área industrial da Moda? A fábrica da Kollok e o grupo quebrou, fiquei sabendo que a Monshine não fabrica mais, a Glemon a mesma coisa, e por aí vai.

Então, não seria a hora de respeitar mais o nome de Francisco Avelino Maia, e acabar com esta bobeira de Avenida da Moda, pois moda, já era hoje; a maioria já compra no Braz, em São Paulo, e o comércio de roupas em Passos se concentra mais em outros corredores comerciais como na Coronel João de Barros, nas Avenidas Poços de Caldas, São Paulo e Goiás.