Dia a Dia: Um novo estilo de vida

4 de dezembro de 2019

Os tempos mudaram, está sempre mudando, principalmente o comportamento e os costumes das crianças e adolescentes que, a cada geração essas mudanças vão sendo percebidas.

Antes “nada pode”, hoje “quase tudo pode”. Antes “menos liberdade”, hoje “mais liberdade”. São muitas as diferenças do passado em comparação com o presente, e isso me conforta em saber que vivi em vários tempos com suas mudanças, seus costumes e suas evoluções sem nenhum preconceito e caretice, e sem nenhuma intenção de dizer se tal época era boa, ou a atual é melhor. Apenas narrar alguns fatos que vivi em minha infância e juventude e as diferentes trajetórias de uma época do viver do povo e seus costumes.

Em relação ao namoro, antigamente os jovens procuram se conhecer para depois namorarem, agora nem sabem o nome já saem beijando e “ficando”. Até para tirar uma foto precisava de um planejamento e preparação daquelas máquinas fotográficas que usavam filme, era preciso ter o cuidado na “pose”, e hoje tiramos centenas de fotos pelo celular, o difícil é escolher uma para revelar, e o que a gente mais escuta é, “vem aqui, vamos tirar uma selfie!

Vivi a época que ter geladeira era coisa de luxo e, quando acontecia uma festa, para gelar (resfriar) a bebida, comprava-se gelo em barras grandes. Água potável para beber era extraída de uma talha com filtro e na cozinha, ponto de reunião da família, o uso era o fogão a lenha de rabo comprido, por cima o varal de linguiça e milho de pipoca, num canto o pilão com a mão de socar, o armário com uma pilha de pratos esmaltados e de alumínio, a lata de gordura sempre cheia de postas de carne porque em poucas casas é que havia geladeira e, preso à mesa o moinho de café e a máquina de moer carne.

No quintal, havia sempre uma horta de verduras e era rodeado de marcela, funcho, losma, hortelã e arruda, para o preparo de um chá para alguma doença. Ainda sem a era dos grandes supermercados, vendas e empórios vendiam quase de tudo: além de secos e molhados, chapéus, enxadas, panelas, fumo, canela…

O radio dominou a década de 50 com suas radionovelas, seus programas de auditório estrelados por grandes cantores: Francisco Alves, Orlando Silva, Nelson Gonçalves, Emilínha Borba “Rainha do radio” Ángela Maria“ a Sapoti do Brasil” (sapoti é uma fruta macia e doce) Cauby Peixoto entre outros.

 

As transformações no Brasil foram se consolidando ao longo da década de 50, paisagens modernizando com construção de edifícios e casas com arquitetura e mobiliário moderno. E assim, com o início otimista que consagrou o governo de Juscelino Kubitschek, com seu plano de metas, “50 anos em 5” foram mudando os hábitos da população: Veio a era do fogão a gás, dos produtos com materiais plásticos, sintéticos, rádio portátil, máquinas de lavar roupa, e tantos outros produtos.

 

Com tantas mudanças e com a televisão introduzida no País, o cinema brasileiro se popularizou com as chanchadas, (comédias musicais) produzidas pela Atlântida, assim como foi os filmes produzidos pela “Vera Cruz” que perduraram ao longo dos anos 50, e início dos anos 60. No campo artístico cultural apareceram os movimentos como: teatro, literatura, arte, músicas estilo Bossa Nova, Jovem Guarda, canções de protesto em festivais, que era uma maneira de questionar a sociedade para as mudanças, e outros movimentos que inovando sempre, perduram até os dias atuais. 

 

Pelo cinema, com os filmes em cores foi lançada a moda do garoto rebelde simbolizado por James Deam, no filme “Juventude Transviada”, em que ele usava blusão de couro e camiseta branca. Surge a banda The Beattles, Elvis Presley começa a fazer sucesso com um rock em estilo dançante, e as moças passam a usar saias rodadas e vestidos com decotes, e já se via pelas ruas, moças vestidas de mini-saia, óculos e brincos grandes.

 

Eram os jovens buscando um novo estilo de vida com mais liberdade, usando roupas unissex, e assim novas tendências foram surgindo a cada nova estação.
Enfim, em uma época não tão distante, homens tinham o costume de ir a igreja, onde para se ajoelhar forrava-se com um lenço ou pedaço de papel. E assim o tempo vai passando, costumes mudando, e a gente Memoriando!