Dia a Dia: Significados para o ‘tocar’ em sua vida

27 de fevereiro de 2020

Você já pensou sobre significados para o tocar em sua vida? Então vamos lá! Para começar, pense no singular, ou seja, para cada singularidade, há um ponto único, um fruto, um resultado de tudo que faz a nossa soma, o eu peculiar, aquele de quem sabe o que vive, sente, crê, aspira, transpira! Assim, já podemos partir do princípio de que a interpretação são os nossos olhos, como enxergamos a vida, a nós mesmos, aos outros, as coisas, os fatos, a reflexão. Contudo há o nós, a ponte para visões que podem ser compartilhadas, uma linha tênue entre o coletivo e o particular, que transita do diferente ao convergente. Nesta linha de pensamento, busquemos o instrumento criado para a aproximação entre os povos por meio da língua e não da linguagem (escolha de expressão influenciada também pela cultura), mas, sobretudo tocada pela consciência do que, para que e como se fala, se diz.

 

Tocar de acordo com um dicionário on line de português, apresenta: “pôr a mão em; atingir com um golpe de espada ou florete; tirar sons de um instrumento musical; impressionar; atingir, aprimorar, assinalar; confinar, estar junto de; bater, açoitar; tanger; caber por sorte; pertencer”.

 

A mesma fonte contribui para o conhecimento de amplitude da palavra: “estar tocado; tocar na honra (de alguém); pelo que me toca; aproximar-se; pôr em contato; entoar; repercutir, ressoar”. Quanta riqueza para o pensar! Já é possível convergir, brincar um pouco de viver o “nós” e até mesmo conversar sério como adultos (que confundem maturidade com ser sisudo) sem deixar-se tocar pela efemeridade do ser como contorno da matéria que se vê. Ah quanto lhes custam! Deixam o riso fácil frente ao incerto, e o gesto genuíno que não releva a insignificância vaidosa do eu existo narcísico, as cegas da imensidão que os cercam. Como toco e como sou tocado? O que representam as minhas atitudes evidentes ou sutis para comigo e para com os outros? Daí nascem forças das mais variadas e violências.

Analisemos se a nossa interpretação tem sido uma aliada ou uma opressora, se tem nos aproximado de um potencial lapidador positivo ou de nosso mais temido destrutivo, próprio ou alheio. Para mim tocar e permeabilizar compartilham sentidos, pois se toco ou se sou tocada configuro-me, não sendo mais aquela de antes, com as mesmas linhas. E não sendo eu linear, os ciclos permitidos por toques, criam minha circularidade, não estática, em movimento, caos, crises, criações. Tocar para mim é homeostase, retroalimentação, é estar vivo, no contato intra – e interpessoal. Sigamos!

RENATA FARCHE é psicóloga clínica e consultora com abordagem sistêmica. Há 20 anos segue carreira em psicologia, em contextos sociais, da saúde e da educação.que prezam a desarte da preguiça:

-”Às veiz, tô cansado de num fazê nada, numa soneira danada só de vê a serviceira dos outro, dou uma dormidinha de tarde mas num resorve. Custa a chegá noite e aí, sim, deito, durmo muito bem até no dia seguinte. Levanto descansado, disposto, pronto prá ficá a toa outra veiz.”