Dia a Dia: Ser diferente

12 de novembro de 2019

Estamos tão envolvidos nas mais diversas situações de nossas vidas que, sem percebermos, acabamos por fazer o que não queremos, aceitar o que não nos agrada, concordar com o que, definitivamente, não compactuamos.

Às vezes, é preciso, para avaliar bem o presente e as coisas que estão mais próximas, afastar-nos um pouco e estabelecer uma distância de modo a permitir que o nosso olhar não se acomode a uma visão crítica prejudicada, talvez pela excessiva familiaridade com determinada situação ou por um contato sucessivo com os vários aspectos da vida diária.

Temos tido notícias de agressões a professores, por parte dos alunos, dentro das escolas, fato impensável e inaceitável até ha bem pouco tempo. Num mundo tão conturbado e violento, ainda cremos que há esperanças de uma convivência pacífica e harmoniosa. Depende de nós e dos pais, a começar pelo resgate do respeito, dos limites, da disciplina, de uma educação voltada para determinados valores que devem ser aprendidos desde a infância.

Certa vez, numa campanha pela televisão, envolvendo professores, foram apresentados vários momentos em que eles davam testemunhos a respeito da sua profissão, destacando ideias que traziam sentimentos de otimismo, compromisso e envolvimento nos relacionamentos dentro da escola.

Em qualquer coisa que se pretenda fazer, mais ainda nos dias de hoje, é imprescindível e inquestionável a presença de sentimento, alma e paixão. Sem o componente emocional não há como alguma coisa evoluir, destacar-se, crescer, ser bem feita.

Na referida campanha, em uma das vinhetas, o educador dizia: “Eu preciso chegar até eles” (os alunos) – ao que alguém respondia – “confiança”. E continuava: “Todo aluno precisa de incentivo; incentivo ao saber. Eu quero ajudar o jovem a crescer”; vindo a resposta em seguida – desafio.” E o educador continuava: “Adoro isso”, seguido da resposta: “paixão”. E concluía: “Não existe profissão igual neste mundo – Vamos em frente – vamos ajudar a construir este país.”

‘Educar’, seja na família ou na escola, requer muita força interior, muita vontade, muita garra, pois não admite comodismo, paralisia, despreparo e descompromisso. Não é possível exercer a profissão de educador sem sair de si mesmo, sem desestabilizar-se, sem buscar o constante crescimento e a atualização permanente; sem rever posições e conceitos, sem colocar AMOR no que se faz e, em especial, nas pessoas. É esse amor que vai induzir-nos a atitudes de respeito, compreensão, perdão e acolhida.

Quando for o caso de se ‘dar bomba’ a um aluno (retê-lo na série), é necessário que isso seja feito com qualidade, após haver-se tentado todas as alternativas possíveis, durante o ano todo, em todas as oportunidades de convívio, buscando o envolvimento dele, o da família e de outros profissionais, para se ter uma ideia clara a respeito de seu desenvolvimento intelectual, emocional e psicológico. É bom não nos esquecermos de que cada aluno, cada pessoa, tem um ritmo de amadurecimento, aprendizagem, assimilação e, também, aptidões próprias, que devem ser respeitadas, analisadas e compreendidas.

Em outra vinheta da referida campanha, a professora afirmava: “É um prazer único dividir o que se sabe – é o que move a gente. Tem que vencer barreiras. A formação do aluno depende de constante renovação…” ao que alguém respondia: “desafio”. E continuava: “Deixar abertas as portas para que o aluno possa criar e se desenvolver… Paixão”, e finalizava: “Tenho orgulho do que eu faço”.

Numa terceira, o professor dizia:: “É preciso sentir que eles são familiares… Carinho. Participação positiva. Enche-me de orgulho… toda criança é capaz de aprender – Competência. Confiança… incentivo ao saber – Coragem…eu amo ser professor”.

Quem educa, com qualidade e compromisso, não deve se esquecer de que toda criança tem uma ‘história’ própria de vida; que ‘sedução’ significa desviar alguém do seu caminho, para o seu próprio caminho. Quem educa, sabe que se devem comemorar os resultados, especialmente, quando se faz isso com prazer, sabendo que a alma é cheia de possibilidades. Quem educa, sabe que, apesar da gente estar ‘plantado’ na terra, a gente consegue ‘voar’, através dos sonhos, que não devem morrer.