Dia a Dia: Resiliência

28 de janeiro de 2020

Resiliência
 
Nós temos conflitos, dilemas e dificuldades todos os dias. Se vivemos em uma família que consegue resolver seus problemas, aprendemos um modelo de solução e levamos isso para a nossa vida. Se uma criança vê os pais resolvendo adversidades, com todos reunidos para discutirem alguma situação que os afeta, ela vê como as pessoas participam, e isso lhe serve de exemplo. 
 
Sabemos que a família não é uma harmonia estável; é um processo dinâmico de adversidades e soluções. Não existe um modelo estático, em que tudo é resolvido calmamente e todos estão sempre felizes. Há dia em que você acorda mais bravo, que a criança amanhece irritada, existem imprevistos financeiros ou dificuldades no trabalho. Essa ‘estabilidade constante’ faz parte dos mitos que trazemos da família em seu modelo tradicional: “Casaram-se e foram felizes para sempre.” São muitos os contextos que se sobrepõem ao momento atual da história de uma família, e não há um manual. Felizmente, todas têm uma coisa chamada ‘resiliência’: a capacidade de resolver problemas, uma força que as faz superar dificuldades, e deve usá-la para tal.
 
Esclarecendo: Resiliência é um conceito da Física, que se refere à propriedade de um material sofrer tensão e recuperar seu estado normal, quando suspenso o “estado de risco”. Nas relações humanas, é compreendido como um processo que excede a simples superação de experiências, pois permite ao indivíduo sair fortalecido por elas, crescer como pessoa, o que necessariamente ajuda a promover a saúde mental.
 
O termo vem sendo consensualmente utilizado, também em Psicologia, como a capacidade humana para enfrentar, vencer e ser fortalecido ou transformado por experiências negativas e adversidades sucessivas ou acumuladas – choque, estresse, etc. – com o mínimo de problemas para o seu desenvolvimento, agindo com equilíbrio no pensar e atuar. A resiliência pode ser pensada como capacidade de adaptação ou faculdade de recuperação. Uma atitude resiliente significa ter uma conduta positiva apesar das dificuldades, ou seja, soma-se a ela a capacidade de construção, ressignificação dos problemas, flexibilidade na forma de agir. Essa capacidade de construir, apesar de atual, não é apenas um fenômeno individual; pode ser familiar, institucional, comunitário e, por que não, empresarial? Assim entendido, pode-se considerar que a ‘resiliência’ é uma combinação de fatores que propiciam ao ser humano condições para se fortalecer diante das adversidades.
 
A resiliência é ativada e desencadeia um processo de construção através da vivência das pessoas, das famílias ou instituições. Fatores como: alcançar resultados positivos em situações de alto risco, manter competência sob ameaças e, no caso de empresas, enfrentar situações inesperadas revertendo-as a seu favor, são como se recuperar de traumas. As pesquisas cada vez mais aprofundadas sobre esse assunto mudaram a forma como se percebe o ser humano, saindo de um modelo de risco, baseado nas necessidades e na doença, para um modelo de prevenção e promoção, baseado nas potencialidades e recursos que o ser humano tem em si mesmo e ao seu redor, considerando-o agente de sua própria forma de ser, agir e de adaptação social. 
 
Nesta nova concepção, o indivíduo é capaz de procurar seus próprios recursos e sair fortalecido das situações adversas. A resiliência não pode ser confundida com invulnerabilidade. Ser resiliente não significa dizer que, em outras circunstâncias, o indivíduo não se abateria; pelo contrário, é ter a capacidade de se reerguer depois de atingido, de adaptar-se positivamente ao que lhe foi imposto, extraindo experiência das situações difíceis, enriquecendo a sua vivência e depois, utilizar esse aprendizado para reverter a situação a seu favor.
 
Pessoas resilientes desenvolvem a habilidade de se manterem serenas diante de uma situação de estresse; aprendem a não se levar impulsivamente por uma emoção negativa; acreditam que as coisas podem mudar para melhor. Têm a convicção da capacidade de controlar o destino da vida, mesmo quando o poder de decisão esteja fora das suas mãos; desenvolvem a capacidade de identificar precisamente as causas dos problemas e das adversidades presente no ambiente. Essa possibilidade habilita a pessoa a se colocar em um lugar mais seguro, ao invés de se posicionar em situação de risco; desenvolvem a Empatia – a capacidade que o ser humano tem de compreender os estados psicológicos dos outros (emoções e sentimentos); desenvolvem a Autoeficácia, que se refere à convicção de ser eficaz nas ações propostas, e, finalmente, desenvolvem a capacidade de se vincular a outras pessoas, sem receios e medo do fracasso.