Dia a Dia: Qual vereador você quer? – Parte 2

30 de dezembro de 2019

No embalo do texto da jovem jornalista NANI CAMARGO, da cidade de Limeira, Estado de São Paulo, que constou no Caderno Página Dois do jornal “Gazeta de Limeira” em 09 de dezembro de 2018, damos continuidade a mais alguns tipos de vereadores existentes nos quatro cantos do nosso imenso e praticamente continental Brasil.

Ela cita o vereador fiscalizador e diz ter pelo tipo um bom apreço. É o edil que se interessa por tudo que diz respeito à administração pública. Fiscaliza contas da prefeitura, examina contratos, analisa com profundidade os projetos do prefeito e espera-se que fiscalize também tudo que aconteça na Câmara. Realmente, é comum ouvirmos vereadores, inclusive os demagogos, dizerem que são fiscais do povo. Mas, não é bem assim! Quando deveriam fiscalizar também o que ocorre de errado na cidade com relação à lei de posturas, de construções e até de trânsito, não o fazem. É claro que são atribuições da prefeitura e dos policiais de serviço, mas, nada impede que os vereadores informem a quem de direito o que estão vendo de errado. Daí, a situação torna-se mais complicada e o voto fala mais alto. Denunciar um comerciante amigo, um conhecido, um vizinho ou mesmo um parente, nem “morto” ou nem “morta”! Em cidade pequena ou média, então, onde todos se conhecem, melhor deixar quieto o assunto! São fiscalizadores, mas, do prefeito, loucos para achar algum erro ou fraude, para prontamente denunciarem e, claro, aparecerem na mídia como edis exemplares. Geralmente são os edis da oposição. Os do lado do prefeito preferem a omissão. Até que deu rima, hein! Fazer oposição é saudável, mas, só se for séria e honesta.

Outro tipo narrado por nossa jornalista é o “fazedor” de leis. Aquele vereador que realmente tem interesse em ajudar a população criando leis novas, mais modernas, mais realistas com a atualidade e que sejam sempre em benefício do povo e não apenas de uma pequena parcela ou segmento da sociedade. Mas, é preciso que o vereador tenha boas ideias e seja bem assessorado, para não tentar criar leis meio estapafúrdias como descreve a jornalista. Ela diz não ter cabimento aceitar projetos como obrigando buzina para cadeirantes, proibir o apito do trem ao passar pela cidade e outras inutilidades mais. Eu também já vi até implicância com os sinos das igrejas, algumas até justificáveis!

Quanto aos trens, o Estado de São Paulo ainda tem uma grande malha ferroviária transportando mercadorias e os trens são com inúmeros vagões, o que acho muito bom! Os apitos são de alerta para os desavisados que possam caminhar sobre os trilhos ou tentar atravessar veículo. Talvez, até “acordar” e avisar os plantonistas das estações para receberem o trem.

A nossa jornalista, NANI CAMARGO, também fica pasmada com o tipo de vereador que não faz nada. Não tem projeto algum, nem para homenagear alguém ou alguma entidade, não fiscaliza nada e nem faz o tal do varejinho já citado antes. No meu entender, eu defino como “vereador(a) figurante”. Acredito que esse “tipo” nem sabe o motivo de estar na Câmara de Vereadores! Mas, ali ele foi colocado e ali ele deve permanecer. Talvez, um dia ele caia na real e descubra o que foi fazer numa casa legislativa. Geralmente, não abre a boca para nada, fica apenas na espreita, na surdina, só quer sossego e paz. Vota, às vezes, por decisão própria, outras vezes, por influência de outros. Para mim, apenas um figurante, pode até ser de boa aparência, fotogênico, cinematográfico, mas, figurante!

Outro tipo bem lembrado pela jornalista é o vereador sempre governista. Conseguindo reeleger-se por dois, três ou mais mandatos, ele está sempre ao lado do governo. Os motivos são vários, pois as intenções também são muitas. Talvez seja funcionário da prefeitura, tenha parentes no serviço público, talvez queira “encaixar alguém numa boquinha na prefeitura” ou outras motivações que possamos imaginar. As intenções não podem ser totalmente condenadas, pois cada um procura seus interesses. O que não pode acontecer, mas acontece, é aprovar prefeito que não esteja governando corretamente para o povo, para a cidade. Tal edil não pode fazer de seus interesses algo maior que a boa governança que o povo merece.

Ainda vem mais pela frente.

LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO, professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG, ex-professor do ensino técnico comercial – formado no Curso Normal Superior pela Unipac.