Dia a Dia: Providência divina

13 de novembro de 2019

Segunda-feira, 11 de novembro, a Sociedade de São Vicente de Paulo de Passos completou 87 anos de existência. Mas tudo começou lá em Paris, no ano de 1833, com um jovem estudante de 20 anos chamado Antonio Frederico Ozanam, juntamente com mais cinco companheiros, quando tiveram a inspiração de se unirem a serviço dos pobres, de maneira humilde e discreta, fundando a “Conferência da Caridade”, tendo como padroeiro São Vicente de Paulo, pela sua humildade e amor aos pobres. Essa sociedade espalhou-se pelo mundo com o nome de Sociedade de São Vicente de Paulo, vivendo daquele mesmo espírito de simplicidade preconizado pelo Beato Antonio Frederico Ozanam.

E o tempo passou. E num domingo, às 15 horas, com a inspiração do então Padre Messias Bragança, com 43 anos de idade, no dia 11 de novembro de 1932, reuniu-se com 22 abnegados senhores, e foi criada a Sociedade de São Vicente de Paulo em nossa cidade. Já nos anos 70, para comemorar esta data, o Conselho Particular realizou em Passos o maior Encontro Vicentino que eu participei, contando com a presença do Presidente do Conselho Superior do Brasil (hoje Nacional) o saudoso José Mendes Lira e seu Vice Antonio Mariano de Oliveira, e centenas de Confrades de várias partes do Brasil.

 

A concentração se deu no domingo logo bem pela manhã, no grupo Wenceslau Braz, (Francina) com um bom café aos visitantes, e em seguida a grandiosa procissão com a imagem de São Vicente que subiu pela Rua Neca Medeiros, contornou o Educandário, desceu a Rua Dr. João Bráulio até a Igreja Matriz onde a Santa Missa foi celebrada pelo nosso Bispo Dom José Alberto Castro Pinto.

 

Após a missa, iniciou-se ali a assembleia que teve como mestre de cerimônia o confrade Gaspar Leite Duarte, enquanto dezenas de Consócias e Confrades no Grupo Wenceslau preparavam um farto almoço pra o encerramento deste grande Encontro Nacional. Arnulfo Nogueira de Figueiredo, em nome do Conselho de Passos saudou os visitantes, em seguida fizeram uso da palavra vários presidentes dos Conselhos Centrais e Metropolitanos de várias partes do Brasil, dando testemunhos para o aprendizado e para uma vivência mais Vicentina.

 

O que mais me marcou desse Encontro foi o final, o depoimento simples do nosso presidente do Conselho Superior do Brasil Mendes Lira. Ele citou um conto e hoje o transcrevo extraído do livro “Contos Vicentinos Por Um Confrade“ editado em 1927, presente que ganhei dele e passo a você, leitor, exatamente como foi escrito o texto naquela época:

“O PODER DA FÉ: Dous confrades de um arraial distante cerca de 30 leguas da cidade de Diamantina, costumavam ir todos os annos juntos áquella cidade, a pé, para tomarem parte no retiro vicentino, que é feito de 16 a 19 de julho no Seminario archiepiscopal. Muitos amigos e visinhos, combinavam com antecedência tudo e tudo dispunham de modo que no dia aprazado, com um pequeno embrulho debaixo do braço, punham a caminho cheios de enthusiasmo e de amor de Deus.

 

Em quatro dias venciam a distancia, faziam o seu retiro com todo o fervor e no dia 20 regressavam a pé, protestando no anno seguinte voltar ao mesmo modo para o santo exercício. Em 1917, elles pretendiam ir, como de costume; um deles era o visitante semanal de uma família pobre residente n´uma cafua situada a uma légua do arraial. Foi a casa do companheiro e disse-lhe: – Adão, vem commigo fazer a visita para desenferrujar as pernas e amanha, 12, começarmos a nossa viagem. –

 

Pois não, compadre André, é só enquanto pego o chapéu. E lá foram os dois conversando sobre o retiro, antegosando as alegrias espirituaes daquelles próximos dias. Quando voltavam, a três quartos de légua do arraial, uma cobra venenosa mordeu no calcanhar o confrade André, que, ao sentir- se ferido, gritou: – Meu S. Vicente, valei-me; estou mordido de cobra, mas… quero ir ao retiro. Adão perseguiu a cobra, matou-a e arrancou-lhe o dente. Com grande surpresa dos dous, André nada sentiu.

 

Não tomou injecção nem remédio algum; voltou para o arraial e no dia seguinte partiu para o retiro que fez em perfeito estado de saúde”.
E assim Mendes Lira terminou: “mais um caso que se registra pela fé e pela Providencia Divina”.
É o tempo passando e a gente “Memoriando”!