Dia a Dia: Por que é tão dolorosa uma perda?

12 de dezembro de 2019

A história aqui mencio-nada é fictícia, puramente ilustrativa, porém seu conteúdo e o significado da mesma auxiliam na compreensão de um fenômeno indesejável – A MORTE.

Maria, tinha 17 anos quando decidiu, finalmente, ir à uma consulta hipnoterápica. Procurava identificar e tratar os sintomas de uma possível depressão. Durante a anamnese, entrevista rea-lizada pelo profissional da saúde, relatou que notificou as diferenças em relação a patologia após a perda de seu pai.

Quando iniciamos a hipnoterapia, através da Regressão de Idade, Maria voltou ao ventre de sua mãe, próximo aos 7 meses de gestação. Este ponto foi a primeira vez que a paciente sentiu sintomas de tristeza e solidão, pois na época, seu pai era um marido ausente para a mãe durante a gravi-dez.

A mãe manifestou sentimento de solidão e carência muito forte devido ao impacto emocional da relação deficiente com o marido. O mesmo sentimento foi passado para Maria, que estava no ventre. Quando nasceu desenvolveu num processo natural, indícios de apego fortes ao seu pai e quando completou 6 anos de idade, os pais se divorciaram.

Na ausência do pai, Maria teve o segundo evento marcante, manifestados por CARÊNCIA e SOLIDÃO. A jovem era muito pequena para compreender o que ocorria e acabou somando, além dos sentimentos mencionados, outros como a PERDA.

Ainda aos 6 anos, o pai teve uma segunda esposa e por alguns fatores, a Madrasta não gostava de Maria e o pai acabou se afastando mais de sua filha. Novamente, não pode compreender o fato ocorrido devido a imaturidade e se sentiu rejeitada.

Durante o decorrer do tempo, entre os 6 e os 14 anos de idade, Maria manteve pensamentos negativos sobre si mesma, como se nada em sua vida desse certo. Se sentia incapaz de ser feliz. Então, aos 14 anos, teve seu primeiro relacionamento amoroso.

Todos nós sabemos que a paixão é um sentimento excitador e ela se encontrou feliz. Toda a carência, solidão, rejeição e incapacidade desapareceram subitamente. O que ela não esperava era que, de forma imperceptível estava se de-senvolvendo um problema.

Precisava de alguém pra ocupar esta posição, ser feliz era substituir então, a figura paterna por seu namorado.

Os sintomas ruins desapareceram, mas outros surgiram. Maria, não entendia o porquê do ciúme exagerado que tinha. Queria controlar seu namorado, monitorar os seus passos e sofria por ser assim. Mas o que ela não sabia era que, seu subconsciente tinha medo de perder o namorado e estas eram as respostas protetivas assumidas pelas camadas profundas da mente os problemas não voltassem.

O namoro não deu certo e os mesmos sentimentos da infância reapareceram. Sofrimento estendido até os 16 anos, quando o segundo relacionamento amoroso apontava os mesmos problemas. Tornou-se controladora e a relação não perdurou.

Aos 17 anos, o pai de Maria faleceu e relata que após a morte do mesmo se sentiu depressiva, mas o fator da depressão não foi a morte do pai. Maria, sempre projetou a necessidade de ter alguém para ser feliz e isso conduziu para uma emoção que não tinha consciência de si mesma. Quando perde o pai, a problemática de que não terá o mesmo lhe cedendo a atenção que queria desde o nascimento. A rejeição fez com que os sintomas fossem atenuados e a tornaram depressiva.

A dor maior para Maria é não ter conseguido respostas para as perguntas e coisas que gostaria de dizer e fazer com o pai, mas que não poderá realizar nem ter respostas. Isto causou grandíssimo desconforto em sua vida.

A hipnoterapia caminha ao lado do perdão. Expressar aquilo que não foi dito, como por exemplo, “eu sinto que minhas dúvidas são respondidas por questionamentos que passei a vida inteira e sofri por não ter respostas”, ou ‘’reviver tudo aquilo que é libertador e não sofredor como era antes.’’

A história procura ilustrar o sentido da perda e dor, porém cada caso é específico.
As experiências do passado, aquela vontade extrema de reviver o que já passou e não poder reproduzir as mesmas condições vivenciadas, nos gera certa frustração. Saudade não é sofrimento, saudade é vontade de viver.

 

ORONILCE DONIZETE FIGUEIREDO JÚNIOR é psicólogo e hipnoterapeuta