Dia a Dia: O professor em construção

18 de fevereiro de 2020

Ainda no início do ano letivo, hoje vamos refletir sobre a profissão ‘primeira’, aquela que ensina os passos iniciais as diversas carreiras, que prepara os caminhos aos futuros profissionais médicos, engenheiros, advogados, arquitetos, militares, dentistas, e todos os outros, necessários para que uma sociedade sobreviva harmoniosamente e com qualidade.

Lembro-me bem da época em que o professor era acolhido pelos alunos com reverência, em pé, que uma palavra sua era o bastante para ser ouvido e respeitado, que a aula só tinha início após uma oração, que os pais davam importância ao seu testemunho sobre o comportamento e o aproveitamento dos filhos, que a sociedade respeitava e admirava aqueles que transmitiam conhecimentos e valores, formavam o caráter e eram modelo para todos.

Mas os tempos mudaram, como muita coisa mudou. O professor hoje precisa inovar e saber como conquistar a atenção de seus alunos. Isso porque os caminhos da informação não são mais os tradicionais. Atualmente, o ‘boca a boca’ passa pela via informatizada, que envolve todo o planeta e conecta os homens através de poderosos chips. Mas a ‘infovia’, como a Internet, não é o único meio de comunicação imediata entre os homens: a televisão mostra em tempo real o que está acontecendo em todo o mundo.

O vírus na China, o debate político nos Estados Unidos ou a relação comercial com o Japão, são assistidos por milhões de pessoas, no momento exato em que acontecem. Mas, aonde tudo isso nos leva? Com certeza, a uma forma diferenciada que as crianças têm de entrar em contato com o mundo e de se colocarem perante ele. Essa facilidade em obter as informações no momento em que acontecem, atinge e transforma, principalmente, a tradicional imagem do professor, que era quem detinha o conhecimento e o saber. As exigências escolares, hoje, são muito diferentes daquelas de décadas atrás. Os estudantes recebem inúmeras informações, às vezes, antes mesmo de seus professores. Seus conhecimentos são diversos e abrangem um número variado de temas, por isso, o professor não pode mais ser apenas aquela figura que entra na sala de aula para repassar assuntos curriculares de forma tradicional. Ele precisa acompanhar essa evolução e, junto a seus alunos, construir o conhecimento. “O professor se constrói, ativamente, ao longo do tempo, como sujeito do seu saber e seu fazer”. Ele é necessário nesta nova realidade, é aquele que atende às necessidades impostas pela sociedade contemporânea. Que não tem medo de usar o saber e ousar ao utilizá-lo. Ele transporta a realidade para a sala de aula, inventando uma nova forma de ensinar.

 

Hoje, sabemos que o conhecimento vai sendo construído à medida que estudamos e nos aprofundamos no saber.

 

Precisamos, continuamente, rever o material existente, utilizá-lo como subsídio para construir uma nova realidade. Ele deve servir como fonte de desafios, informação e reflexão crítica. A formação do professor é contínua, iniciando-se na formação acadêmica e prolongando-se por toda a vida, através da ação, pela ação.

“O professor emergente sabe que ninguém é dono da verdade absoluta, e que ninguém detém todo o saber disponível, mesmo que na sua área de atuação. Sabe que ele constrói um saber situado no presente, com vistas para o futuro. Com relação ao aluno, ele vai descobrindo que não é só aquele considerado mais inteligente que consegue êxito nos estudos. Esforço, planejamento e técnica também ajudam e podem proporcionar mais alegria na nem sempre fácil tarefa de aprender, e ser aprovado no ano.

Ao descobrir novas formas de se relacionar com o estudo, com o ato de aprender, o professor e o estudante deixam de sofrer com isso. Ambos encontram o prazer de estar evoluindo e, com isso, obterão mais êxito no processo como um todo. O aprendizado constitui um processo dinâmico e autônomo, no qual eles constroem seu conhecimento. É pensar, interpretar, criar e agir.

Afinal, estudar, aprender coisas novas e interessantes é um grande bem que cada um realiza por si mesmo, pois significa ir em busca do conhecimento para se tornar “dono” do saber e uma pessoa cada vez mais plena. Pode existir maior estímulo do que este?