Dia a Dia: Marchinhas – Um bom tempo!

4 de março de 2020

E o Carnaval desse ano se foi, acabou. Terça-feira, feriado de Carnaval, à tarde, saí para minha uma caminhada pelo centro quase deserto de nossa cidade de Passos. Para muitos é um feriado para descanso, e para outros é época de esquecer os problemas e tomar umas e outras. A verdade é que todo ano o Carnaval pára o nosso país.

Várias cidades de nossa região ainda mantém a tradição do Carnaval, reunindo milhares de foliões tanto da própria cidade como recebendo foliões de outras cidades. Assim como outras cidades, que depois de muitos anos sem essa folia estão retomando o Carnaval principalmente o Carnaval de rua. E a nossa cidade de Passos? Para não passar o Carnaval em branco, temos os blocos “Deixa o Cuca Ai” que faz o carnaval para os foliões no Parque da Exposição, uma semana antes, e o Bloco ”Arroz com Feijão” que há alguns anos leva muita animação principalmente para os que gostam de Carnaval no bairro da Penha.

Cada geração tem suas lembranças, tem saudades de uma época marcante em sua vida, e na minha, evoco lembranças vinculadas à minha juventude daqueles Carnavais nos clubes, que Passos já teve. Primeiro, me refiro aos anos 60, quando ainda não existia toda esta estrutura profissional, trios elétricos, o funk, axé e até as músicas sertanejas invadindo as folias de Carnaval. As marchinhas tipo “Ò abre alas que eu quero passar…” marcavam os saudosos bailes de Carnaval nos clubes, com os foliões brincando com leveza e a ingenuidade da época. “Você pensa que cachaça é água? Cachaça não é água não…” sem exagero na bebida, problemas com drogas, brigas e violência, todos queriam mesmo era brincar o Carnaval, e muitos eram os blocos de amigos dentro do salão igualmente vestidos: “Chegou a turma do funil! Todo mundo bebe mais ninguém dorme no ponto…”

E as tradicionais marchinhas como “A estrela Dalva, no céu desponta, e a lua anda tonta, com tamanho esplendor…” marcavam e davam ritmo aos bailes nos clubes, onde as pessoas mais românticas podiam, dependendo do ritmo, dançar juntinhos. Essas marchinhas predominavam no Carnaval, suas letras bem curtas e fáceis de decorar, com suas mensagens contendo um bom humor, deixava a folia ainda mais alegre e divertida. E as Orquestras também executavam nos bailes as saudosas marchinhas “Bandeira Branca, amor, não posso mais. Pela saudade… Oh jardineira por que estás tão triste? Mas o que foi que aconteceu… Daqui não saio, daqui ninguém me tira, onde é que eu vou morar… Ei você ai, me dá um dinheiro ai… e tantas outras como: Aurora, Saudades da Amélia, Mamãe eu quero, Linda morena, Acorda Maria bonita, Cidade Maravilhosa, Está chegando a hora, Sassaricando, Õ balancê…”, e os clubes se ornamentavam com máscaras, e eram coloridos de confetes e serpentinas espalhados por todo o lado!

Passos, nesse tempo, (bem antes da década de 80 que foi o apogeu do Carnaval de rua com as Escolas de Samba Unidos de São Francisco, Malandro é o Gato e a Passense) já fazia seu Carnaval de rua, com prêmios oferecidos pela Prefeitura e pela radio Passos que fazia a transmissão ao vivo. Escola de Samba era só a Passense, com sua bateria. Às vezes aparecia na praça a Escola Cruzeiro do Sul, tendo a frente o lendário Beneditão, e muitos blocos desfilavam disputando os prêmios, com o povo fazendo presença em volta de toda a Praça da Matriz.

Veio os anos 80, os blocos, com seus carros alegóricos que desfilavam pelas ruas em competição, aos poucos foram se transformando em Escolas de Samba. E com o samba enredo sendo a base de todo o desfile das Escolas, as famosas marchinhas foram caindo no esquecimento.

E assim acabou – se em nossa cidade de Passos os saudosos bailes de Carnaval nos clubes, os “eternos” Rei Momo, os elegantes Pierrôs e Colombinas, os solitários Arlequins, fantasias de toureiros, Piratas, Espanholas desfilando pelos salões dos clubes cantando a marchinha lembrada pelos saudosistas foliões até hoje: “Chiquita Bacana lá da Martinica, se veste como uma casca de banana nanica”!

Esse tempo deve estar na memória de muitos, porque foram coisas boas que fizeram parte de um período da história não só de nossa cidade de Passos, mas de todas as cidades desse nosso imenso Brasil. Enfim, quem viveu esse Carnaval, tem boas lembranças e muita saudade.

É o tempo passando e a gente “Memoriando”!