Dia a Dia: Evitando uma cilada

19 de fevereiro de 2020

Sempre povoa minha mente passagens de várias etapas de minha vida Vicentina. E uma dessas foi lá pelo início da década de 80, quando dos bons encontros que a cada dois meses os Vicentinos de Passos participavam, a convite do Conselho Central de Franca. Em Passos, só havia um Conselho Particular, e pertencia ao Conselho Central de Guaxupé que, tinha como nosso Presidente o Confrade Odilon Costa, que junto ao nosso bispo da nossa diocese da época Dom Alberto Castro Pinto, sempre se fazia presente nesses Encontros.

E assim que chegava o convite, os Vicentinos de Passos alugavam um ônibus, dividiam as despesas e saíam no domingo bem cedo para os Encontros com nossos irmãos Vicentinos Paulistas. Participamos de Encontros em Batatais, Altinópolis, São Joaquim da Barra, Ituverava, Guará, Igarapava, Franca e outras cidades paulistas. Fizemos amizades e temos até hoje com muitos Vicentinos desse estado, como o editor do Jornal de Batatais “O Vicentino“ Olimpio Roso, que também é escritor, já publicou vários livros, entre eles: ”O Missionário de Deus no meio rural” “Vamos Aos Pobres” e “Amor Efetivo”. Da cidade de Franca, Walter Peres Chimello, Advogado, Poeta, Escritor, varias obras publicadas, membro da Academia Francana de Letras. Padre Lucas de Paula Almeida, ele músico, autor de várias composições sacras, lá pelos meados dos anos 80 foi Padre Missionário Vicentino na cidade de Delfinopólis. É dele a frase “Conheci um homem tão pobre, mas tão pobre, que só tinha dinheiro!”. Padre Lourenço Mika, jornalista, sempre estamos a encontrar em nossas romarias em Aparecida do Norte. O saudoso Arcebispo Dom Romeu Alberti de Ribeirão Preto e Dom Diógenes Silva Matthes, Bispo da cidade de Franca, que no início de sua fala fazia questão de dizer “Também sou mineiro de Serrania!” Cônego Arnaldo Padovani, é dele um dos melhores livros que li: “Estou Pensando”. O saudoso carismático e bom palestrante Otorino Rizzi, de Ribeirão Preto, muito conhecido por ser o dono das balas Chitas. Ao iniciar suas palestras mencionava a boa hospitalidade do povo mineiro, e de seu melhor alimento, o gostoso pão de queijo. Pedia uma salva de palmas para nós, Passenses e, em coro, centenas de Vicentinos Paulistas, cantavam “Oh Minas Gerais, quem te conhece não esquece jamais.”

Os encontros tinham início com a Santa Missa, logo após faziam uso da palavra Autoridades Civis, Eclesiásticas e Confrades Vicentinos. Num desses Encontros, Otorino Rizzi, que tinha o dom de contar histórias e fazia suas palestras segurando um rosário em mão, narrou um simples conto, que ficou gravado em minha mente:

Numa noite, certa vez, armara-se uma cilada: contrataram um jagunço para matar por vingança. O malfeitor, que já havia tomado posição para a caçada, se alegrou quando viu um vulto dentro da noite enluarada se aproximar. Só que não era essa a pessoa destinada a morrer. Quem vinha era o Confrade Antonino, que tinha o costume antigo de fazer sua caminhada perto de seu sítio, e ia debulhando as contas do terço, seu amigo inseparável. Aproximou – se o nosso Confrade do local que haveria de chegar seus últimos momentos. Era um justo que talvez iria pagar por algum pecado que não cometeu. Repentinamente, sai do mato o homem mascarado, trazendo a espingarda armada e lhe indaga: “Por que você está soltando estrelinhas pela boca?” Responde o Confrade Antonino: “Não sei de nada, apenas tenho o costume de vir pela estrada afora rezando o meu terço, como estou fazendo agora!” É que o jagunço vira o Vicentino soltar pela boca estrelas brilhantes e incandescentes enquanto rezava as palavras do terço! O Confrade Antonino ainda virou para tentar explicar melhor ao desconhecido, mas este deu um salto, afastando e desaparecendo pelo mesmo caminho, com um grito de terror. E o Confrade terminou dizendo. “É o terço, evitando a cilada para um Confrade inocente!

Enfim, saber contar casos e histórias é uma arte, e o Confrade Vicentino Otorino, através dessas inesquecíveis concentrações tinha esse gostoso dom de deixar seus casos grudados na memória de quem o escutasse.

É o tempo passando e a gente “Memoriando”!