Dia a Dia: Eu vivi isso ai!

18 de dezembro de 2019

 Outro dia tive a honra de conhecer pessoalmente e desfrutar de uma boa prosa com o colega colunista da “Folha da Manhã” Luiz Guilherme Winther de Castro. Quantas lembranças boas de casos e histórias surgiram em nosso bate papo, relembrando pessoas que nos deixaram saudade. Um grande abraço Luiz, continue sempre nos dando boas leituras!

 

E vamos à crônica de hoje: Os jingles publicitários, comerciais ou reclames (como era falado nas décadas de 50 e 60) fizeram parte da “era de ouro” do rádio e, o rádio era a melhor forma de publicidade para todos os tipos de anunciantes. A criatividade dos textos era o ponto forte dos comerciais tendo em vista os poucos recursos técnicos e efeitos especiais que se dispunham naquela época. Os produtos anunciados em revistas eram os mesmos que se ouvia nos rádios e, que passaram para a televisão quando esta chegou pelo nosso Brasil.

 

E se você foi do tempo em que milhares de pessoas ouviam rádio, deve se lembrar de alguns jingles ou propagandas que marcaram gerações e ainda fazem parte da memória do brasileiro como essas: na voz do comediante Oscarito “Glostora, um perfume discreto, um penteado perfeito!” A bonita voz da moça do Shampoo Colorama, “a voz é a mesma, mas os meus cabelos, quanta diferença!” “Nada de CC comigo, eu uso Lifebuoy, um grande sabonete!” “Essa rádionovela é um oferecimento de: Palmolive, Gessi Lever e auri-sedina.” “Talco Ross, o talco para refrescar!” Esse reclame: “Sabonete Lever, novo e perfumado, usado por nove entre dez estrelas do cinema” além do rádio era feita em revistas pela estrela da Hollywood Elizabete Taylor. “Os homens de maior distinção no mundo usam Água Velva!” “Dalva de Oliveira usa o Leite de Rosas!” As vozes de um homem e uma mulher cantando: “De colônia é o leite que você deve usar: Leite de Colônia para a beleza realçar!”

 

“Dê ao seu amor um ambiente de sonho, Água de Colônia Violino Cigano!” Eram muitas as casas onde havia um vidro com o formato de violino em cima das famosas penteadeiras! “Cashmere Bouquet, mais encanto para você!” “Antisardina, o creme para as grandes ocasiões!” “Creme dental Eucalol, elimina o amarelo de seus dentes!” ”É hora do lanche, que hora feliz, queremos biscoitos São Luiz!” “Alô, Alô, quem fala, é do armazém do Seu José? Minha mãe mandou dizer para mandar uma lata de biscoitos Aymoré!” “Contra resfriado e a gripe, Melhoral, que é melhor e não faz mal!” “Extrato de Tomate Peixe, dá excelente sabor aos pratos!” “Grapette, quem bebe Grapette repete!” “Crush, alegre e saborosa!” “Rinso lava mais branco, alegria no tanque!” “Cigarros Lincoln, de ponta a ponta o melhor!” “Pullman, o cigarro que todos fumam!” “Eska, é o relógio da hora certa!” “Pílulas de vida do Dr. Ross, cura manchas, e faz bem ao fígado de todos nós!” “Pilulas Dewitts para os Rins e Bexiga!” “Frigia, elimina o cheiro das axilas!” “Contra mau hálito, Astringosol!” “Esparadrapo Johnson, quando menos se espera, ocorre o acidente!” “Se a lâmpada apagar, não adianta reclamar nem bater o pé, compre lâmpadas GE!”

 

O famoso bordão da Caninha Tatuzinho: “Ai tatu, tatuzinho, me abre a garrafa e me dá um pouquinho?” Tinha também a dos Cobertores Parahyba, “tá na hora de dormir, não espera mamãe mandar, um bom sono pra você, e um alegre despertar!” Uma muito lembrada: no inverno, a família se esquentado em torno de uma lareira e de repente, na porta: “Toc-toc! Quem bate? É o frio… Não adianta bater, eu não deixo você entrar!”

 

E muitas outras foram as propagandas ou reclames nos rádios de produtos que não existem mais, que infiltraram em nossa memória e que ficaram em nossa imaginação como o jingle, símbolo da campanha de Janio Quadros para a Presidência da República em 1960: “Varre, varre, varre vassourinha/ Varre, varre a bandalheira/ Que o povo já tá cansado/ De sofrer dessa maneira”… São lembranças que fizeram parte do que eu ouvi, vi e vivi. 

 

Enfim, caminhando pelo tempo, vou dando mais um passeio pelo passado, lembrando quando a família reunida após a janta para tomar um bom café, dependia de moer os grãos de café torrado em um moinho caseiro que exalava um cheiro gostoso pelo ar!
É o tempo passando e a gente “Memoriando”!