Dia a Dia: É o meu maior prazer!

27 de novembro de 2019

Que mistério é esse que desde a casa do mais humilde à mansão do afortunado traz a mesma emoção, o mesmo sofrimento e a mesma alegria numa fração de segundos na hora do gol?

Com tanta tecnologia, essa avalanche de informações pelos meios de comunicação e o conforto dentro de casa para acompanhar, nós, os torcedores, estamos vibrando com o Mengão, time de maior torcida do mundo, e que está encantando nos jogos do Campeonato Brasileiro até torcedores fanáticos de outros times.

Fazendo seus mais de 40 milhões de corações Rubro – Negros explodir em delírio e felicidade, com seus gritos em todos os cantos desse imenso Brasil desde o Oiapoque ao Chuí: “Mengôôôôô, é Campeão”, nessa conquista da América do Sul que aconteceu sábado, 23 de novembro em Lima, no Perú, quando o nosso gigante Flamengo venceu o bom time do River Plate com gols do iluminado Gabigol que, balançou a rede duas vezes e garantiu o bi campeonato da Libertadores e, em menos de 24 horas mais um título: o hepta no Campeonato Brasileiro ainda faltando quatro rodadas para seu final.

Bastante emocionado após término com mais esses títulos conquistados na classe e na raça, ao escrever esse texto domingo a noite, me bateu saudade! Não tive como não entrar mais uma vez na minha máquina do tempo, e ir pelas ondas do grande e portento radio e lembrar de Papai ouvindo em seu Salão de Barbeiro, a festa quando da conquista do tri pelo Flamengo x America lá no distante ano de 1955, quando a televisão estava começando a engatinhar pelas capitais do nosso país, em em cidades do interior nem se ouvia falar.

Eu era um garoto com meus 8 para nove anos, ficava atento a tudo que se passava no Salão, principalmente lá no longínquo 1955 na última partida da decisão de melhor de três entre Flamengo x America acontecido numa quarta-feira a noite. Sem a era da televisão, nessa época informações eram poucas, somente as que se ouvia pelos rádios, ou esperar notícias chegar dias após as disputas pelos jornais ou pelas revistas “O Cruzeiro” ou “Manchete.”

 

Com todas essas dificuldades, os torcedores, principalmente nós, “do mais querido do mundo”, com muita paixão, acompanhamos essa decisão da final na terceira partida de 1955. E o Salão de Papai, com seu grande rádio General Eletric de nove válvulas, de sonoridade a longo alcance,ficava lotado com pessoas até do lado de fora. Nessa época a narrativa pelo radio sem a imagem que se vê hoje pela TV, o ouvinte tinha que confiar na narração e na informação do repórter que estava situado a beira do campo.

Muitos torcedores tinham seu locutor preferido, como eu e Papai tínhamos o Flamenguista Jorge Cury, e até pouco tempo, eu acompanhava meu Mengão pela imagem da TV com o meu inseparável radinho portátil colado no ouvido. Mas voltando à decisão da conquista do tri de 55: o jogo foi a noite de céu claro estrelado.

 

O Flamengo tinha vencido o America a primeira e perdido a segunda. Quando anuncia que está para começar a partida, Papai deixa de cotar cabelo e vai para perto do radio, com o repórter anunciando que o Maracanã já totalmente lotado, e a torcida do Flamengo na porta do estádio, acossada pela polícia, começa a invasão entrando no peito e na raça, enfrentando soldados, espadas e a cavalaria com a esperança de assistir ao jogo. O que passou pela bilheteria naquele jogo não está escrito, havia mais de 200 mil pessoas.

 

O locutor anuncia que o Presidente Juscelino Kubitschek, torcedor número um já estava na tribuna a espera do início do jogo. Pela Nacional, única emissora de rádio que alcançava boa parte do território do país, na voz dos locutores Antonio Cordeiro e Jorge Cury com comentários atrás do gol de Cesar de Alencar, todos flamenguistas torceram e acompanharam aquela decisão com vitória do Flamengo sobre o bom time do America por 4X1.

 

Pelo Brasil e no Salão do Papai o assunto desta conquista inesquecível durou muito tempo. Assim também para sempre ficará inesquecível essas nossas emocionantes conquistas: a segunda Libertadores da América, e o Hepta Brasileiro deste time que tem o Rio de Janeiro como seu berço, o Brasil sua cama e esse humilde torcedor como uma gotinha de água no oceano deste gigantesco mais querido do Brasil, e da maior torcida do mundo que arrebata corações de emoções chamado: Clube de Regatas Flamengo. Saudações Rubro Negras!

É o tempo passando e a gente “Memoriando”!