Dia a Dia: Democracia e Educação

4 de fevereiro de 2020

“Quando a linguagem não está de acordo com a verdade das coisas, nada chega a bom termo”, “ensinou o filósofo chinês Confúcio, que viveu entre os séculos VI e V antes de Cristo”; mas a ‘verdade das coisas’, embora muitos não acreditem que exista de maneira completa, poderá ser aproximada somente através da troca de opiniões, fundamentada em critérios calcados no conhecimento e no estudo.
 
A história da Educação no Brasil mostra que nunca trilhamos caminhos que nos levassem a termos uma educação de qualidade, verdadeiramente. Desde o início, em 1549, com a chegada dos primeiros jesuítas, temos seguido modelos que, ora penderam para o ensino baseado na religião, ora para o modelo pautado no militarismo, e em determinado momento, visando formar crianças e jovens voltados apenasticas, ou linha de pensamento era a melhorndo-se acionais no Brasil. ças e jovens apenas voltado para servir ao ‘e pensam. 0000 para servir ao ‘mercado’. Na realidade, nunca houve uma discussão séria, democrática e sensata para se determinarem os ‘caminhos educacionais’ no Brasil. 
 
Por outro lado, os métodos de alfabetização adotados por aqui sempre foram escolhidos pautados por modismos, por tendências; sempre se seguiu um ou outro pensador, ou filósofo, que afirmavam que determinada prática, ou linha de pensamento, era a melhor. Também nesse quesito não se discutiu e se analisou como deveria, para que esse ou aquele método fosse adotado, levando-se em conta os resultados pretendidos e também cada região e o seu perfil sociocultural e econômico.
Como Ruy Barbosa disse, um dia, a respeito da liberdade, podemos repetir agora, a propósito da democracia: “muitos a trazem na boca sem a sentirem no coração”. Nunca se falou tanto no assunto, jamais foram apresentadas tantas definições. Aqui mesmo, devemos encontrar uma das prerrogativas desse regime de governo: a de permitir, aceitar de bom grado que todos se manifestem, dizendo franca e livremente o que pensam. A própria balbúrdia das opiniões, a contradição e o contrassenso acham-se na essência da democracia, são parte integrante dela, pois, se todas as opiniões fossem iguais, se canalizassem no mesmo sentido, deixariam de haver o debate, a divisão, o antagonismo, as facções e os partidos, sem os quais o que resta é a prática totalitária, a ditadura, que se caracteriza pela ausência do confronto pacífico, não apenas de ideias, como também de interesses, cerne e vida do regime democrático. Não falta, porém, quem confunda a fermentação com a desordem e, ao mesmo tempo em que se proclama democrata, arrepela-se e condena aquilo que está nas entranhas desse regime. Enchem a boca, mas não sentem.
 
É por meio da imprensa escrita e falada, da televisão, da cátedra, do púlpito e da Internet, cada qual se servindo de acordo com a natureza da missão que desempenha na sociedade, que se chega a constituir um eleitorado esclarecido. “Sobretudo”, escreveu Jefferson, nos Estados Unidos, quando se faziam os primeiros ensaios da democracia norte americana, “espero que seja prestada atenção à educação pública da população, pois estou convencido de que, do seu bom senso dependemos para a preservação de um certo grau de liberdade”. Na mesma ocasião, John Adams mostrava a grande necessidade da educação “de todas as classes do povo, das mais altas às mais pobres”, sendo essa a condição para que o país seja governado e permaneça unido. No lar, pelo ensinamento dos pais, e na escola, pela palavra dos mestres, fora da influência imediata dos governos, semeia-se a liberdade no espírito da juventude.
 
Uma antiga discussão, de algumas pessoas sem uma visão adequada do problema, tentava, em determinado momento, mostrar por “a + b” que o ensino público poderia ser muito bom e eficiente, a ponto de se descartar o ensino particular, acreditando que caberia ao Estado promovê-lo como assunto de sua responsabilidade específica. Pensamento totalmente contrário ao ideal democrático, que é chegar à unidade pelos caminhos múltiplos e vários. 
 
O Estado aponta apenas um único caminho, ditado pela visão às vezes muito estreita dos seus interesses ideológicos ou partidários. 
 
Dentro das regras acauteladoras da moralidade e do bem comum, deve prevalecer a máxima liberdade da iniciativa privada, pois quanto maior for a sua participação, criando e sustentando escolas em todos os níveis, mais garantido estará o papel que lhe cumpre desempenhar na promoção do progresso intelectual, social e político. 
Escolas do povo, pelo povo e para o povo – eis o que Abraão Lincoln transpôs em termos de governo, para definir a democracia. (baseado em texto de Austregésilo de Athayde)