Dia a Dia: Deixa a vida me levar?

12 de fevereiro de 2020

Há pessoas que ‘levam’ suas vidas de maneira inconsequente, sem planejamento, sem medir as consequências de seus atos, preocupando-se apenas com o momento presente.

Alguns dizem que deixam a vida “levá-los”, ao sabor dos acontecimentos, afirmando que nós podemos viver de forma inconsequente, pois, no final, tudo se resolve naturalmente e de forma satisfatória. Vez ou outra cumprimentamos amigos que, quando interrogados sobre como estão, respondem: -“Vou levando como Deus quer!”

 

Na vida real, sabemos que as coisas não são bem assim. É necessário que busquemos ser os mentores e os autores de nossas ações.

 

Que tenhamos visão responsável e crítica sobre aquilo que nos rodeia e diz-nos respeito.

Que tenhamos capacidade de planejar nossa vida com coerência, visando, principalmente, sermos felizes através da realização profissional e pessoal, e que consigamos viver em paz, o que, inevitavelmente, passa por aprendermos a conviver de forma solidária e participativa.

Os pais, desde a infância, já devem dar início a esse processo de educação consciente de seus filhos. ‘Formar crianças e adolescentes sociáveis, felizes, livres e empreendedores é um belo desafio nos dias de hoje. A solidão nunca foi tão intensa: os pais escondem seus sentimentos dos filhos, estes escondem suas lágrimas dos pais, os professores se ocultam atrás do quadro e do computador. O estresse e a ansiedade fazem parte da rotina de jovens e adultos. A produção de conhecimento se multiplicou, mas as novas gerações não estão sendo formadas para pensar, e sim, para repetir informações’. É por isso que estamos refletindo este tema nesta oportunidade: podemos deixar a vida nos levar? Parece que, por comodismo ou por se deixar influenciar, é o que a maioria está tendendo a pensar, o que o mundo, a mídia, a TV, estão induzindo-nos a fazer.

Como já diziam os antigos: ‘Para baixo, todo santo ajuda’. Deixar que a vida, que os acontecimentos, que os ‘companheiros’, que a Internet nos levem, para onde quiserem, é muito cômodo; para sermos melhores, mais íntegros, afastarmo-nos do ócio e do vício, para fazermos diferença, é preciso algo mais. É preciso ser diferente. Fazer-se diferente. Não basta vencer nos negócios, ficar rico, adquirindo, cada vez mais, bens materiais, que já sabemos, irão ficar por aqui quando nós nos formos desta vida. Não basta a busca incessante pelo poder, pois a experiência já demonstrou que ele é perene e limitado. A sensibilidade e a emoção são, cada vez mais, necessárias para que floresçam em nós a gentileza, a solidariedade, a tolerância, a inclusão, os sentimentos altruístas.

Enquanto os pais e os professores falam, as crianças e os jovens estão muito agitados, inquietos, sem concentração. É uma síndrome do mundo moderno. A hiperatividade. É urgente que aprendamos a desacelerar. A aquietar a alma e os pensamentos. A desenvolver a criatividade, a resgatar o gosto pela leitura e a buscar a pesquisa.

Diz a letra de uma música: ‘Quem sabe faz a hora, não espera acontecer…’ e aqui fica o contraponto da reflexão de hoje. A ‘vida’ não pode simplesmente nos levar. Precisamos educar nossas atitudes, desenvolver a sensibilidade e a emoção para termos condições de intervir nas situações que se nos apresentam. Sermos atores, e não espectadores, dos acontecimentos em nosso dia a dia. Temos que, urgentemente, deixar de ser repetitivos e construir nosso próprio jeito de ser, com capacidade de pensar e de criar, apesar de tudo o que está acontecendo de errado e repugnante ao nosso redor, na política e nas instituições, pois elas é que deveriam nortear nossas vidas, ser exemplo para nossos jovens, mas, infelizmente, não o são.