Dia a Dia: Da música ‘amo você’ (Parte 2)

17 de fevereiro de 2020

Mais uma estrofe da música composta pelo meu conhecido amigo Ednaldo César. Tudo “ipsis litteris”, não mexi em uma letra sequer.Coração bateu mais forte / O sangue aqueceu nas veias / E mudou a minha sorte / Ao me prender em sua teiaAs palavras se entrelaçam na composição. É a poesia musical dando vida ao sentimento que se deseja imprimir na música, para fazer com que as pessoas não apenas pensem, mas, sintam também a singeleza da arte. Coração bateu mais forte. Primeiro verso da estrofe. É claro que se trata de uma linguagem poética,pois, quando o coração acelera seus batimentos não é sinal de boa saúde, muito pelo contrário, pode ser um problema bem sério. Pelo que eu saiba, chamam de arritmia. Mas, aqui, na poesia da música, na criação do autor, na inspiração, ele quer mostrar que o amor verdadeiro, despertado naquele momento, provoca uma reação, digamos “química”, que faz a pessoa ficar inebriada. Respira-se amor, paixão. É um sentimento que só pode ser descrito em linguagem poética mesmo, a pessoa que ama apenas se deixa envolver. É um sentimento de prazer, de felicidade, de realização pessoal. Desde que correspondido tal amor, ele transforma, transfigura o ser humano. Se não for correspondido, a decepção será enorme, mas, ou se tenta conquistar a pessoa amada, ou se conforma e procura não sofrer, nada pode ser forçado. É preciso paciência e inteligência para se lidar com o amor. O coração pode bater mais forte, mas, sem perder a razão. Que a aceleração seja poeticamente emocional e não organicamente violenta.O sangue aqueceu nas veias. Segundo verso da estrofe. É claro que a reação “química” já mencionada poeticamente esquenta a pessoa por dentro. É como se o sangue fervesse nas veias, dá-se a impressão que se entrará em estado de êxtase completo. O espírito eleva-se acima das nuvens, vagueia pelo espaço, a imaginação visita a lua, as estrelas, os astros, castelos são construídos e enfeitados com os mais maravilhosos ornamentos. Tudo para receber e gozar da presença da pessoa amada. É um mundo de sonhos, mas, que não se fique apenas nos sonhos, eles precisam se transformar na realidade do puro e eterno amor. Sangue quente, amor transbordante, transcendente!E mudou a minha sorte. Terceiro verso da estrofe. Realmente, a vida de uma pessoa que descobre o amor e é correspondida, sofre profundas mudanças. Mas, não são mudanças dessagráveis ou passageiras, são mudanças que envolvem a pessoa numa transfiguração de felicidade. Qual a pessoa que não deseja ter mudanças na sua vida, para que ela fique cada vez melhor, para que ela se sinta cada vez mais feliz? Como é triste conhecer pessoas amargas, negativas, que parecem brigar com elas mesmas, nunca estão satisfeitas com nada! Uma pena, uma vida tão curta, desperdiçada. O que importa é ver a sorte mudar sempre para melhor. O amor é a grande e poderosa arma que pode mudar a vida das pessoas. É o amor que consegue fazer o coração bater mais forte, fazer aquecer o sangue nas veias e explodir de felicidade dois corações apaixonados, mas, com amor verdadeiro.Ao me prender na sua teia. Quarto e último verso da estrofe. Pronto! Depois de fazer o coração bater mais forte, aquecer o sangue nas veias e mudar a sorte de dois corações, os apaixonados se sentem presos numa teia, como se fosse uma teia de aranhas, sem o risco ou perigo de tê-las por perto. É um entrelaçamento que só o verdadeiro amor pode construir. É necessário que tal amor seja baseado no verdadeiro amor conjugal, familiar, com bases sólidas de princípios morais e éticos. Para quem é cristão, em princípios do amor pregado por Jesus Cristo! Não basta dizer que está amando, que está apaixonado, é preciso provar, demonstrar em todos os gestos, em todos os minutos, em todas as circunstâncias, em todas as ações carinhosas, em quaisquer lugares. O respeito pelo outro é a grande prova do amor verdadeiro. Entender o outro é obrigação para cativar e também manter o amor.LUIZ GUILHERME WINTHER DE CASTRO, professor de oratória e de técnica vocal para fala e canto em Carmo do Rio Claro/MG, ex-professor do ensino técnico comercial – formado no Curso Normal Superior pela Unipac.